Deriva instrumental (em inglês, drift) é a variação contínua ou incremental da indicação de um instrumento ao longo do tempo, causada por mudanças nas suas próprias características metrológicas (VIM 2012, item 4.21). O VIM deixa claro o que não é deriva: variação da grandeza medida ou efeito de uma grandeza de influência já identificada, como a temperatura ambiente.
De onde vem a deriva
- Eletrônica: envelhecimento de componentes e referências de tensão em transmissores e indicadores.
- Mecânica: fadiga do tubo de Bourdon em manômetros, desgaste de engrenagens, relaxamento de molas.
- Sensores de temperatura: termopares expostos a alta temperatura mudam a composição dos fios e passam a gerar outra tensão.
- Medidas materializadas: massas-padrão ganham ou perdem massa com uso, poeira e limpeza.
A deriva pode afetar o zero (a curva toda se desloca) ou a sensibilidade (o erro cresce ao longo da faixa). Saber qual dos dois está acontecendo indica o tipo de ajuste e, às vezes, a causa. Veja erro de zero.
Como calcular a taxa de deriva
Taxa de deriva = (E2 − E1) / (t2 − t1), usando o erro antes de qualquer ajuste no mesmo ponto de calibração.
Exemplo (valores ilustrativos): um manômetro de 0 a 16 bar da linha de ar comprimido de uma fábrica de embalagens tem EMA de ±0,16 bar. No ponto de 10 bar, os certificados mostram:
| Calibração | Erro (bar) | U (bar) | |E| + U (bar) |
|---|---|---|---|
| 2023 | +0,02 | 0,03 | 0,05 |
| 2024 | +0,06 | 0,03 | 0,09 |
| 2025 | +0,10 | 0,03 | 0,13 |
A taxa é de cerca de +0,04 bar por ano, e a variação de 0,08 bar em dois anos é bem maior do que a incerteza, então a tendência é real. Projetando: |E| + U chega a 0,16 bar quando o erro atingir 0,13 bar, o que leva (0,13 − 0,10)/0,04 ≈ 0,75 ano, ou uns 9 meses. Mantendo o intervalo anual, a próxima calibração provavelmente encontraria o instrumento fora. As saídas são ajustar agora e acompanhar, reduzir o intervalo para seis meses ou trocar o instrumento. Para o método completo, veja periodicidade de calibração: como definir e revisar.
Erros comuns
Perder o “antes do ajuste”. Se o laboratório ajusta o instrumento todo ano e o certificado só traz o resultado depois do ajuste, cada calibração parece perfeita e a deriva fica invisível. Exija os dois resultados.
Confundir salto com deriva. Uma queda, um pico de pressão ou um choque térmico mudam o erro de uma vez. Isso não é deriva e não deve ser projetado para o futuro; pede investigação e, muitas vezes, uma verificação intermediária mais frequente.
Concluir com dois pontos. Duas calibrações dão uma reta, sempre. Com a incerteza de cada uma, pode não haver tendência nenhuma.
No Sismetro, o histórico de cada instrumento guarda os resultados por ponto de todos os certificados, a validade em meses fica no canal e pode ser revisada com base nesse histórico, e a SS de calibração abre antes do vencimento. Mais no módulo de calibração e metrologia.
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