Análise de impacto de instrumento reprovado é a avaliação de quais medições, lotes ou produtos podem ter sido afetados quando um instrumento é encontrado fora do critério de aceitação. A ABNT NBR ISO 9001:2015, no item 7.1.5.2, pede que a organização verifique se a validade dos resultados anteriores foi comprometida e tome as ações adequadas. A IATF 16949 vai além e pede avaliação de risco e comunicação ao cliente quando produto suspeito já foi expedido.
Passo a passo
- Retirar de uso e identificar o instrumento como bloqueado.
- Obter o resultado antes do ajuste. Sem o erro encontrado na chegada ao laboratório, não há análise possível.
- Definir o período: desde a última calibração aprovada ou, se houver, a última verificação intermediária aprovada.
- Listar o que foi medido nesse período: lotes, inspeções, ordens de produção, registros de processo.
- Recalcular: corrigir as medições pelo erro encontrado e comparar com a tolerância de processo.
- Decidir e registrar: sem impacto, com a justificativa documentada; ou com impacto, abrindo não conformidade, segregando ou recolhendo lotes e comunicando o cliente quando aplicável.
- Rever a periodicidade e a necessidade de verificação intermediária.
Exemplo: paquímetro na inspeção final
Um paquímetro é usado para liberar pinos de Ø 30,00 ± 0,10 mm. Na calibração anual, o laboratório encontra erro de +0,06 mm na região de 30 mm, antes do ajuste (valores de exemplo). O instrumento lia 0,06 mm a mais, então o valor real de cada peça era cerca de 0,06 mm menor que o registrado.
| Leitura registrada | Valor real estimado | Situação |
|---|---|---|
| 29,90 a 29,95 mm (aprovada) | 29,84 a 29,89 mm | Abaixo do LIE: peça ruim aprovada |
| 29,96 a 30,10 mm (aprovada) | 29,90 a 30,04 mm | Dentro da tolerância |
| 30,11 a 30,16 mm (reprovada) | 30,05 a 30,10 mm | Peça boa reprovada, só custo |
A análise se concentra nos lotes com leituras entre 29,90 e 29,95 mm. Se os registros mostram que três lotes tiveram peças nessa faixa, são esses três que vão para avaliação, não a produção do ano inteiro. A incerteza da calibração e da própria medição também entra na conta: perto das bordas da faixa suspeita, a decisão pede alguma margem.
Por que o registro faz diferença
O exemplo só funciona porque as leituras foram anotadas. Se a inspeção registrou apenas “OK”, não há como separar o lote suspeito do bom, e tudo o que foi medido desde a última calibração aprovada passa a ser suspeito. É o argumento mais forte para registrar valores, não só aprovado ou reprovado.
Erro comum
Mandar ajustar sem pedir o resultado antes do ajuste. O certificado volta bonito, só com o “depois”, e a análise de impacto fica impossível. Outro erro é concluir “sem impacto” sem fazer conta nenhuma, só porque ninguém reclamou.
No Sismetro, a reprovação do certificado fica no histórico do instrumento e a nova SS de calibração pode chegar ao técnico com o roteiro do Playbook, que inclui retirar de uso, avaliar e devolver ao uso. Veja o módulo de calibração e metrologia.
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