Periodicidade de calibração é o intervalo entre duas calibrações de um instrumento, em tempo ou em uso. Ela é definida e justificada pela empresa que usa o instrumento, com base em risco, intensidade de uso e histórico de resultados. Nem a ABNT NBR ISO/IEC 17025 nem o laboratório fixam esse prazo: a 17025, inclusive, diz que o Certificado de calibração não deve trazer recomendação de intervalo, salvo se combinado com o cliente.
A ABNT NBR ISO 9001:2015 segue a mesma lógica: quando a rastreabilidade é requisito, os recursos de medição devem ser calibrados ou verificados em intervalos especificados, ou antes do uso. Quem especifica é a organização.
O que considerar para definir o intervalo
- Criticidade da medição: instrumento que libera produto ou protege pessoas merece intervalo menor.
- Intensidade e condições de uso: vibração, temperatura, umidade, sobrepressão, quedas.
- Folga entre o desempenho e o critério: instrumento que usa 80 % da tolerância precisa de mais atenção do que um que usa 20 %.
- Histórico de certificados: a tendência do erro ao longo do tempo é o dado mais valioso.
- Recomendação do fabricante: ponto de partida, não regra.
- Verificações intermediárias: checagens frequentes permitem intervalos de calibração maiores com risco controlado.
O guia ILAC-G24:2022 / OIML D 10:2022, publicado em conjunto pela ILAC e pela OIML, trata da determinação de intervalos de recalibração. Entre os métodos que esse tipo de guia descreve estão o ajuste em escada (amplia o intervalo quando o instrumento passa e reduz quando falha), as cartas de controle com o resultado de cada calibração e o intervalo por tempo de uso.
Exemplo: lendo a tendência dos certificados
Um termômetro de controle de pasteurização tem tolerância de ±0,5 °C e é calibrado uma vez por ano. A incerteza da calibração é 0,10 °C. O histórico (valores de exemplo):
| Ano | Erro | |E| + U | Uso da tolerância |
|---|---|---|---|
| 1 | +0,10 °C | 0,20 °C | 40 % |
| 2 | +0,16 °C | 0,26 °C | 52 % |
| 3 | +0,23 °C | 0,33 °C | 66 % |
| 4 | +0,29 °C | 0,39 °C | 78 % |
O erro cresce cerca de 0,06 °C por ano, sempre no mesmo sentido. Se a tendência continuar, no ano 5 a soma ficaria perto de 0,45 °C e no ano 6, acima de 0,5 °C. As saídas são reduzir o intervalo para seis meses, ajustar o instrumento na próxima calibração e passar a verificar mensalmente num ponto de referência. Ao contrário, uma balança que em quatro anos nunca passou de 25 % da tolerância, com verificação semanal estável, é candidata a ir de 12 para 18 meses.
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Metrologia legal é outra conversa
Instrumentos regulamentados, como balanças usadas no comércio e bombas medidoras de combustível, seguem as verificações metrológicas previstas no regulamento técnico de cada tipo, feitas pelos órgãos da RBMLQ-I. Esse prazo não é escolha da empresa e não substitui a calibração interna quando o processo exige mais do que o regulamento.
O erro mais comum
Definir 12 meses para tudo e nunca revisar. O intervalo único parece simples, mas calibra demais o que é estável e de menos o que deriva. O segundo erro é deixar o certificado vencer porque a SS de calibração foi aberta no dia do vencimento, com o instrumento ainda em uso e o laboratório com fila de duas semanas.
No Sismetro, a periodicidade é a validade em meses de cada canal: a data da calibração gera a data de vencimento automaticamente, a listagem mostra por cores quanto falta para vencer, e a SS de calibração pode ser aberta sozinha um número configurado de dias antes do vencimento. O histórico de certificados por canal facilita a análise de tendência. Veja no módulo de calibração e metrologia.
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