Critério de aceitação na calibração é a regra que decide se um instrumento calibrado está apto para uso, comparando o Erro de medição e a Incerteza expandida encontrados com o erro máximo admissível (EMA) definido para aquela aplicação. Ele é escrito pela empresa usuária, antes da calibração, e não pelo laboratório depois.
A ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 trata o assunto como regra de decisão: quando o cliente pede declaração de conformidade, a regra que diz como a incerteza é considerada precisa ser acordada com ele, e o laboratório informa no certificado qual regra aplicou. O documento ILAC-G8:09/2019 detalha as opções mais usadas.
De onde vem o erro máximo admissível
- Tolerância do processo: se a câmara precisa ficar entre 0 e 4 °C, o termômetro não pode errar o mesmo tanto que a faixa toda. Uma prática comum é que o EMA do instrumento seja uma fração pequena da tolerância do processo.
- Norma ou regulamento: instrumentos regulamentados pelo Inmetro têm EMA definido no regulamento técnico metrológico de cada tipo.
- Especificação do fabricante: serve de referência inicial, mas costuma ser folgada para processos críticos.
As regras de decisão mais comuns
| Regra | Condição de aprovação | Quando usar |
|---|---|---|
| Aceitação com banda de guarda (conservadora) | |E| + U ≤ EMA | Medições críticas para segurança, produto ou auditoria |
| Aceitação simples | |E| ≤ EMA, com U pequena perto do EMA (por exemplo, U ≤ EMA/3) | Instrumentos de uso geral, com laboratório de baixa incerteza |
| Só incerteza | U ≤ limite | Quando o erro é corrigido no uso e só a qualidade da medição importa |
Exemplo: balança de checagem de embalagens
Uma balança de 15 kg confere o peso de caixas de 10 kg na expedição. O EMA definido pela qualidade é ±5 g no ponto de 10 kg, com regra conservadora. Quatro cenários de certificado (valores de exemplo):
| Caso | Erro | U | |E| + U | Banda de guarda | Aceitação simples |
|---|---|---|---|---|---|
| A | +2,0 g | 1,5 g | 3,5 g | Aprovado | Aprovado |
| B | +3,8 g | 1,5 g | 5,3 g | Reprovado | Aprovado |
| C | −4,8 g | 0,8 g | 5,6 g | Reprovado | Aprovado |
| D | −6,0 g | 1,0 g | 7,0 g | Reprovado | Reprovado |
Os casos B e C estão na zona em que a incerteza não permite garantir conformidade. Com a regra conservadora, a balança vai para ajuste. Com a aceitação simples, ela volta para a linha, e a empresa assume o risco de, eventualmente, liberar caixas fora do peso. Nenhuma das duas está errada; o que não pode é decidir depois de ver o número.
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Como definir o critério na prática
- Liste os instrumentos por criticidade da medição.
- Para cada um, registre o EMA por ponto ou faixa, na mesma unidade do certificado.
- Escolha a regra de decisão e escreva no procedimento.
- Informe ao laboratório a faixa de uso e os pontos de interesse, e verifique se a incerteza dele é compatível com o EMA.
- Defina o que acontece na reprovação: retirada de uso, ajuste, avaliação do que foi medido desde a última calibração aprovada e registro de Não conformidade.
O erro mais comum
Aceitar o “aprovado” escrito pelo laboratório sem saber contra qual especificação ele foi dado. Muitas vezes é a classe do fabricante ou uma norma genérica, bem mais folgada do que o processo exige.
No Sismetro, cada canal de medição tem tolerância própria: por erro (E), por incerteza (U), pela soma U+E ou livre, com valor em unidade ou em porcentagem. A tabela de resultados avalia cada ponto contra essa tolerância, e a aprovação do certificado é registrada com login e senha do responsável. O critério fica no cadastro, não na cabeça de quem analisa. Veja no módulo de calibração e metrologia.
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