Material de referência certificado (MRC) é um material suficientemente homogêneo e estável, acompanhado de certificado emitido por produtor competente, que declara um ou mais valores de propriedade com incerteza e rastreabilidade metrológica, obtidos por procedimento válido. Na química analítica e nos laboratórios de ensaio, ele faz o papel que o padrão de massa ou o termômetro de referência fazem na calibração de instrumentos físicos.
A competência dos produtores é avaliada pela ISO 17034. No Brasil, a Cgcre acredita produtores de material de referência segundo essa norma.
MR, MRC e solução “rastreável”
| Tipo | O que garante | Serve para |
|---|---|---|
| Material de referência (MR) | Homogeneidade e estabilidade para a propriedade de interesse | Carta de controle, verificação de rotina |
| MRC | Valor certificado, incerteza e rastreabilidade, com certificado | Calibração de instrumento analítico, estimativa de tendência, validação de método |
| Solução comercial “rastreável” sem certificado completo | Depende do que o documento declara | Só o que o certificado sustentar; sem incerteza, não serve como MRC |
Usos mais comuns na indústria
- Calibrar pHmetro com soluções-tampão certificadas e condutivímetro com soluções de condutividade certificada.
- Verificar a escala de espectrofotômetros com filtros certificados.
- Estimar a tendência de um método de ensaio na validação.
- Servir de item em ensaios de proficiência.
Exemplo: proteína no laticínio
O laboratório de um laticínio quer confirmar que o seu método de proteína não tem tendência significativa. Números de exemplo. Ele analisa um MRC de leite em pó cujo certificado declara 25,4 g/100 g de proteína, com U = 0,4 g/100 g (k = 2). O resultado do laboratório, média de réplicas, é 24,9 g/100 g, com incerteza expandida de 0,5 g/100 g.
A diferença é de −0,5 g/100 g. Para saber se ela é significativa, compara-se com as incertezas combinadas: √(0,5² + 0,4²) = 0,64 g/100 g. Como 0,5 é menor que 0,64, a razão fica em 0,78, abaixo de 1, e a diferença é compatível com as incertezas. O método passa nesse critério, mas a tendência de −0,5 entra no registro e é acompanhada nas próximas análises.
Erros comuns
Usar MRC depois do prazo de validade ou depois de aberto por mais tempo do que o certificado permite; a estabilidade declarada vale nas condições de armazenamento descritas. Tratar um MR sem valor certificado como se fosse MRC. E comprar “padrão analítico” pelo preço, sem conferir se o certificado traz incerteza e rastreabilidade. Na hierarquia de padrões, o MRC ocupa o lugar de referência do laboratório químico, e merece o mesmo controle de validade que um padrão físico.
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