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VIM: termos essenciais do vocabulário de metrologia

O VIM, Vocabulário Internacional de Metrologia, é o documento que define os conceitos básicos da metrologia, como medição, erro, incerteza, calibração e rastreabilidade. A edição em vigor é a terceira, publicada pelo JCGM como JCGM 200:2012, e tem versão luso-brasileira editada pelo Inmetro, o VIM 2012.

Encontrou um termo técnico? O glossário de calibração de A a Z explica mais de 100 termos, de incerteza e RBC a TUR, EMA e regra de decisão.

Resumo rápido

  • O VIM é a referência de vocabulário da ABNT NBR ISO/IEC 17025, do GUM e dos documentos da Cgcre. Quando um auditor pergunta “o que é calibração?”, a resposta esperada é a do VIM.
  • Ele tem cinco capítulos: grandezas e unidades, medições, dispositivos de medição, propriedades dos dispositivos e padrões.
  • Os termos mais citados em certificados estão no capítulo 2: erro (2.16), incerteza (2.26), fator de abrangência (2.38), calibração (2.39) e rastreabilidade metrológica (2.41).
  • “Aferição” não é termo do VIM. Na maioria dos casos, quem fala aferição quer dizer calibração ou verificação.
  • Exatidão é um conceito qualitativo; o número que descreve a qualidade de uma calibração é a incerteza.

O que é o VIM e quem publica?

O VIM é preparado pelo Joint Committee for Guides in Metrology (JCGM), que reúne o BIPM e organizações internacionais como ISO, IEC, ILAC e OIML. A terceira edição saiu em 2008 e foi republicada em 2012 com pequenas correções. O texto em inglês e francês está disponível gratuitamente no site do BIPM, como JCGM 200:2012. A versão em português, chamada de 1ª edição luso-brasileira e adotada no Brasil pela Portaria Inmetro nº 232/2012, pode ser baixada no portal do Inmetro: VIM 2012.

A numeração dos itens é a mesma nas versões. Por isso, citar “VIM 2.39” num procedimento identifica o conceito sem ambiguidade, em qualquer idioma. Atenção a procedimentos antigos: a numeração mudou em relação ao VIM de 1995, e o VIM 2012 mostra o número antigo entre parênteses, como em “2.26 (3.9)” para incerteza de medição.

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Como o VIM está organizado?

Capítulo Assunto Exemplos de termos
1 Grandezas e unidades Grandeza, unidade de medida, Sistema Internacional de Unidades
2 Medição Mensurando, erro, incerteza, calibração, rastreabilidade, verificação
3 Dispositivos de medição Instrumento de medição, sensor, ajuste
4 Propriedades dos dispositivos de medição Resolução, deriva, classe de exatidão, erro máximo admissível
5 Padrões de medição Padrão primário, padrão de referência, padrão de trabalho, material de referência

Quais são os termos de medição e resultado?

São os conceitos que descrevem o que se mede e o quanto o resultado se afasta da referência. As definições abaixo são resumos com palavras nossas; para citação formal, use o texto do VIM.

Termo Item Em resumo Na calibração
Medição 2.1 Processo de obter experimentalmente valores atribuíveis a uma grandeza Cada leitura do padrão e do instrumento
Mensurando 2.3 A grandeza que se quer medir Ex.: pressão na tomada do manômetro, a 20 °C
Valor verdadeiro 2.11 Valor coerente com a definição da grandeza; em geral, inacessível Conceito teórico, nunca aparece no certificado
Valor convencional 2.12 Valor atribuído por acordo para um dado propósito O valor do padrão, chamado no Brasil de VVC
Exatidão 2.13 Proximidade entre valor medido e valor verdadeiro; não é número Qualidade geral, descrita por erro e incerteza
Veracidade 2.14 Proximidade entre a média de muitas medições e um valor de referência Ligada à tendência
Precisão 2.15 Proximidade entre leituras repetidas Expressa como desvio-padrão
Erro de medição 2.16 Valor medido menos o valor de referência Coluna de erro, por ponto
Erro sistemático 2.17 Parcela do erro que se repete ou varia de forma previsível O que a correção compensa
Tendência 2.18 Estimativa do erro sistemático Média do instrumento menos referência
Erro aleatório 2.19 Parcela do erro que varia de forma imprevisível Gera a dispersão das leituras
Repetibilidade 2.21 Precisão nas mesmas condições, em curto intervalo Componente tipo A do orçamento
Reprodutibilidade 2.25 Precisão com mudança de local, operador ou sistema Comparações entre laboratórios
Correção 2.53 Compensação de um efeito sistemático estimado Erro com o sinal trocado

A diferença entre erro e incerteza, que é a dúvida mais frequente desse grupo, tem um artigo próprio: erro e incerteza de medição.

Quais são os termos de incerteza?

Termo Item Em resumo
Incerteza de medição 2.26 Parâmetro não negativo que caracteriza a dispersão dos valores atribuídos ao mensurando
Avaliação do tipo A 2.28 Avaliação por análise estatística de valores medidos
Avaliação do tipo B 2.29 Avaliação por outros meios: certificado, especificação, experiência
Incerteza-padrão 2.30 Incerteza expressa como desvio-padrão
Incerteza-padrão combinada 2.31 Incerteza-padrão do resultado, obtida das incertezas das entradas
Balanço de incerteza 2.33 Declaração das componentes, de seu cálculo e combinação (o “orçamento”)
Incerteza expandida 2.35 Produto da incerteza combinada por um fator maior que 1
Intervalo de abrangência 2.36 Intervalo que contém o valor verdadeiro com uma probabilidade declarada
Probabilidade de abrangência 2.37 Probabilidade associada ao intervalo, como 95,45 %
Fator de abrangência 2.38 O k que multiplica a incerteza combinada

O cálculo de cada um está em incerteza combinada e incerteza tipo A e tipo B.

Calibração, verificação, ajuste e rastreabilidade: o que o VIM diz?

É o grupo que mais gera confusão na indústria, porque as palavras se misturam no dia a dia.

  • Calibração (2.39): operação em duas etapas. Primeiro, estabelece a relação entre os valores dos padrões, com suas incertezas, e as indicações do instrumento. Depois, usa essa relação para obter um resultado a partir de uma indicação. A calibração não inclui ajuste.
  • Hierarquia de calibração (2.40): sequência de calibrações de uma referência até o sistema de medição final.
  • Rastreabilidade metrológica (2.41): propriedade de um resultado que pode ser relacionado a uma referência por uma cadeia documentada e ininterrupta de calibrações, cada uma contribuindo para a incerteza. Explicada em detalhe em rastreabilidade metrológica.
  • Cadeia de rastreabilidade (2.42): a sequência de padrões e calibrações usada para chegar à referência.
  • Verificação (2.44): fornecimento de evidência objetiva de que um item atende a requisitos especificados, como um erro máximo admissível.
  • Validação (2.45): verificação de que requisitos especificados são adequados para um uso pretendido.
  • Ajuste de um sistema de medição (3.11): conjunto de operações para que o sistema forneça indicações prescritas. Depois de um ajuste, é preciso calibrar de novo.

As consequências práticas dessas diferenças, com um exemplo de balança, estão em calibração, verificação e ajuste.

Quais termos descrevem os instrumentos e os padrões?

Termo Item Uso típico
Intervalo de medição 4.7 Faixa em que o instrumento atende às especificações
Resolução 4.14 Menor variação que causa mudança perceptível na indicação; entra como componente tipo B
Estabilidade 4.19 Capacidade de manter propriedades metrológicas ao longo do tempo
Deriva instrumental 4.21 Variação contínua ou incremental da indicação ao longo do tempo; base para rever a periodicidade
Classe de exatidão 4.25 Grupo de instrumentos com os mesmos requisitos, como manômetros de classe 1,0
Erro máximo admissível 4.26 Valor extremo de erro aceito por especificação ou regulamento
Padrão de medição 5.1 Realização de uma grandeza com valor e incerteza declarados, usada como referência
Padrão primário 5.4 Estabelecido por procedimento primário, sem referência a outro padrão da mesma grandeza
Padrão de referência 5.6 Usado para calibrar outros padrões numa organização
Padrão de trabalho 5.7 Usado rotineiramente para calibrar ou verificar instrumentos
Material de referência 5.13 Material homogêneo e estável para uma propriedade, comum em química e ensaios

Como organizar padrões de referência e de trabalho na prática está em gestão de padrões de calibração.

Que termos usados no Brasil não estão no VIM?

  • Aferição. Termo antigo, ainda comum em pedidos de compra. Não existe no VIM atual. Pergunte ao fornecedor se o serviço é calibração (com erro e incerteza no certificado) ou verificação (conforme ou não conforme).
  • VVC (valor verdadeiro convencional). Herança de edições anteriores do vocabulário. O VIM 2012 usa valor convencional (2.12) e valor de referência. O uso de VVC em certificado não está errado, mas vale saber a origem.
  • Precisão no sentido de exatidão. “Manômetro com precisão de 1 %” quase sempre quer dizer classe de exatidão ou erro máximo admissível de 1 % do fundo de escala.
  • Tolerância. Palavra corrente na indústria para o limite de aceitação, mas não é um termo definido no VIM. Em procedimentos, prefira erro máximo admissível e diga de onde ele vem.

Exemplo: traduzindo uma especificação de compra

Uma requisição de compra pede: “manômetro de 0 a 10 bar, precisão de 1 %, aferido pelo Inmetro”. Reescrita com o vocabulário do VIM, ela fica assim: “manômetro de 0 a 10 bar, classe de exatidão 1,0 (erro máximo admissível de ±0,1 bar), entregue com certificado de calibração emitido por laboratório acreditado pela Cgcre para pressão nessa faixa”. A segunda versão é verificável. A primeira deixa o fornecedor decidir o que entregar, e o Inmetro raramente é quem calibra instrumentos industriais; quem calibra são os laboratórios da RBC, acreditados por ele.

Como o Sismetro ajuda

O módulo de calibração do Sismetro usa o mesmo vocabulário dos certificados: VVC, valor do instrumento, erro, incerteza expandida, fator de abrangência k, graus de liberdade efetivos e probabilidade de abrangência. As grandezas e unidades são cadastradas no gestor de medidas, e cada canal de instrumento recebe faixa, tolerância e validade em meses. Isso ajuda a manter os registros coerentes com o que a 17025 e o auditor esperam ler. Conheça o módulo de calibração e metrologia, que tem plano grátis para começar.

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Um exercício para a equipe

Separe o procedimento de calibração mais usado na planta e grife cada termo metrológico. Para cada um, confira se o sentido bate com o VIM. Os achados mais comuns são “aferição”, “precisão” no lugar de exatidão e “tolerância” sem origem definida. Corrigir o vocabulário do procedimento costuma resolver metade das discussões em auditoria. Os verbetes curtos de calibração e rastreabilidade metrológica ajudam a padronizar a linguagem.

Para ver esses termos aplicados do começo ao fim de um processo real, siga para o guia de calibração.

Perguntas frequentes

O que é o VIM?

É o Vocabulário Internacional de Metrologia, publicado pelo JCGM, que define os conceitos básicos usados em medição, calibração e incerteza. A edição atual é a JCGM 200:2012, com versão em português publicada pelo Inmetro como VIM 2012.

Onde baixar o VIM em português?

No portal do Inmetro, que disponibiliza o VIM 2012 em PDF gratuitamente. A versão em inglês e francês está no site do BIPM, como JCGM 200:2012.

Qual a definição de calibração no VIM?

Pelo item 2.39, calibração é a operação que estabelece a relação entre os valores dos padrões, com suas incertezas, e as indicações do instrumento, e usa essa relação para obter resultados. A calibração não inclui o ajuste do instrumento.

Aferição e calibração são a mesma coisa?

Não exatamente. Aferição é um termo antigo que não existe no VIM atual. Dependendo de quem usa, significa calibração, com erro e incerteza, ou verificação, com resultado conforme ou não conforme. Em contratos e procedimentos, use os termos do VIM.

Qual a diferença entre padrão de referência e padrão de trabalho?

O padrão de referência (VIM 5.6) é usado para calibrar outros padrões da organização. O padrão de trabalho (VIM 5.7) é usado no dia a dia para calibrar ou verificar instrumentos. O de trabalho é calibrado contra o de referência, que tem incerteza menor.

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