Micrômetro

Micrômetro mede dimensões pelo avanço de um fuso roscado, com resolução de 0,01 mm ou 0,001 mm. Veja como funciona e como é calibrado.

Micrômetro é o instrumento de medição dimensional que transforma o giro de um fuso roscado de passo preciso em deslocamento linear da face de medição. Com passo de 0,5 mm e tambor dividido em 50 partes, cada divisão vale 0,01 mm; com nônio adicional ou leitura digital, chega a 0,001 mm. Cada micrômetro cobre uma faixa de 25 mm (0–25, 25–50, 50–75 mm e assim por diante).

Como funciona

A peça fica entre a face fixa (batente) e a face do fuso. A catraca ou fricção limita a força de aperto, para que operadores diferentes meçam com força parecida. Como a linha de medição coincide com o eixo do fuso, o micrômetro segue o princípio de Abbe, e isso explica boa parte da vantagem sobre o paquímetro. Há modelos para medição externa, interna (de dois ou três contatos), de profundidade e com pontas especiais para rosca, tubo e dentes de engrenagem. Para micrômetros externos, a norma de características metrológicas é a ISO 3611.

Calibração em linhas gerais

  1. Verificação do zero (no 0–25 mm, faces encostadas; nos maiores, com a haste-padrão que acompanha o instrumento).
  2. Erro de indicação com blocos-padrão em pontos que façam o tambor parar em posições diferentes. Uma sequência clássica para 0–25 mm é 2,5; 5,1; 7,7; 10,3; 12,9; 15,0; 17,6; 20,2; 22,8 e 25,0 mm.
  3. Planeza das faces com plano óptico, contando as franjas de interferência.
  4. Paralelismo entre as faces com planos paralelos ópticos de espessuras diferentes.

Exemplo: o calor da mão

Um micrômetro de 75–100 mm, de arco de aço, é segurado pelo arco durante alguns minutos e aquece 3 °C. Com coeficiente de expansão do aço em torno de 11,5 × 10−6 /°C, o arco de cerca de 100 mm cresce aproximadamente 100 × 11,5 × 10−6 × 3 ≈ 0,0035 mm. É mais de três divisões de um instrumento de 0,001 mm, aparecendo como erro de medição sem que nada esteja “descalibrado”. Por isso o arco tem isolamento térmico e a recomendação é segurar pelas placas isolantes ou usar suporte.

O que olhar no certificado

  • Erro de indicação em cada ponto, com incerteza e k.
  • Planeza de cada face e paralelismo, em µm.
  • Se a haste-padrão foi calibrada junto (nos micrômetros acima de 25 mm).
  • Temperatura durante a calibração.

Erro comum

Girar o tambor direto até apertar, sem usar a catraca, e guardar o micrômetro com as faces encostadas, o que favorece corrosão e tensões no arco. Outro erro é zerar o micrômetro de 25–50 mm sem a haste-padrão, “no olho”. O procedimento detalhado está em calibração de paquímetro e micrômetro, e o efeito do operador entra na reprodutibilidade do sistema de medição.

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