Lubrificação industrial é o conjunto de práticas para aplicar o lubrificante correto, na quantidade e no intervalo certos, em rolamentos, engrenagens, correntes, cilindros e sistemas hidráulicos, reduzindo atrito, desgaste e temperatura. É uma das tarefas mais simples da manutenção e uma das que mais derrubam equipamento quando feita de qualquer jeito.
Uma forma conhecida de resumir a prática são os 5 certos: lubrificante certo, quantidade certa, ponto certo, momento certo e método certo. Errar qualquer um deles anula os outros quatro.
Quanto de graxa vai num rolamento?
Uma referência prática usada pelos fabricantes de rolamentos para a quantidade de relubrificação é:
G = 0,005 × D × B, com G em gramas, D = diâmetro externo e B = largura do rolamento, ambos em milímetros.
Exemplo: um rolamento autocompensador de rolos 22220 tem D = 180 mm e B = 46 mm. Então G = 0,005 × 180 × 46 ≈ 41 g. Agora vem a parte que quase ninguém faz: descobrir quanto a sua graxeira entrega por bombada. Pese 10 bombadas numa balança e divida por 10. Se cada bombada dá 1,5 g, são perto de 28 bombadas, e não as “três ou quatro” que o lubrificador costuma dar no automático. O inverso também acontece, com mancal recebendo graxa até sair pelo retentor.
Já no óleo, a escolha começa pela viscosidade (grau ISO VG) indicada pelo fabricante do equipamento para a temperatura de trabalho. Nas graxas, a consistência é dada pelo grau NLGI, e o tipo de espessante importa: graxas com espessantes diferentes nem sempre são compatíveis entre si.
Na indústria de alimentos e no agro
Em frigoríficos e fábricas de alimentos, pontos com risco de contato incidental com o produto pedem lubrificante de grau alimentício (registro NSF H1), e a lavagem frequente com água quente e detergente remove graxa mais rápido, o que encurta os intervalos. Nas usinas, mancais de moenda e engrenagens abertas trabalham com carga alta, poeira e caldo, e a lubrificação mal feita aparece rápido na temperatura dos mancais.
O erro mais comum é excesso de graxa. Rolamento cheio demais aquece por agitação, a graxa degrada e o retentor estoura. O segundo é misturar produtos: o lubrificador usa a graxa que estiver mais perto, sem conferir se é compatível com a que já está no mancal. Identificar cada ponto com o lubrificante correto e registrar a quantidade na rota resolve boa parte disso.
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