O GUM (do inglês Guide to the Expression of Uncertainty in Measurement) é o documento de referência internacional que estabelece regras gerais para avaliar e expressar a incerteza de medição. A versão vigente é a JCGM 100:2008, mantida pelo Comitê Conjunto para Guias em Metrologia (JCGM), e o Inmetro publica a tradução brasileira com o título “Avaliação de dados de medição: Guia para a expressão de incerteza de medição”. Quando um certificado diz que a incerteza foi “calculada conforme o GUM”, é a esse documento que ele se refere.
De onde veio
Até os anos 1980, cada país e cada laboratório expressava incerteza de um jeito: alguns somavam limites, outros davam desvio-padrão, outros misturavam os dois. O GUM foi publicado em 1993 sob responsabilidade de sete organizações internacionais (BIPM, IEC, IFCC, ISO, IUPAC, IUPAP e OIML), revisado em 1995 e reeditado em 2008 como JCGM 100, com pequenas correções. O ILAC entrou depois no JCGM. O objetivo foi um só: resultados de medição comparáveis entre laboratórios e países. O vocabulário que o GUM usa está alinhado com o VIM.
O método em 8 passos
A seção 8 do GUM resume o procedimento:
- Escrever o modelo matemático que liga o mensurando às grandezas de entrada.
- Estimar o valor de cada entrada.
- Avaliar a incerteza-padrão de cada estimativa (Tipo A ou Tipo B).
- Avaliar as covariâncias entre entradas correlacionadas.
- Calcular o resultado pelo modelo.
- Calcular a incerteza-padrão combinada pela lei de propagação de incertezas.
- Obter a incerteza expandida U = k·uc, se for o caso.
- Relatar o resultado com U, k e o modo de obtenção.
O artigo como calcular incerteza de medição percorre esses passos com números, de ponta a ponta.
Os documentos da família GUM
| Documento | Tema |
|---|---|
| JCGM 100:2008 | O GUM propriamente dito |
| JCGM 101:2008 (Suplemento 1) | Propagação de distribuições pelo método de Monte Carlo |
| JCGM 102:2011 (Suplemento 2) | Modelos com mais de uma grandeza de saída |
| JCGM 104:2009 | Introdução ao GUM e aos documentos relacionados |
| JCGM 106:2012 | Papel da incerteza na avaliação da conformidade |
Onde o GUM aparece no dia a dia
A ABNT NBR ISO/IEC 17025 exige que laboratórios identifiquem as contribuições e avaliem a incerteza de medição, e certificado de calibração sem incerteza não atende à norma. Os orçamentos de incerteza, os fatores k tirados da t de Student e a regra de declarar U com no máximo dois algarismos significativos vêm todos do GUM.
Erros comuns
- Tratar o GUM como planilha pronta. Ele dá o método; o modelo e as fontes de cada medição são responsabilidade de quem mede.
- Aplicar k = 2 sempre, sem olhar os graus de liberdade efetivos.
- Usar o método linear do GUM em modelos fortemente não lineares ou com uma fonte retangular dominante, onde ele pode errar o intervalo. Para esses casos existe o Suplemento 1.
O cálculo de incerteza dos certificados emitidos no Sismetro segue o GUM (JCGM 100:2008), com a memória de cálculo guardada por ponto.
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