Termografia é a técnica de inspeção que usa uma câmera infravermelha para medir, sem contato, a radiação térmica emitida pelas superfícies e transformá-la numa imagem de temperaturas, o termograma. Na manutenção, ela serve para achar aquecimento anormal antes que vire falha: conexão elétrica frouxa, fase desequilibrada, mancal com lubrificação deficiente, isolamento térmico danificado, purgador travado.
Como funciona a inspeção termográfica
O termografista percorre uma rota com os equipamentos em operação e sob carga, porque conexão ruim só esquenta quando há corrente passando. Em painéis elétricos, isso significa abrir portas com o sistema energizado, o que exige profissional habilitado e autorizado conforme a NR-10, além das medidas de proteção contra arco elétrico definidas pela empresa.
A análise mais usada em elétrica é a comparativa: o ponto suspeito é comparado com um ponto semelhante nas mesmas condições, normalmente a mesma conexão nas outras fases. A diferença de temperatura (ΔT) orienta a prioridade do reparo.
Exemplo num CCM de uma indústria de papelão
Na inspeção semestral do centro de controle de motores, a câmera mostra a conexão da fase B na saída de um disjuntor a 82 °C, enquanto as fases A e C estão a 44 °C e 46 °C, com carga equilibrada. ΔT de 36 °C em relação à fase vizinha mais quente. Pelo critério da empresa, isso é prioridade alta. A OS é programada para a parada do fim de semana: o terminal estava oxidado e o parafuso, frouxo. Depois da troca do terminal e do reaperto, uma nova imagem confirma o resultado. Os números são de exemplo, e os critérios de ΔT variam entre normas de referência e empresas.
O erro mais comum
Confiar na temperatura absoluta sem acertar a emissividade. Superfícies metálicas brilhantes, como barramento de cobre novo ou alumínio, refletem muito e emitem pouco: a câmera mostra temperatura bem menor que a real, ou reflete o calor de outro objeto. Por isso se compara com pontos de mesmo material e acabamento, ou se mede em partes isoladas ou oxidadas, que emitem melhor. O segundo erro é o relatório que fica parado no e-mail. Cada anomalia precisa virar OS com prioridade e, depois do reparo, ganhar uma imagem de confirmação.
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