A ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 é a norma que especifica os requisitos gerais para a competência, a imparcialidade e a operação consistente de laboratórios de ensaio e calibração. É a versão brasileira da ISO/IEC 17025, cuja terceira edição foi publicada em 2017, substituindo a de 2005. No Brasil, a Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro (Cgcre) acredita laboratórios com base nela, e os laboratórios de calibração acreditados formam a Rede Brasileira de Calibração (RBC).
Como a norma é organizada
| Seção | Assunto | O que mais importa para calibração |
|---|---|---|
| 4 | Requisitos gerais | Imparcialidade e confidencialidade |
| 5 | Requisitos de estrutura | Responsabilidades e escopo definido |
| 6 | Requisitos de recursos | Pessoal, condições ambientais, equipamentos, programa de calibração e rastreabilidade metrológica |
| 7 | Requisitos de processo | Métodos, avaliação da incerteza, garantia da validade dos resultados, relato no certificado, regra de decisão |
| 8 | Sistema de gestão | Duas opções: sistema próprio (opção A) ou sistema já conforme a ISO 9001 (opção B) |
A edição de 2017 trouxe a abordagem baseada em risco, deu mais flexibilidade ao sistema de gestão e passou a tratar de forma explícita a regra de decisão para declarações de conformidade.
Pontos que mais aparecem na calibração
- Rastreabilidade metrológica: os resultados precisam ser ligados ao SI por uma cadeia documentada de calibrações, normalmente via padrões calibrados em laboratório acreditado ou institutos nacionais. Veja Rastreabilidade metrológica.
- Avaliação da incerteza: o laboratório deve identificar as contribuições e avaliar a Incerteza de medição de toda calibração, incluindo as próprias.
- Garantia da validade: verificações intermediárias, comparações interlaboratoriais, réplicas e cartas de controle.
- Certificado: incerteza na mesma unidade do mensurando, condições ambientais relevantes, declaração de rastreabilidade e, quando houver ajuste, resultados antes e depois.
- Regra de decisão: quando o cliente pede declaração de conformidade, a forma de considerar a incerteza deve ser acordada e informada.
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Exemplo: laboratório interno de uma usina
Uma usina de açúcar e etanol mantém um laboratório de instrumentação que calibra cerca de 400 manômetros, termômetros e transmissores por safra (número de exemplo). Ela não pretende ser acreditada, mas decide usar a 17025 como referência para não ter certificado questionado em auditoria de cliente. O que muda na prática:
- Procedimento escrito por grandeza, com número mínimo de pontos e leituras.
- Orçamento de incerteza por tipo de instrumento, revisado quando muda o padrão.
- Controle dos padrões com certificado rastreável e Verificação intermediária entre calibrações.
- Registro das condições ambientais na bancada.
- Critério de aceitação definido antes da calibração e registrado.
- Técnicos com competência registrada para cada grandeza.
Nada disso exige acreditação. Exige método, e o certificado interno passa a ter os mesmos elementos de um certificado de laboratório externo.
O erro mais comum
Confundir “conforme a 17025” com “acreditado”. Um laboratório pode dizer que segue a norma sem nunca ter sido avaliado. Para contratar, confira na base da RBC se o laboratório está acreditado e se o escopo cobre a grandeza, a faixa e a incerteza de que você precisa. Outro engano é achar que a norma define periodicidade de calibração: ela exige programa de calibração, mas o intervalo é decisão de quem usa o instrumento.
No Sismetro, o modelo de certificado emitido reúne os elementos que a 17025 pede no relato: procedimento vinculado, condições ambientais registradas na emissão, padrão e canal do padrão usados, incerteza com k e probabilidade de abrangência, campo de acreditação RBC/Inmetro com upload do selo (para laboratórios que são acreditados) e assinatura do responsável técnico ou do signatário autorizado. Mais no módulo de calibração e metrologia.
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