O Pareto de falhas é um gráfico de barras que ordena as falhas (por equipamento, modo de falha ou causa) da maior para a menor em impacto, normalmente horas de parada ou custo, com uma linha de percentual acumulado. Ele mostra onde poucos itens concentram a maior parte do prejuízo, a ideia popularizada como regra 80/20.
O 80/20 não é lei. Às vezes três causas respondem por 60% da parada, às vezes por 90%. O que se repete é que a distribuição quase nunca é uniforme, e o gráfico deixa isso evidente para quem decide onde colocar a engenharia de manutenção.
Como montar um Pareto de falhas
- Escolha o período (um trimestre costuma dar volume suficiente) e o critério de impacto: horas de parada, custo ou perda de produção.
- Agrupe as OS corretivas sempre no mesmo nível: ou por equipamento, ou por modo de falha. Misturar níveis estraga a análise.
- Some o impacto de cada grupo e ordene do maior para o menor.
- Calcule o percentual de cada grupo e o acumulado.
- Ataque os primeiros itens com análise de causa raiz.
Exemplo numa linha de envase de bebidas
Um trimestre com 160 horas de parada não planejada na linha de envase de refrigerante, agrupadas por modo de falha (números de exemplo):
| Modo de falha | Horas | % | % acumulado |
|---|---|---|---|
| Travamento na rotuladora | 56 | 35% | 35% |
| Falha do sensor de nível na enchedora | 40 | 25% | 60% |
| Quebra de corrente do transportador | 24 | 15% | 75% |
| Vazamento na linha de CO₂ | 16 | 10% | 85% |
| Outros (9 modos) | 24 | 15% | 100% |
Dois modos de falha somam 60% da parada. Antes de discutir troca de transportador ou reforma geral da linha, o lugar de começar é a rotuladora e o sensor da enchedora.
O erro mais comum
Montar o Pareto pela quantidade de ocorrências. Vinte paradas de cinco minutos para limpar um sensor parecem piores que uma quebra de redutor de 18 horas, e não são. Use a contagem só como segundo olhar. O outro problema está na origem do dado: se a OS é encerrada com “ajustado” ou “normalizado” no campo de causa, o maior grupo do gráfico vira “outros” e o Pareto não aponta nada. Padronizar a codificação de modos de falha, por exemplo com base na ISO 14224, resolve metade do trabalho.
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