FMEA (Failure Mode and Effects Analysis, ou análise de modos e efeitos de falha) é um método estruturado para levantar de que formas um equipamento ou processo pode falhar, quais os efeitos e as causas de cada falha e quais ações devem ser priorizadas para evitá-las ou reduzir seu impacto. Quando a análise inclui uma avaliação formal de criticidade, costuma ser chamada de FMECA.
Em manutenção, a FMEA é feita por equipamento ou sistema, com gente de operação, manutenção e engenharia. Para cada componente, a equipe pergunta: como isso falha? O que acontece quando falha? Por que falha? Como percebemos antes?
Como funciona a priorização (NPR)
A forma tradicional de priorizar é o Número de Prioridade de Risco:
NPR = Severidade × Ocorrência × Detecção
Cada fator recebe nota de 1 a 10. Severidade alta é falha grave; ocorrência alta é falha frequente; detecção alta significa que é difícil perceber a falha antes que ela aconteça. O NPR vai de 1 a 1.000.
Exemplo com uma bomba de caldo de usina:
| Modo de falha | S | O | D | NPR |
|---|---|---|---|---|
| Vazamento no selo mecânico | 6 | 7 | 4 | 168 |
| Travamento do rolamento | 8 | 4 | 3 | 96 |
| Ruptura do acoplamento | 8 | 2 | 6 | 96 |
| Entupimento do rotor por bagacilho | 5 | 5 | 3 | 75 |
O selo aparece no topo. A ação pode ser trocar o tipo de selo, melhorar a água de selagem ou incluir inspeção de vazamento na rota do operador.
Cuidado com o NPR
Repare nas duas linhas com NPR 96. O travamento do rolamento é mais frequente e fácil de detectar; a ruptura do acoplamento é rara, mas chega sem aviso. O mesmo número esconde riscos de natureza diferente. A tentação é ordenar a planilha pelo NPR e trabalhar de cima para baixo, ignorando modos com severidade 9 ou 10 (risco à pessoa ou ao meio ambiente) só porque a ocorrência é baixa. Por isso a edição de 2019 do manual AIAG-VDA, usado no setor automotivo, trocou o NPR pela chamada Prioridade de Ação, que dá peso maior à severidade. Na manutenção, a regra prática é simples: severidade alta sempre ganha ação, qualquer que seja o NPR.
Outro problema frequente é fazer a FMEA uma vez, arquivar e nunca mais abrir. Ela precisa ser revisada quando o histórico de falhas mostra algo que a análise não previu.
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