Solicitação de serviço (SS) é o pedido formal que alguém da operação faz à manutenção para relatar um problema ou pedir uma intervenção num equipamento. Ela ainda não é trabalho autorizado: só vira ordem de serviço depois que o PCM ou o supervisor avalia, prioriza e aprova.
A separação existe por um motivo bem prático. Quem está na linha enxerga o sintoma (barulho no redutor, vazamento na válvula, esteira puxando para um lado), mas não tem como decidir se aquilo entra hoje, amanhã ou só na próxima parada. A SS registra o que foi visto. A OS registra o que a manutenção decidiu fazer, com quem, com quais peças e em quanto tempo.
Como funciona o fluxo da SS
O fluxo típico tem cinco passos:
- O operador abre a SS indicando o equipamento, o sintoma e, se der, uma foto.
- O PCM faz a triagem: é duplicada? É mesmo manutenção ou é ajuste da própria operação?
- A prioridade é definida cruzando a urgência relatada com a criticidade do ativo.
- A SS é convertida em OS ou recusada, com a justificativa registrada.
- Depois que a OS é executada, o solicitante recebe o retorno.
Um número que mostra se o processo está saudável é o tempo médio entre a abertura da SS e a emissão da OS. Exemplo: se no mês entraram 180 SS e a soma dos tempos de triagem deu 540 horas, a média é de 3 horas. Quando essa média passa de dois dias, a produção desiste de abrir SS e volta a chamar o mecânico no corredor, e aí o histórico some.
Exemplo na desossa
Num frigorífico, o encarregado da desossa percebe que a serra de fita está vibrando mais que o normal. Ele abre a SS pelo celular, identifica a serra pelo QR Code e anexa um vídeo curto. O PCM vê que a serra é classe A (sem ela a mesa para) e que o turno da noite já tinha aberto outra SS sobre o mesmo ruído. Junta as duas, gera uma OS de inspeção do volante e dos rolamentos e programa para o intervalo do almoço. No Sismetro, esse caminho da SS até a OS fica no histórico do ativo, o que ajuda depois a ver quantas vezes o mesmo sintoma voltou.
O erro mais comum é transformar toda SS em OS automaticamente. Parece mais ágil, mas o backlog incha com pedidos duplicados, serviços que eram da operação e itens sem informação suficiente para executar. A fila fica enorme, ninguém confia nela e a prioridade passa a ser de quem reclama mais alto.
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