Condições ambientais de calibração são os valores de temperatura, umidade relativa, pressão atmosférica e outras grandezas de influência (vibração, correntes de ar, campos eletromagnéticos, gravidade local) presentes durante a calibração e capazes de afetar o resultado. A ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 pede que o laboratório as monitore, controle quando necessário e registre, e que o certificado de calibração informe as condições que influenciam os resultados.
Como cada área é afetada
| Área | Grandeza de influência principal | Por quê |
|---|---|---|
| Dimensional | Temperatura | Dilatação térmica; a referência é 20 °C (ISO 1) |
| Massa | Temperatura, pressão e umidade | Definem a densidade do ar e o empuxo; correntes de ar e eletricidade estática perturbam a leitura |
| Pressão | Temperatura e gravidade local | Afetam a área do pistão e a força dos pesos numa balança de pressão |
| Temperatura | Temperatura ambiente | Afeta a junta de referência de termopares e a haste emergente de termômetros de imersão parcial |
| Elétrica | Temperatura e umidade | Resistores e fontes variam com a temperatura |
Exemplo: micrômetro e bloco-padrão a 25 °C
Uma oficina calibra um micrômetro de 75 a 100 mm com um bloco-padrão cerâmico de 100 mm, numa sala a 25 °C (valores de exemplo). O aço do micrômetro dilata cerca de 11,5 × 10−6 /°C; o bloco cerâmico, cerca de 9,3 × 10−6 /°C. Como os dois estão 5 °C acima da referência, o efeito não se cancela:
Δ = 100 mm × (11,5 − 9,3) × 10−6 /°C × 5 °C ≈ 0,0011 mm
São 1,1 µm de erro sistemático só pela diferença de material. Há outro efeito, mais traiçoeiro: se o técnico segura o bloco na mão e ele fica 2 °C mais quente que o micrômetro, a diferença é de 100 mm × 11,5 × 10−6 × 2 ≈ 2,3 µm. Para um micrômetro de resolução 0,001 mm, as duas parcelas são do tamanho do erro que se quer medir. Por isso o procedimento manda usar luvas, pinça e um tempo de estabilização com instrumento e padrão juntos sobre a bancada.
Calibração fora do laboratório
Na calibração in loco, o ambiente não é controlado: o laboratório registra as condições reais e aumenta a parcela de incerteza correspondente. O registro precisa vir de um termo-higrômetro calibrado, posicionado perto do ponto de medição, e não do ar-condicionado da sala.
Erros comuns
- Repetir 23 °C e 50 % em todos os certificados. Valor que nunca varia indica que ninguém está lendo o instrumento.
- Calibrar o instrumento que acabou de chegar da área quente, sem esperar a estabilização.
- Esquecer que o certificado vale para as condições da calibração. Um transmissor calibrado a 23 °C e instalado ao lado de um forno a 45 °C tem um efeito de temperatura que precisa entrar na incerteza de medição de uso.
No Sismetro, a emissão de certificado pede as condições ambientais antes do registro das leituras, e elas saem no certificado emitido junto com os resultados por ponto. Veja o módulo de calibração e metrologia.
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