Inspeção sensitiva é a verificação do estado de um equipamento feita com os sentidos do inspetor (visão, audição, tato e olfato), às vezes com apoio de instrumentos simples, como estetoscópio mecânico ou termômetro infravermelho de mão. O objetivo é perceber sinais de degradação, como ruído diferente, aquecimento, vazamento ou folga, antes que eles virem parada.
É a forma mais barata de acompanhar a condição dos ativos e, por isso, a mais usada. Não exige sensor nem especialista em preditiva, mas exige método. Uma inspeção sensitiva que funciona tem quatro coisas definidas:
- Rota: a sequência de equipamentos e pontos, na ordem em que o inspetor anda pela planta.
- O que observar em cada ponto: “temperatura do mancal ao toque”, “gotejamento no selo”, “ruído do redutor”, e não um genérico “verificar bomba”.
- Critério de normal e anormal: foto de referência, faixa de temperatura, nível mínimo no visor.
- Destino da anomalia: o que foi encontrado vira solicitação de serviço com prioridade, e não comentário no grupo do celular.
Exemplo numa fábrica de ração
Pense numa fábrica de ração com duas peletizadoras, um moinho de martelos e uma dúzia de transportadores. O mecânico faz uma rota de 40 minutos no começo de cada turno. Num dia, percebe que o mancal do lado acoplado da peletizadora 2 está mais quente que o do lado oposto e que há um chiado novo. Mede com o termômetro de mão: 78 °C contra 55 °C (números de exemplo). Abre a solicitação, a lubrificação é conferida no mesmo turno e a troca do rolamento entra na programação da parada de sábado. Sem a rota, esse rolamento provavelmente seria descoberto travado, no meio da produção.
Na curva P-F, a inspeção sensitiva pega o problema mais tarde que a análise de vibração ou a termografia, porque os sentidos só percebem a degradação quando ela já está avançada. Mesmo assim, costuma dar dias de aviso, e isso basta para transformar muita corretiva emergencial em corretiva planejada.
O erro mais comum
O checklist que só tem “OK”. Quando a folha de inspeção tem 60 itens de marcar e nenhum critério, o inspetor marca tudo de uma vez, às vezes sem sair da oficina. Duas pistas de que isso está acontecendo: semanas seguidas sem nenhuma anomalia registrada e rotas concluídas em tempo impossível. Menos itens, critério claro e registro de leitura ou foto em campo resolvem boa parte do problema. Um checklist digital que funciona offline, como o do Sismetro, ajuda porque grava a hora e a evidência de cada ponto mesmo onde não há sinal.
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