Os 5 porquês são uma técnica de análise de causa raiz em que se pergunta “por quê?” sucessivamente sobre um problema, usando cada resposta como ponto de partida da pergunta seguinte, até chegar a uma causa sobre a qual dá para agir. A técnica nasceu na Toyota e foi popularizada por Taiichi Ohno no Sistema Toyota de Produção.
É a ferramenta de ACR mais simples que existe, e por isso mesmo é a mais mal usada. Funciona bem para falhas com uma cadeia de causas relativamente linear. Para problemas com várias causas simultâneas, vale levantar as hipóteses antes num diagrama de Ishikawa.
Exemplo: elevador de canecas numa cooperativa
Em plena safra de soja, o elevador de canecas principal parou com a correia rompida.
- Por que parou? A correia rompeu.
- Por que rompeu? Trabalhou desalinhada e a borda foi cortada na estrutura.
- Por que estava desalinhada? O tambor do pé estava com tensionamento desigual entre os lados.
- Por que o tensionamento estava desigual? O esticador de um lado estava travado por acúmulo de grão e poeira.
- Por que havia acúmulo? A limpeza do pé do elevador não estava em nenhum plano; era feita “quando dava”.
A ação deixa de ser “trocar a correia” (que resolve só hoje) e passa a ser incluir limpeza e inspeção do pé do elevador na preventiva semanal durante a safra, com verificação do esticador. Se a cadeia tivesse parado no segundo porquê, a cooperativa teria comprado uma correia mais resistente e o problema voltaria.
Onde a técnica costuma falhar
Na qualidade das respostas. Cada porquê precisa ser respondido com um fato verificado no campo (a correia foi vista, o esticador foi testado), e não com um palpite da sala de reunião. Outro desvio frequente é a cadeia virar caça ao culpado: “porque o mecânico foi descuidado” não é causa raiz, é o começo de outro porquê (por que o descuido foi possível?). E quando uma pergunta tem duas respostas verdadeiras, abra dois ramos em vez de escolher uma.
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