Pontos de calibração são os valores da grandeza em que o instrumento é comparado com o padrão durante a calibração. O certificado só informa o erro e a incerteza nesses pontos. Entre eles, o comportamento é estimado por interpolação; fora deles, não há informação nenhuma. Por isso a escolha dos pontos decide se o certificado vai responder à pergunta que a empresa tem.
Como escolher os pontos de calibração
- Parta da faixa de uso, não da faixa de medição nominal do instrumento. Um manômetro de 0 a 16 bar que trabalha entre 6 e 8 bar precisa de informação nessa região.
- Inclua os extremos da faixa de uso e os pontos de trabalho do processo, como o setpoint de controle ou o limite de alarme.
- Distribua o restante para enxergar a linearidade: em instrumentos lineares, é comum usar 5 pontos, como 0, 25, 50, 75 e 100 % da faixa.
- Calibre subindo e descendo em instrumentos sujeitos a histerese, como manômetros e transmissores de pressão.
- Repita as leituras em cada ponto, para que a repetibilidade entre no cálculo da incerteza.
- Escreva os pontos no procedimento e no pedido ao laboratório. Se ninguém pedir, o laboratório usa o padrão dele.
Exemplo: manômetro de ar comprimido
O manômetro de 0 a 16 bar da linha de ar comprimido trabalha entre 6 e 8 bar, com setpoint de 7 bar. O plano padrão do laboratório seria 0, 4, 8, 12 e 16 bar. O plano ajustado ao uso fica 0, 4, 6, 7, 8, 12 e 16 bar, subindo e descendo, com três leituras por ponto. Custa um pouco mais de tempo de bancada e evita um certificado que não diz nada sobre 7 bar.
Se a calibração tivesse só 4 e 8 bar, com erros de +0,04 e +0,08 bar (valores de exemplo), o erro estimado em 6 bar por interpolação linear seria +0,06 bar. Essa estimativa só vale se o manômetro for linear nesse trecho, e é exatamente isso que um ponto a mais em 6 bar confirmaria. Para a incerteza no ponto interpolado, use a maior dos dois pontos vizinhos.
Para montar uma curva de calibração, a lógica é a mesma: pontos suficientes para ver os resíduos e nenhuma extrapolação além do último ponto.
Erros comuns
- Aceitar os pontos padrão do laboratório, quase sempre espalhados pela faixa nominal, sem relação com o uso.
- Calibrar poucos pontos e não perceber não linearidade.
- Calibrar apenas em zero e fundo de escala, e usar o instrumento no meio.
- Pontos sem repetição, o que deixa a repetibilidade de fora da incerteza.
Para exemplos por instrumento, veja calibração de manômetro.
No Sismetro, o modelo de certificado define a quantidade mínima de pontos e de leituras por ponto, e o layout de canais guarda a faixa de calibração de cada tipo de instrumento, o que mantém o mesmo padrão em todas as emissões. Veja o módulo de calibração e metrologia.
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