Guia Sismetro › Artigos

Calibração de peso padrão: classes, EMA e exemplo

A calibração de peso padrão determina a massa convencional do peso, com a incerteza associada, por comparação com um peso de referência de classe superior em um comparador de massa ou balança. O resultado é avaliado contra o erro máximo admissível (EMA) da classe do peso, definido na recomendação OIML R 111-1.

Resumo rápido

  • As classes da OIML R 111 vão de E1 (a mais exata) a M3: E1, E2, F1, F2, M1, M1-2, M2, M2-3 e M3. As classes M1-2 e M2-3 só existem de 50 kg a 5.000 kg.
  • Para 1 kg, o EMA é ±1,6 mg na classe E2, ±5 mg na F1, ±16 mg na F2 e ±50 mg na M1.
  • A incerteza expandida da calibração (k = 2) não pode passar de um terço do EMA da classe.
  • O peso só atende à classe se o desvio da massa convencional em relação ao nominal não passar do EMA menos a incerteza.
  • O método mais usado é a pesagem por substituição em ciclos ABBA, que cancela a deriva do comparador.

O que é um peso padrão?

É uma medida materializada de massa, com forma, material, acabamento e propriedades magnéticas controlados, usada para calibrar ou verificar balanças e outros pesos. Na indústria, os pesos padrão aparecem em três papéis: verificação diária de balanças de processo e de laboratório, calibração de balanças pela equipe interna e referência de laboratórios de calibração de massa.

A referência internacional para pesos é a recomendação OIML R 111-1:2004, da Organização Internacional de Metrologia Legal. Ela define classes, erros máximos admissíveis, requisitos de material, densidade, magnetismo e rugosidade, e os métodos de ensaio.

Baixe grátis: planilha de controle de calibração. Planilha de controle de calibração grátis em Excel: vencimentos e status por fórmula, histórico de certificados e…

Baixar planilha grátis ver todas as planilhas

O que é massa convencional?

É o valor que a calibração de um peso informa, e não a massa “verdadeira”. Por convenção, massa convencional é a massa de um peso de referência com densidade de 8.000 kg/m³ que equilibra o peso em ar com densidade de 1,2 kg/m³, a 20 °C. A convenção existe porque os pesos são usados no ar, e o empuxo muda o resultado conforme a densidade do material. Para pesos de aço inoxidável usados em condições normais, a diferença entre as duas massas é pequena, mas nas classes E e F ela precisa ser tratada.

Quais são as classes de peso padrão e o EMA de cada uma?

A tabela mostra o erro máximo admissível, em miligramas, para valores nominais comuns. Os números são da tabela 1 da OIML R 111-1:2004.

Valor nominal E2 F1 F2 M1 M2
1 g 0,03 0,10 0,3 1,0 3,0
10 g 0,06 0,20 0,6 2,0 6,0
100 g 0,16 0,5 1,6 5 16
500 g 0,8 2,5 8 25 80
1 kg 1,6 5 16 50 160
2 kg 3 10 30 100 300
5 kg 8 25 80 250 800
10 kg 16 50 160 500 1.600
20 kg 30 100 300 1.000 3.000

Repare no padrão da tabela: cada classe tem EMA cerca de três vezes maior que a anterior. Não é coincidência. Um peso de uma classe é calibrado com pesos da classe acima, e a regra de um terço da incerteza depende dessa folga.

Qual classe escolher?

A escolha depende da balança que o peso vai calibrar ou verificar. Para balanças regulamentadas, o regulamento técnico metrológico aprovado pela Portaria Inmetro nº 157/2022 (item 2.7.1) estabelece que os pesos padrão usados nos ensaios não podem ter erro maior que um terço do erro máximo admissível da balança para a carga aplicada. A própria OIML R 111 traz a mesma orientação, remetendo à recomendação de balanças (OIML R 76). Para calibração, a lógica é parecida: o peso não pode dominar a incerteza. O guia EURAMET cg-18, referência para calibração de balanças, mostra como essa contribuição entra na conta. Na indústria, balanças de processo e expedição costumam usar pesos M1 ou F2; balanças analíticas de laboratório pedem F1 ou E2.

Como é feita a calibração de peso padrão?

O peso é calibrado individualmente, por comparação com um padrão de massa nominal igual ou combinação de padrões. Não se calibra peso “em vários pontos”: quem é ensaiado em pontos da faixa é a balança. A confusão aparece até em respostas automáticas de busca, e o método correto está no anexo C da OIML R 111-1.

  1. Inspeção visual. Riscos, amassados, oxidação e sujeira mudam a massa. Peso danificado não deveria seguir para a calibração sem avaliação.
  2. Limpeza e estabilização térmica. O peso precisa ficar no ambiente do laboratório por tempo suficiente para igualar a temperatura com a do comparador. Nas classes mais exatas, isso leva horas.
  3. Registro das condições ambientais. Temperatura, umidade e pressão atmosférica, para calcular a densidade do ar e a correção de empuxo quando necessária.
  4. Pesagem por substituição. No ciclo ABBA, o comparador lê o padrão (A), o peso em calibração (B), o peso em calibração de novo (B) e o padrão (A). A diferença é calculada pela média, o que cancela a deriva linear do comparador. Repete-se o ciclo algumas vezes.
  5. Cálculo da massa convencional. Massa do padrão mais a média das diferenças, com as correções aplicáveis.
  6. Cálculo da incerteza. Padrão, repetibilidade das diferenças, resolução do comparador, empuxo e, nas classes mais exatas, magnetismo e excentricidade.
  7. Avaliação contra a classe. Compara-se o desvio em relação ao nominal com o EMA, descontada a incerteza.

Exemplo: peso de 1 kg da classe F1

Situação de exemplo, com números ilustrativos. Um peso de 1 kg da classe F1 (EMA de ±5 mg) é calibrado contra um padrão de 1 kg da classe E2. O certificado do padrão informa massa convencional de 1 kg + 0,30 mg, com U = 0,50 mg (k = 2). O comparador tem resolução de 0,1 mg. Três ciclos ABBA deram as seguintes diferenças entre o peso em calibração e o padrão: +1,2 mg, +1,4 mg e +1,1 mg.

Resultado. A média das diferenças é +1,23 mg. A massa convencional do peso é 1 kg + 0,30 mg + 1,23 mg = 1 kg + 1,53 mg.

Fonte Avaliação u (mg) Peso na variância
Padrão E2 0,50 / 2 0,250 84 %
Repetibilidade (3 ciclos, s = 0,153 mg) 0,153 / √3 0,088 10 %
Empuxo do ar (estimativa) tipo B 0,050 3 %
Resolução do comparador 0,1 / √12 × √2 0,041 2 %
Incerteza combinada 0,273 100 %

Os graus de liberdade efetivos ficam perto de 180, o que leva a k ≈ 2,02 e U ≈ 0,55 mg. A resolução entra multiplicada por √2 porque cada diferença usa duas leituras do comparador.

Avaliação. Duas condições da OIML R 111 precisam ser atendidas:

  • Incerteza até um terço do EMA: 0,55 mg ≤ 5/3 = 1,67 mg. Atende.
  • Desvio dentro do EMA menos a incerteza: 1,53 mg ≤ 5 − 0,55 = 4,45 mg. Atende.

O peso continua na classe F1 e usa cerca de 42 % do EMA, somando desvio e incerteza (2,08 de 5 mg). Se nas próximas calibrações o desvio crescer de forma consistente, o histórico mostra a deriva antes que o peso saia da classe.

Com que frequência calibrar pesos padrão?

A OIML R 111 não fixa um intervalo. A periodicidade depende da classe, do uso e do histórico. Pesos de laboratório guardados em estojo e usados com luva derivam pouco. Pesos de verificação de balança de expedição, manuseados no chão de fábrica, derivam mais e se danificam com facilidade. Muitas empresas começam com 12 meses para pesos de trabalho e ajustam com o histórico, como descrito em periodicidade de calibração. Uma verificação intermediária, comparando o peso de trabalho com outro peso da casa, ajuda a segurar o intervalo.

Erros comuns com pesos padrão

  • Usar peso com classe incompatível com a balança. Peso M1 para verificar balança analítica de 0,1 mg não diz nada sobre ela.
  • Ignorar o desvio do certificado. Em verificações finas, use a massa convencional do certificado, e não o nominal.
  • Manusear com a mão. Gordura e umidade da pele alteram pesos pequenos e das classes E e F.
  • Manter pesos de trabalho sem rastreabilidade externa. A cadeia precisa chegar a um laboratório acreditado ou ao Inmetro, como explica rastreabilidade metrológica.
  • Não registrar danos. Peso que caiu no chão precisa de avaliação antes de voltar ao uso.

Como o Sismetro ajuda

No Sismetro, cada peso é um patrimônio marcado como padrão de calibração, com canais de massa, faixa, tolerância, validade em meses e o certificado mais recente visível no cadastro. Ao receber o certificado do laboratório, você digita os resultados por canal, anexa o PDF e aprova com login e senha. A SS de recalibração abre sozinha com a antecedência que você definir, e quando o peso é usado para emitir certificados de balanças, a incerteza dele entra no cálculo como incerteza herdada do padrão. O módulo de calibração e metrologia tem plano grátis para indústria e laboratório.

Controle suas calibrações grátis no Sismetro.Cadastro de instrumentos, vencimentos com SS antes de vencer, certificado no padrão com cálculo de incerteza e QR code de validação. Laboratórios e indústrias começam no plano grátis, sem cartão de crédito.

Começar grátis ou conheça o software de calibração

Para organizar os seus pesos esta semana

Faça uma lista de todos os pesos da planta com valor nominal, classe, número de identificação, data do último certificado e balanças em que são usados. Confira, para cada um, se a classe é compatível com a balança e se o certificado está válido. Pesos sem identificação ou sem classe conhecida devem sair de uso até serem calibrados. Na sequência, veja como os pesos entram na calibração de balança e como controlar a validade em gestão de padrões de calibração. O verbete padrão de calibração resume o conceito.

Para ver onde os pesos entram no programa de metrologia da planta, consulte o guia geral de calibração.

Peso padrão de referência deve ir para laboratório acreditado; veja como consultar a RBC.

Perguntas frequentes

Como é feita a calibração de peso padrão?

Por comparação com um peso de referência de classe superior, em comparador de massa ou balança, normalmente em ciclos ABBA. O laboratório calcula a massa convencional, a incerteza e avalia se o desvio cabe no erro máximo admissível da classe da OIML R 111.

Qual o erro máximo admissível de um peso de 1 kg?

Pela OIML R 111-1, é ±1,6 mg na classe E2, ±5 mg na F1, ±16 mg na F2, ±50 mg na M1 e ±160 mg na M2.

Qual a diferença entre as classes F1 e M1?

A classe F1 tem erro máximo admissível dez vezes menor do que a M1. Para 1 kg, são ±5 mg contra ±50 mg. Pesos F1 servem para balanças de laboratório; M1 é comum em balanças industriais e comerciais.

Qual a regra de incerteza na calibração de pesos?

A incerteza expandida da massa convencional, com k = 2, deve ser no máximo um terço do erro máximo admissível da classe. Além disso, o desvio em relação ao nominal não pode passar do EMA menos essa incerteza.

Peso padrão precisa ser calibrado em laboratório RBC?

A exigência vem do seu sistema de gestão ou do cliente. Para garantir rastreabilidade sem discussão, o caminho mais usado é a calibração em laboratório acreditado pela Cgcre para massa, na faixa e na classe do peso. A consulta ao escopo do laboratório é pública.

Quer ver isso funcionando na sua operação?

O Sismetro organiza ordens de serviço, preventivas, estoque de peças e indicadores como MTBF e MTTR em um só lugar, com app para os técnicos e integração com o ERP Senior. Feito para indústria e agroindústria.

Prefere conversar agora? Chame a gente no WhatsApp.

Continue lendo no Guia Sismetro

Deixe seu contato e nossa equipe libera o seu acesso grátis

Deixe seu contato e alguém do nosso time marca a sua demonstração