Laboratório de calibração interno é a estrutura da própria empresa, ou do grupo, que calibra os instrumentos usados nos seus processos com padrões próprios, rastreáveis a padrões nacionais. Pode ser uma sala climatizada com bancadas ou um carrinho com calibradores que roda a fábrica. Pode ser acreditado, mas na maioria dos casos não é, e não precisa ser.
O que as normas pedem
A ABNT NBR ISO 9001:2015 (7.1.5) exige que os equipamentos de medição sejam calibrados ou verificados contra padrões rastreáveis a padrões internacionais ou nacionais, e que a base usada seja registrada quando esses padrões não existirem. Ela não exige laboratório acreditado. A IATF 16949 vai além para o setor automotivo e pede que o laboratório interno tenha um escopo definido, incluído na documentação do sistema da qualidade, com requisitos técnicos mínimos. A ABNT NBR ISO/IEC 17025 é a referência natural de boas práticas, mesmo sem acreditação.
Na prática, o auditor procura cinco coisas: procedimento de calibração escrito, padrões com certificado vigente, incerteza avaliada, condições ambientais registradas e técnicos com treinamento comprovado.
Interno ou externo?
| Critério | Laboratório interno | Laboratório externo |
|---|---|---|
| Custo | Fixo: padrões, calibração dos padrões, pessoal, ambiente | Variável, por instrumento |
| Tempo fora de uso | Horas | Dias, com transporte |
| Reconhecimento externo | Depende de comprovar o método | Imediato, se acreditado no escopo |
| Faz sentido quando | Volume alto, grandezas simples, instrumentos críticos para a produção | Volume baixo, grandezas que exigem padrões caros ou ambiente controlado |
Muitas empresas fazem um misto: calibram internamente temperatura e pressão, que têm volume, e mandam para fora os padrões de referência e as grandezas raras.
Exemplo: termômetros de um frigorífico
Um frigorífico tem 240 termômetros de espeto, com tolerância de ±0,5 °C, e cada calibração externa deixava o instrumento dez dias fora da linha. Situação de exemplo. A empresa monta um laboratório interno com banho termostático e um Pt100 padrão de referência, calibrado em laboratório acreditado com U = 0,05 °C (k = 2). Com a resolução e a repetitividade dos termômetros, o orçamento interno fecha perto de U = 0,10 °C, uma relação de cerca de 5 para 1 com a tolerância. O termômetro sai e volta no mesmo turno. O que sustenta tudo isso é o Pt100 padrão: se o certificado dele vencer, cada termômetro calibrado depois disso perde a comprovação. Por isso a gestão de padrões de calibração é o primeiro controle a montar.
Erros comuns
Comprar padrão e esquecer de calibrar o padrão. Calibrar o padrão em laboratório sem competência comprovada para aquela faixa. Emitir certificado interno sem incerteza, só com “aprovado”. E deixar a hierarquia de padrões implícita, sem saber qual padrão calibrou qual instrumento.
No Sismetro, o laboratório interno emite o certificado no modelo da empresa, com cálculo de erro e incerteza por ponto, escolhendo um padrão que precisa ter certificado válido. O padrão e o canal usados ficam registrados em cada emissão, e a SS de recalibração do padrão abre antes do vencimento. Mais no módulo de calibração e metrologia.
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