Validação de planilhas e software de calibração é a comprovação documentada de que a ferramenta que calcula erro, incerteza de medição e conformidade entrega o resultado correto para o uso pretendido. Faz-se antes de liberar a ferramenta e de novo a cada mudança de fórmula, versão ou configuração.
A ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 trata disso no controle de dados e gestão da informação (7.11): sistemas usados para coletar, processar, registrar e relatar dados precisam ser validados antes do uso, e alterações precisam ser autorizadas, documentadas e validadas. Uma nota da norma admite que software comercial de uso geral, aplicado dentro da finalidade para a qual foi projetado, seja considerado suficientemente validado. Planilha com fórmula escrita pelo laboratório não se encaixa nessa nota.
Como validar, em linhas gerais
- Descreva o que a ferramenta faz: entradas, fórmulas, saídas e limites (faixa, número de leituras, distribuições aceitas).
- Monte casos de teste com resultado conhecido, calculado à mão ou retirado de exemplos publicados, incluindo valores extremos e situações de borda (uma leitura só, leituras iguais, resolução diferente por ponto).
- Rode os casos, compare com o esperado e defina o critério de aceite (por exemplo, diferença menor que uma unidade na última casa exibida).
- Proteja células com fórmula, controle a versão do arquivo e registre quem aprovou.
- Repita os testes afetados a cada alteração.
Exemplo de caso de teste
Para a combinação de incertezas, um caso simples: incerteza do padrão u1 = 0,5 °C e repetibilidade u2 = 1,2 °C, com coeficientes de sensibilidade iguais a 1. O esperado é uc = √(0,5² + 1,2²) = √1,69 = 1,3 °C. Se a planilha devolver 1,7 °C, ela está somando as parcelas em vez de combiná-las pela raiz da soma dos quadrados. Outro teste útil: resolução de 0,1 °C deve virar incerteza-padrão de 0,1/(2√3) ≈ 0,029 °C, e não 0,1/√3 ≈ 0,058 °C, erro frequente quando se esquece que a meia-largura da distribuição é metade da resolução.
Erros que aparecem em auditoria
- Uso de DESVPAD.P (população) onde deveria ser DESVPAD.A (amostra) no Excel em português; com cinco leituras, a diferença é de cerca de 12 %.
- Fórmula arrastada que perde a referência absoluta e passa a apontar para a linha errada.
- Planilha “validada” em 2019 e editada várias vezes depois, sem novo teste nem controle de versão.
- Arredondamento intermediário que muda o fator de abrangência.
O exemplo resolvido completo de cálculo está em como calcular incerteza de medição, útil como caso de teste. Os riscos de manter o controle em planilha são discutidos em planilha de controle de calibração.
No Sismetro, o cálculo de incerteza do certificado emitido gera memória de cálculo por ponto, com as contribuições, os graus de liberdade efetivos e o fator k, o que permite conferir cada caso de teste contra o cálculo à mão. Veja o módulo de calibração e metrologia.
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