Valor nominal é o valor arredondado ou aproximado que caracteriza um instrumento, padrão ou medida materializada e serve de guia para o seu uso. É o 1 kg gravado na massa-padrão, os 25 mm do bloco-padrão, os 100 Ω do resistor padrão, a faixa de 0 a 10 bar no mostrador do manômetro. O valor real do item é diferente do nominal, e a calibração existe para dizer quanto.
Nominal, convencional e verdadeiro
A massa de 1 kg não tem exatamente 1 kg. O certificado dela informa um valor convencional, por exemplo 1,000 003 kg, com uma incerteza. A diferença para o nominal (+3 mg) é o desvio, e a classe de exatidão define quanto esse desvio pode ser. Na tabela da OIML R111, uma massa de 1 kg classe F1 admite erro máximo de ±5 mg; na classe M1, ±50 mg.
Com desvio de +3 mg e incerteza expandida de 1,0 mg, a soma fica em 4 mg, dentro dos 5 mg da classe F1. O peso está conforme, mas ainda tem 3 mg a mais do que o nominal. Se esses 3 mg importam ou não depende de onde o peso é usado.
Exemplo: o mesmo peso em duas balanças
- Balança de plataforma de 150 kg, divisão de 50 g, numa expedição de frigorífico: 3 mg são 0,006 % de uma divisão. Usar o valor nominal não muda nada.
- Balança de precisão de 1,2 kg, resolução de 1 mg, num laboratório de controle de qualidade: 3 mg são três divisões. Calibrar essa balança com o valor nominal joga um erro de 3 mg do peso para dentro do resultado da balança. Aqui o valor de referência tem de ser o valor do certificado.
A regra prática: se o erro máximo da classe do padrão for pequeno frente à resolução e à tolerância do instrumento, o nominal serve, desde que essa parcela entre na incerteza. Se não for, use o valor verdadeiro convencional do certificado. Para detalhes de classes e EMA de pesos, veja calibração de peso padrão.
Outros usos do termo
Valor nominal também aparece fora dos padrões. Em embalagens, o conteúdo nominal (500 g, 1 L) é o que a fiscalização de produtos pré-medidos confere. Em instrumentos, a faixa nominal é a que está no mostrador, que nem sempre coincide com a faixa de medição em que o fabricante garante a exatidão.
Erros comuns
- Tratar o nominal como valor exato em toda calibração, sem olhar o certificado do padrão.
- Comprar padrão pela classe mais barata e descobrir depois que o desvio dele consome a tolerância do instrumento a calibrar.
- Confundir o desvio do padrão (nominal versus convencional) com a incerteza do certificado. São coisas diferentes e as duas entram na conta.
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