Valor de referência é o valor de uma grandeza usado como base de comparação com valores de grandezas da mesma natureza. Na calibração, é o valor dado pelo padrão, já corrigido pelo certificado dele e com incerteza conhecida. É contra ele que se calcula o erro do instrumento: E = indicação − valor de referência.
O VIM admite que o valor de referência seja um valor verdadeiro (que nunca se conhece exatamente) ou um valor convencional. Na prática do laboratório e da fábrica, ele é quase sempre o segundo, o valor verdadeiro convencional.
De onde vem o valor de referência
- Padrão com indicador: a leitura do padrão de calibração mais a correção do certificado dele, como num termômetro padrão.
- Medida materializada: o valor certificado de uma massa-padrão ou de um bloco-padrão.
- Material de referência: o valor certificado de um material de referência certificado, como uma solução-tampão de pH.
- Ensaio de proficiência: o valor designado pelo provedor, contra o qual cada laboratório participante é avaliado.
Exemplo: termômetro de processo em banho
Um termômetro de um autoclave de esterilização de latas é calibrado em banho termostático contra um Pt100 padrão (valores de exemplo). No ponto de 120 °C, o padrão indica 120,08 °C. O certificado do padrão informa, nesse ponto, correção de −0,05 °C e incerteza expandida de 0,03 °C (k = 2).
| Grandeza | Valor |
|---|---|
| Indicação do padrão | 120,08 °C |
| Correção do certificado do padrão | −0,05 °C |
| Valor de referência | 120,03 °C |
| Indicação do termômetro em calibração | 120,40 °C |
| Erro | +0,37 °C |
Se o técnico usasse a leitura bruta do padrão, o erro sairia +0,32 °C. Numa tolerância de ±0,5 °C, essa diferença de 0,05 °C pode decidir a aprovação. A incerteza do valor de referência entra no orçamento como 0,03 ÷ 2 = 0,015 °C, junto com a estabilidade e a homogeneidade do banho, que muitas vezes pesam mais do que o próprio padrão.
Uma regra de bolso: a incerteza do valor de referência deve ser bem menor que a tolerância do instrumento calibrado. É essa proporção que a TUR mede.
Erros comuns
- Usar a indicação bruta do padrão, sem a correção do certificado.
- Aplicar a correção com o sinal trocado, o que desloca o valor de referência pelo dobro da correção (no exemplo, 120,13 °C em vez de 120,03 °C).
- Usar a correção de um ponto distante, sem interpolar, quando o certificado não cobre o ponto calibrado.
- Usar padrão com certificado vencido. O valor de referência perde a rastreabilidade e a calibração inteira perde valor.
No Sismetro, o modelo do certificado pode aplicar a correção do padrão e trazer a incerteza herdada dele pelo ponto mais próximo ou por interpolação linear, o que tira essa conta da planilha.
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