A Rede Brasileira de Calibração (RBC) é o conjunto de laboratórios de calibração acreditados pela Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro (Cgcre) segundo a ABNT NBR ISO/IEC 17025. O Inmetro mantém uma base de dados pública desses laboratórios no portal gov.br/inmetro, onde é possível consultar quem é acreditado e para quê. A rede equivalente para laboratórios de ensaio é a RBLE (Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaio).
Ser “RBC” não é um título geral. A acreditação vale para um escopo: as grandezas, faixas, métodos e menores incertezas que o laboratório comprovou conseguir entregar. Um laboratório pode ser acreditado em pressão e não em temperatura, ou em temperatura só de 0 a 300 °C.
Como ler o escopo de acreditação
| Campo do escopo | O que significa | O que conferir |
|---|---|---|
| Grandeza e instrumento | O que o laboratório calibra (ex.: manômetros, termômetros de resistência, balanças) | Se o seu tipo de instrumento está listado |
| Faixa | Os limites em que a acreditação vale | Se cobre toda a faixa de uso, incluindo pontos frios ou altos |
| CMC (capacidade de medição e calibração) | A menor incerteza que o laboratório pode declarar naquela faixa | Se é compatível com a tolerância do seu instrumento |
| Local | Nas instalações do laboratório ou nas do cliente | Se a calibração em campo, quando necessária, está acreditada |
A CMC é o melhor caso. A incerteza do seu certificado será igual ou maior, porque inclui a contribuição do seu instrumento (resolução, repetitividade, histerese).
Por que a RBC importa para a indústria
Um certificado emitido dentro do escopo acreditado já traz a competência do laboratório avaliada pela Cgcre e uma cadeia de Rastreabilidade metrológica reconhecida. A empresa não precisa auditar o laboratório para provar isso. A Cgcre é signatária dos acordos de reconhecimento mútuo da ILAC e da IAAC, o que facilita a aceitação desses certificados por clientes de outros países. Por isso, muitos clientes, auditorias e normas setoriais pedem calibração em laboratório acreditado para instrumentos críticos e, principalmente, para os padrões da empresa.
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Exemplo: escolhendo o laboratório certo
Uma indústria de laticínios precisa calibrar termômetros usados de −20 a 90 °C, com tolerância de ±0,5 °C. Três laboratórios respondem à cotação (situação de exemplo):
| Laboratório | Escopo acreditado em temperatura | CMC | Serve? |
|---|---|---|---|
| A | 0 a 600 °C | 0,05 °C | Não cobre os pontos negativos |
| B | Sem acreditação em temperatura (acreditado só em pressão) | Não se aplica | O certificado de temperatura sai sem selo |
| C | −40 a 150 °C | 0,03 °C | Sim, com folga para a tolerância |
O laboratório B pode até fazer um bom trabalho, mas o certificado de temperatura dele não tem a acreditação, e a empresa teria que comprovar a rastreabilidade por conta própria.
O erro mais comum
Conferir que o laboratório “é RBC” e não olhar o escopo. Acontece muito com laboratórios que têm acreditação em uma grandeza e vendem calibração de várias. Outro descuido é não checar a situação da acreditação na data da calibração: ela pode ter sido suspensa ou o escopo reduzido. Vale também confirmar se o certificado traz o símbolo de acreditação naquele serviço, porque é ele que indica que a calibração foi feita dentro do escopo.
No Sismetro, o certificado recebido de laboratório externo fica ligado à SS e ao instrumento, com fornecedor, número, resultados e PDF. Para laboratórios que emitem certificados pela plataforma, o modelo tem campo de acreditação RBC/Inmetro com upload do selo e define se assina o responsável técnico ou o signatário autorizado. Mais no módulo de calibração e metrologia.
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