Valor verdadeiro convencional (VVC) é o valor atribuído a uma grandeza por acordo, para um dado propósito. O VIM (Vocabulário Internacional de Metrologia) registra o conceito como valor convencional de uma grandeza e admite o termo valor verdadeiro convencional. Na calibração, o VVC é o valor de referência dado pelo padrão, já corrigido pelo certificado dele. É contra ele que se calcula o Erro de medição do instrumento: E = indicação − VVC.
Por que “convencional”
O valor verdadeiro de uma grandeza é aquele que ela realmente tem, e não pode ser conhecido exatamente: qualquer medição, por melhor que seja, tem Incerteza de medição. Para trabalhar, a metrologia combina usar como referência o valor de um Padrão de calibração cuja incerteza é bem menor do que a do instrumento em teste. Esse valor é “verdadeiro” por convenção, não por natureza. Por isso o VVC sempre vem acompanhado da incerteza do padrão, que entra no orçamento de incerteza da calibração.
| Conceito | O que é | Exemplo |
|---|---|---|
| Valor verdadeiro | Valor que a grandeza realmente tem; desconhecido | A temperatura exata do banho |
| Valor verdadeiro convencional | Valor de referência aceito, com incerteza conhecida | Leitura do padrão corrigida pelo certificado |
| Indicação | Valor mostrado pelo instrumento em calibração | Leitura do termômetro de processo |
Exemplo: termômetro calibrado em banho
Um termômetro de processo é calibrado a cerca de 80 °C num banho, contra um termômetro padrão. O padrão indica 80,12 °C. O certificado do padrão traz correções em dois pontos próximos: −0,02 °C a 50 °C e −0,06 °C a 100 °C. O instrumento em teste indica 80,30 °C. Veja como a escolha do VVC muda o erro (valores de exemplo):
| Como o VVC foi obtido | Correção aplicada | VVC | Erro do instrumento |
|---|---|---|---|
| Sem correção do padrão | 0 | 80,12 °C | +0,18 °C |
| Correção do ponto mais próximo (100 °C) | −0,06 °C | 80,06 °C | +0,24 °C |
| Interpolação linear entre 50 e 100 °C | −0,04 °C | 80,08 °C | +0,22 °C |
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A interpolação dá −0,02 + (30,12/50) × (−0,04) ≈ −0,044 °C, arredondado para −0,04 °C. A diferença entre os métodos é de até 0,06 °C. Num termômetro com tolerância de ±0,5 °C, isso pode parecer pouco, mas é a mesma ordem de grandeza da incerteza da calibração. Ignorar a correção desloca todos os erros na mesma direção, e o instrumento parece melhor do que é.
Quando corrigir e quando tratar como incerteza
- Corrigir: quando o erro do padrão é conhecido e não é desprezível perto da tolerância do instrumento. É o caminho mais exato.
- Não corrigir, mas incluir como incerteza: quando o erro do padrão é pequeno e o procedimento prefere simplificar. O erro do padrão vira uma componente Tipo B, o que aumenta a incerteza.
- Nunca: ignorar a correção e também deixá-la fora do orçamento. Aí o erro do padrão some do resultado sem deixar rastro.
Em pressão e massa, outras correções podem entrar no VVC, como a da aceleração da gravidade local e do empuxo do ar em balanças de pressão e pesos padrão. O procedimento de calibração deve dizer quais se aplicam.
O erro mais comum
Usar a leitura crua do padrão como VVC, sem olhar o certificado dele. O segundo é corrigir com a curva de um certificado vencido, o que quebra a Rastreabilidade metrológica: o número pode até estar certo, mas não há como provar.
No Sismetro, o modelo de certificado emitido define se as leituras do padrão são corrigidas pelo VVC ou em função da pressão atmosférica, e como a incerteza herdada do padrão é obtida: pelo VVC mais próximo, pelo valor do VVC ou por interpolação linear. A memória de cálculo mostra, por ponto, a leitura do padrão, a leitura corrigida, o VVC e o valor do instrumento. Veja no módulo de calibração e metrologia.
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