Boroscopia é a inspeção visual do interior de um equipamento usando um boroscópio, uma sonda com iluminação e lente ou câmera na ponta, introduzida por aberturas que já existem (bujões, furos de inspeção, bocais, entrada de vela) sem precisar desmontar. É uma forma de ensaio visual remoto: o técnico enxerga onde o olho não chega.
Tipos de equipamento e onde se usa
- Boroscópio rígido: tubo reto com lentes. Boa imagem, mas só funciona em acesso em linha reta.
- Fibroscópio e videoscópio: sonda flexível, com ponta articulável no caso do videoscópio, que grava foto e vídeo. É o mais comum na indústria hoje.
Aplicações típicas: palhetas de turbinas a vapor e a gás, dentes de engrenagens de redutores (pelo bujão de inspeção), tubos de caldeiras e trocadores de calor, câmaras de combustão de motores, soldas internas e corrosão em tubulações, cilindros de compressores. Alguns videoscópios fazem medição na imagem, útil para dimensionar um desgaste ou a profundidade de um pite.
Exemplo na cogeração de uma usina
Na entressafra, abrir a carcaça de uma turbina a vapor da cogeração é serviço caro, demorado e com risco de montagem. A boroscopia pelas aberturas de inspeção permite olhar os estágios de palhetas e decidir se a abertura completa é necessária. Se as imagens mostram apenas depósito leve e erosão dentro do esperado, a turbina pode ficar para o próximo ciclo de revisão; se aparece palheta com dano na borda de ataque ou sinal de impacto, o overhaul entra no escopo da parada com antecedência, e as peças são compradas a tempo.
O erro mais comum
Fazer a inspeção e guardar imagens soltas, sem identificar estágio, posição, data e equipamento. Na entressafra seguinte, ninguém consegue comparar e dizer se o desgaste avançou. A boroscopia ganha valor quando vira série histórica: mesmo roteiro, mesmos pontos, imagens anexadas à OS e ao histórico do equipamento. Outro tropeço é laudo feito por quem nunca viu aquele tipo de máquina por dentro; vale ter alguém que saiba o que é normal para comparar.
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