Reprodutibilidade de medição é a precisão obtida sob condições de reprodutibilidade: medições repetidas do mesmo objeto, ou de objetos similares, em que mudam o local, os operadores ou os sistemas de medição (VIM 2012, itens 2.24 e 2.25). O VIM pede que se declare o que mudou. “Reprodutibilidade entre operadores” e “reprodutibilidade entre laboratórios” são números diferentes e respondem a perguntas diferentes.
Onde a reprodutibilidade aparece
- Entre operadores: no estudo de Gage R&R, é a variação entre avaliadores medindo as mesmas peças com o mesmo instrumento.
- Entre laboratórios: em uma comparação interlaboratorial, mostra o quanto laboratórios diferentes concordam medindo o mesmo item.
- Entre turnos ou equipamentos: duas balanças da mesma linha, dois termômetros do mesmo pasteurizador, três turnos inspecionando a mesma característica.
Entre a repetibilidade e a reprodutibilidade existe a precisão intermediária: mesmo local e procedimento, mas ao longo de dias, com operadores e recalibrações diferentes. É a condição que mais se parece com a rotina de um laboratório interno.
Exemplo: diâmetro de eixo medido por três operadores
Na usinagem de uma fábrica de bombas, três inspetores medem dez vezes o mesmo eixo com o mesmo micrômetro de 25 a 50 mm (valores de exemplo). A tolerância da cota é ±0,010 mm.
| Operador | Média (mm) | Desvio-padrão (mm) |
|---|---|---|
| A | 25,012 | 0,002 |
| B | 25,015 | 0,002 |
| C | 25,009 | 0,002 |
Cada inspetor, sozinho, repete bem: desvio-padrão de 2 µm. O problema está entre eles. As médias vão de 25,009 a 25,015 mm, e o desvio-padrão entre as três médias é de 3 µm. Uma diferença de 6 µm entre operadores consome 30 % de uma faixa de tolerância de 20 µm. As causas costumam ser bem físicas: um usa a catraca e o outro aperta pelo tambor, um mede no centro do eixo e o outro perto do chanfro, um segura o micrômetro na mão por minutos e aquece o arco.
A correção não está no instrumento. Está no procedimento: catraca sempre, posição de medição definida, suporte para o micrômetro e tempo de estabilização da peça. Depois disso, refaz-se o estudo.
Erro comum
Estimar a incerteza de uma medição de produção só com a repetibilidade do técnico mais experiente do laboratório. Na linha, quem mede são três turnos, com instrumentos diferentes e pressa. Se a reprodutibilidade não entra na análise, a incerteza declarada fica otimista e o critério de aceitação aprova o que não deveria. Outro engano frequente é chamar de “reprodutibilidade” a simples repetição da calibração pelo mesmo técnico no dia seguinte, que é, no máximo, precisão intermediária.
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