Avaliação de incerteza do Tipo B é a obtenção de uma componente de incerteza por qualquer meio que não seja a análise estatística de leituras repetidas. A informação já existe em algum lugar (certificado do padrão, resolução do display, manual do fabricante, histórico de calibrações) e é convertida em incerteza-padrão. A definição vem do GUM (JCGM 100:2008) e do VIM (JCGM 200:2012).
Como converter em incerteza-padrão
A conversão depende de como a informação foi dada:
- Incerteza expandida com k declarado (certificado): u = U / k.
- Intervalo com probabilidade declarada, sem k: o GUM orienta assumir distribuição normal; para 95 %, u = metade do intervalo / 1,96.
- Limites ±a, sem mais informação (resolução, especificação, estabilidade): distribuição retangular, u = a / √3.
- Limites ±a, com valores mais prováveis no centro: triangular, u = a / √6.
A escolha da distribuição precisa de justificativa; o verbete sobre distribuições de probabilidade na incerteza mostra quando usar cada uma.
Exemplo: termômetro de processo calibrado contra Pt100
Um termômetro de processo é calibrado em banho a 80 °C contra uma termorresistência Pt100 padrão. Componentes Tipo B do lado do padrão:
| Fonte | Informação | Distribuição | u (°C) |
|---|---|---|---|
| Certificado da Pt100 padrão | U = 0,05 °C, k = 2,05 | Normal | 0,05 / 2,05 = 0,024 |
| Deriva do padrão desde a última calibração | ±0,03 °C, pelo histórico de certificados | Retangular | 0,03 / √3 = 0,017 |
| Resolução do indicador do padrão | 0,01 °C (a = 0,005 °C) | Retangular | 0,005 / √3 = 0,0029 |
A resolução do indicador do padrão quase não pesa. A deriva, que muita planilha esquece, vale mais de dois terços da incerteza do certificado. Ela só aparece quando alguém olha o histórico de certificados do padrão, o que reforça a importância de guardar todos eles.
Graus de liberdade de uma componente Tipo B
É comum tratar componentes Tipo B como tendo infinitos graus de liberdade. O GUM oferece uma estimativa quando há dúvida sobre a própria incerteza: ν ≈ ½ · (Δu/u)−2, em que Δu/u é a incerteza relativa estimada de u. Se você confia na componente com cerca de 25 % de dúvida, ν ≈ 8; com 10 %, ν ≈ 50.
Erros comuns
- Usar a U do certificado do padrão sem dividir pelo k.
- Pegar o k de outro certificado ou assumir k = 2 quando o certificado declara outro valor.
- Usar a exatidão do fabricante como componente quando o instrumento já foi calibrado e corrigido. Nesse caso a fonte é a incerteza da calibração, não a especificação genérica.
- Contar a mesma fonte duas vezes (por exemplo, resolução dentro da repetibilidade e de novo como item separado, sem justificar).
Para comparar com a avaliação Tipo A e ver mais exemplos de fontes, leia incerteza tipo A e tipo B.
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