Procedimento de calibração é o documento que descreve, passo a passo, como calibrar um tipo de instrumento: padrões e equipamentos usados, condições ambientais, preparação, pontos e número de leituras, sequência de medição, cálculo do erro e da incerteza, critério de aceitação e registros. A função dele é simples de dizer e difícil de cumprir: dois técnicos diferentes, com o mesmo instrumento, devem chegar ao mesmo resultado dentro da incerteza.
O que um procedimento precisa ter
- Campo de aplicação: tipo de instrumento, grandeza e faixa.
- Padrões e acessórios, com a incerteza mínima exigida.
- Condições ambientais: limites de temperatura e umidade e o que fazer fora deles.
- Preparação: limpeza, inspeção visual, tempo de estabilização térmica, pré-carga ou exercício do instrumento.
- Pontos de calibração e número de leituras por ponto.
- Sequência: subindo, descendo, quantos ciclos.
- Cálculos: erro, correções do padrão e orçamento de incerteza.
- Critério de aceitação e regra de decisão.
- Registros: o que vai para o certificado e o que fica na memória de cálculo.
De onde vem o método
O ponto de partida costuma ser uma norma ou um guia reconhecido, como o guia EURAMET cg-18 para balanças não automáticas, a DKD-R 6-1 para manômetros ou a ISO 6789 para torquímetros. A ABNT NBR ISO/IEC 17025 pede que o laboratório confirme que consegue aplicar corretamente um método normalizado antes de usá-lo, e que valide métodos próprios ou modificados. Na prática, quase todo laboratório interno trabalha com procedimento adaptado, e por isso precisa guardar a evidência dessa validação. O resumo dos requisitos está em ISO/IEC 17025: resumo prático.
Exemplo: o mesmo manômetro, dois resultados
Numa fábrica de fertilizantes, dois técnicos calibram o mesmo manômetro de 0 a 10 bar, com tolerância de ±0,10 bar. Números de exemplo. O técnico A mede só subindo e encontra erro de +0,04 bar em 6 bar: aprovado. O técnico B mede subindo e descendo e encontra +0,04 bar na subida e +0,12 bar na descida: reprovado, com histerese de 0,08 bar. Os dois trabalharam direito; o procedimento é que não dizia como medir. A revisão passa a exigir pré-carga até o fundo de escala, cinco pontos subindo e descendo e o critério aplicado ao pior dos dois sentidos.
Erros comuns
Copiar o manual do fabricante sem incluir os pontos da faixa de uso. Ter um procedimento que não bate com o modelo de certificado (o procedimento pede cinco pontos, o certificado tem três campos). Deixar revisões antigas circulando na bancada. E escrever o procedimento sem o critério de aceitação, o que transforma cada análise numa discussão.
No Sismetro, o modelo de certificado fixa pontos e leituras mínimos, cálculo de histerese e casas decimais, e a SS de calibração pode abrir com o checklist do procedimento para o técnico seguir no app, etapa por etapa. Veja no módulo de calibração e metrologia.
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