Tolerância de processo é a variação admitida numa característica do produto ou num parâmetro do processo, definida pelos limites de especificação inferior e superior (LIE e LSE). Num eixo especificado como Ø 25,00 ± 0,05 mm, a tolerância é 0,10 mm. É a partir dela que se decide qual instrumento serve para medir aquela característica e qual erro ele pode ter.
Três números que costumam ser confundidos
| Grandeza | Quem define | Exemplo para o eixo |
|---|---|---|
| Tolerância de processo | Engenharia de produto, cliente, regulamento | Ø 25,00 ± 0,05 mm (amplitude 0,10 mm) |
| Variação real do processo (6σ) | O próprio processo, medido por estatística | σ = 0,012 mm, 6σ = 0,072 mm |
| Erro máximo admissível do instrumento | Metrologia ou qualidade, a partir da tolerância | Micrômetro com EMA da ordem de ±0,002 mm |
Com esses números, a capacidade do processo é Cp = 0,10 / 0,072 ≈ 1,39. Se o instrumento errasse ±0,02 mm, boa parte dessa folga desapareceria na medição, e peças boas e ruins começariam a ser confundidas.
Como a tolerância de processo vira requisito do instrumento
- Resolução: a regra dos dez pede resolução de no máximo um décimo da tolerância. Para 0,10 mm, 0,01 mm ou melhor. Um paquímetro de 0,02 mm não atende; um micrômetro de 0,001 mm atende com folga.
- EMA do instrumento: uma prática comum é manter o EMA entre um quarto e um décimo da tolerância. Quanto mais crítica a característica, mais perto do décimo.
- Sistema de medição: o %GRR do Gage R&R por tolerância compara a variação do sistema de medição com LSE − LIE.
- Calibração: a incerteza do laboratório precisa ser pequena perto do EMA, o que se mede pela TUR.
Tolerância de parâmetro de processo
A mesma lógica vale para parâmetros, não só para dimensões. Um forno de tratamento térmico que precisa ficar em 850 ± 10 °C tem tolerância de processo de 20 °C. Se o sensor de controle pode errar ±6 °C, sobram só ±4 °C para o forno variar de verdade, e o operador vai brigar com alarmes sem entender por quê. O requisito do sensor nasce da tolerância do forno, não do catálogo do fabricante.
Erro comum
Usar a tolerância do desenho para aprovar o instrumento. É o caso do paquímetro aprovado com erro de 0,04 mm porque “a peça tem ±0,05”. O instrumento passa a consumir 80 % da semitolerância, e a inspeção vira sorteio. O segundo erro é o inverso: exigir do instrumento uma tolerância mais apertada do que o processo precisa, o que encarece a calibração e aumenta reprovações sem ganho real.
Para transformar a tolerância em critério escrito por instrumento, veja critério de aceitação na calibração.
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