Comparação interlaboratorial é a organização, execução e avaliação de medições sobre o mesmo item, ou itens semelhantes, por dois ou mais laboratórios, segundo condições definidas antes. O ensaio de proficiência é o tipo mais conhecido, mas a comparação tem outros usos: validar um método, atribuir valor a um material de referência, conferir dois laboratórios de um mesmo grupo ou, entre institutos nacionais de metrologia, as comparações-chave que sustentam o reconhecimento internacional dos padrões.
A ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 cita as duas formas ao tratar do monitoramento do desempenho: participação em ensaios de proficiência e em comparações interlaboratoriais que não sejam ensaios de proficiência.
EP ou comparação: o que muda
| Ensaio de proficiência | Outra comparação interlaboratorial | |
|---|---|---|
| Quem organiza | Provedor, de preferência acreditado pela ISO/IEC 17043 | Os próprios laboratórios ou um coordenador combinado |
| Objetivo | Avaliar o desempenho dos participantes | Variado: validação, monitoramento, atribuição de valor |
| Quando usar | Quando há programa para a grandeza e a faixa | Quando não há EP disponível ou o objetivo é outro |
Exemplo: três laboratórios internos de um grupo
Um grupo sucroenergético tem laboratórios de calibração internos em três usinas e não encontra rodada de EP em pressão no período de entressafra. Situação de exemplo, com números ilustrativos. O grupo faz circular um manômetro digital de 0 a 25 bar, calibrado por um laboratório acreditado antes e depois da circulação para confirmar que o item ficou estável. No ponto de 20 bar, o valor de referência é 20,004 bar, com U = 0,005 bar.
| Laboratório | Resultado (bar) | U (bar) | En | Avaliação |
|---|---|---|---|---|
| Usina A | 20,006 | 0,010 | 0,18 | Satisfatório |
| Usina B | 19,988 | 0,012 | −1,23 | Insatisfatório |
| Usina C | 20,010 | 0,008 | 0,64 | Satisfatório |
Conta da usina B: (19,988 − 20,004) / √(0,012² + 0,005²) = −0,016 / 0,013 = −1,23. A investigação encontra a correção do padrão de trabalho aplicada com o sinal trocado na planilha. Sem a comparação, o erro iria para todos os manômetros calibrados na safra.
Erros comuns
Comparar sem incerteza (“deu parecido”) ou definir o critério depois de ver os números. Usar item instável, que muda de valor no transporte, e atribuir ao laboratório um desvio que é do item. E fazer a comparação só entre laboratórios internos que usam o mesmo padrão de referência: se o padrão estiver errado, todos concordam entre si e todos erram. Ter pelo menos um participante com rastreabilidade independente resolve isso. Entre uma comparação e outra, a verificação intermediária dos padrões ajuda a pegar a deriva mais cedo.
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