CMC (Capacidade de Medição e Calibração)

CMC é a menor incerteza que um laboratório acreditado declara numa calibração de rotina. Veja por que o certificado sai com incerteza maior que a CMC.

CMC (Capacidade de Medição e Calibração) é a menor incerteza de medição que um laboratório consegue obter numa calibração de rotina, oferecida aos clientes em condições normais, para um serviço e uma faixa específicos. Ela aparece no escopo de acreditação expressa como incerteza expandida, com probabilidade de abrangência de cerca de 95 %. Nos institutos nacionais de metrologia, as CMCs reconhecidas internacionalmente são publicadas no banco de dados KCDB, do BIPM.

Em documentos antigos aparece a expressão “melhor capacidade de medição”. O conceito atual, adotado pela política ILAC P14, é a CMC.

Como a CMC é expressa

  • Valor absoluto: 0,03 °C em toda a faixa.
  • Valor relativo: 0,02 % do valor medido.
  • Fórmula, quando a incerteza varia com o valor: por exemplo, 0,05 °C + 0,0002·t, com t em graus Celsius.
  • Tabela por faixa, com valores diferentes em cada trecho.

Exemplo: da CMC à incerteza do certificado

Um laboratório tem no escopo a calibração de termômetros de −40 °C a 250 °C com CMC de 0,03 °C (k = 2). Uma indústria de bebidas envia um termômetro digital com resolução de 0,1 °C. Números de exemplo, num ponto de 80 °C:

Componente Incerteza-padrão
Laboratório, a partir da CMC: 0,03 / 2 0,015 °C
Resolução do termômetro: 0,1 / (2√3) 0,029 °C
Repetitividade das leituras 0,030 °C
Combinada: √(0,015² + 0,029² + 0,030²) 0,044 °C

Com k = 2, a incerteza expandida fica em cerca de 0,09 °C, três vezes a CMC. Não há nada de errado nisso: quem mais pesa no resultado é o próprio termômetro, não o laboratório. A conta é uma simplificação (o orçamento real tem mais componentes), mas mostra a lógica.

Para que a CMC serve na hora de contratar

Ela é o primeiro filtro. Se a CMC já é grande demais para a tolerância do seu instrumento, nenhum certificado daquele laboratório vai servir. Uma prática comum é comparar a tolerância com a incerteza esperada no certificado, e não com a CMC, usando a TUR (relação de incerteza de teste). No exemplo, uma tolerância de ±0,5 °C contra U ≈ 0,09 °C dá uma relação de cerca de 5,6 para 1.

Erros comuns

Escolher laboratório pela CMC mais baixa sem olhar o seu instrumento. Se a resolução do termômetro é 0,1 °C, a diferença entre uma CMC de 0,01 °C e uma de 0,03 °C quase não aparece no certificado. O sinal de alerta é o contrário: incerteza no certificado menor que a CMC do escopo, o que a política de incerteza não permite em resultado acreditado. A conferência na prática está em consulta RBC.

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