Guia Sismetro › Artigos

Tabela Pt100: resistência x temperatura de -50 a 400 °C

A tabela Pt100 dá a resistência elétrica de um sensor de platina de 100 Ω a 0 °C em cada temperatura, calculada pela equação de Callendar-Van Dusen com os coeficientes da IEC 60751 (alfa = 0,00385 /°C). Os valores de referência mais usados são 100,00 Ω a 0 °C, 138,51 Ω a 100 °C, 84,27 Ω a -40 °C e 175,86 Ω a 200 °C.

Encontrou um termo técnico? O glossário de calibração de A a Z explica mais de 100 termos, de incerteza e RBC a TUR, EMA e regra de decisão.

Resumo rápido

  • Abaixo há uma tabela de -50 °C a 400 °C de 10 em 10 °C, com Pt100, Pt1000 e sensibilidade, e outra de 0 °C a 100 °C de grau em grau.
  • Todos os valores foram calculados pela equação da IEC 60751:2022 (item 4.2) e conferidos em pontos de referência com a tabela do guia de termorresistências do BIPM.
  • Pt1000: multiplique o valor do Pt100 por 10.
  • O cabo erra muito a 2 fios: cerca de 2,6 °C por ohm de cabo num Pt100. A 4 fios, esse erro some.
  • As classes de tolerância AA, A, B e C dizem quanto um sensor novo pode se afastar da tabela, sem calibração.
  • Confundir alfa 0,00385 com 0,003916 dá cerca de 1,7 °C de erro a 100 °C.

Qual é a equação do Pt100?

A IEC 60751:2022, norma internacional de termorresistências de platina industriais, define a curva no item 4.2:

  • de -200 °C a 0 °C: R(t) = R0 [1 + A t + B t² + C (t – 100) t³];
  • de 0 °C a 850 °C: R(t) = R0 (1 + A t + B t²);
  • com A = 3,9083 × 10⁻³ /°C, B = -5,775 × 10⁻⁷ /°C² e C = -4,183 × 10⁻¹² /°C⁴, e R0 = 100 Ω para o Pt100.

Os mesmos coeficientes estão na tabela 2.4.1 do guia do BIPM sobre termorresistências industriais (Consultative Committee for Thermometry, atualizado em novembro de 2021). Um detalhe da edição de 2022 da IEC 60751: as tabelas numéricas do anexo A passaram a ser informativas, e a especificação é a própria equação. Ou seja, a tabela é uma conveniência; em caso de dúvida, vale a conta.

O termo C só existe abaixo de 0 °C. Esquecê-lo erra pouco a -50 °C (cerca de 0,02 °C), mas o erro cresce rápido: a -100 °C passa de 0,2 °C.

Baixe grátis: planilha de controle de calibração. Planilha de controle de calibração grátis em Excel: vencimentos e status por fórmula, histórico de certificados e…

Baixar planilha grátis ver todas as planilhas

Tabela Pt100 de -50 °C a 400 °C

Valores calculados pela equação da IEC 60751, com R0 = 100 Ω, arredondados para 2 casas decimais. A última coluna é a variação de resistência por grau naquela temperatura: ela cai de 0,397 Ω/°C em -50 °C para 0,345 Ω/°C em 400 °C, e é ela que converte um erro em ohms para graus.

Temperatura (°C) Pt100 (Ω) Pt1000 (Ω) Sensibilidade do Pt100 (Ω/°C)
-50 80,31 803,1 0,397
-40 84,27 842,7 0,396
-30 88,22 882,2 0,394
-20 92,16 921,6 0,393
-10 96,09 960,9 0,392
0 100,00 1.000,0 0,391
10 103,90 1.039,0 0,390
20 107,79 1.077,9 0,389
30 111,67 1.116,7 0,387
40 115,54 1.155,4 0,386
50 119,40 1.194,0 0,385
60 123,24 1.232,4 0,384
70 127,08 1.270,8 0,383
80 130,90 1.309,0 0,382
90 134,71 1.347,1 0,380
100 138,51 1.385,1 0,379
110 142,29 1.422,9 0,378
120 146,07 1.460,7 0,377
130 149,83 1.498,3 0,376
140 153,58 1.535,8 0,375
150 157,33 1.573,3 0,374
160 161,05 1.610,5 0,372
170 164,77 1.647,7 0,371
180 168,48 1.684,8 0,370
190 172,17 1.721,7 0,369
200 175,86 1.758,6 0,368
210 179,53 1.795,3 0,367
220 183,19 1.831,9 0,365
230 186,84 1.868,4 0,364
240 190,47 1.904,7 0,363
250 194,10 1.941,0 0,362
260 197,71 1.977,1 0,361
270 201,31 2.013,1 0,360
280 204,90 2.049,0 0,358
290 208,48 2.084,8 0,357
300 212,05 2.120,5 0,356
310 215,61 2.156,1 0,355
320 219,15 2.191,5 0,354
330 222,68 2.226,8 0,353
340 226,21 2.262,1 0,352
350 229,72 2.297,2 0,350
360 233,21 2.332,1 0,349
370 236,70 2.367,0 0,348
380 240,18 2.401,8 0,347
390 243,64 2.436,4 0,346
400 247,09 2.470,9 0,345

Conferência: a tabela 2.4.5 do guia do BIPM traz 138,506 Ω a 100 °C, 175,856 Ω a 200 °C, 247,092 Ω a 400 °C e 60,256 Ω a -100 °C, iguais aos valores calculados aqui com 3 casas. A sensibilidade de 0,391 Ω/°C em 0 °C também confere.

Tabela fina de 0 °C a 100 °C, de grau em grau

Para ler, some a linha (dezenas) com a coluna (unidades). Exemplo: 63 °C fica na linha 60, coluna +3, e vale 124,39 Ω.

°C +0 +1 +2 +3 +4 +5 +6 +7 +8 +9
0 100,00 100,39 100,78 101,17 101,56 101,95 102,34 102,73 103,12 103,51
10 103,90 104,29 104,68 105,07 105,46 105,85 106,24 106,63 107,02 107,40
20 107,79 108,18 108,57 108,96 109,35 109,73 110,12 110,51 110,90 111,29
30 111,67 112,06 112,45 112,83 113,22 113,61 114,00 114,38 114,77 115,15
40 115,54 115,93 116,31 116,70 117,08 117,47 117,86 118,24 118,63 119,01
50 119,40 119,78 120,17 120,55 120,94 121,32 121,71 122,09 122,47 122,86
60 123,24 123,63 124,01 124,39 124,78 125,16 125,54 125,93 126,31 126,69
70 127,08 127,46 127,84 128,22 128,61 128,99 129,37 129,75 130,13 130,52
80 130,90 131,28 131,66 132,04 132,42 132,80 133,18 133,57 133,95 134,33
90 134,71 135,09 135,47 135,85 136,23 136,61 136,99 137,37 137,75 138,13
100 138,51

Como converter resistência em temperatura?

Acima de 0 °C, a equação de segundo grau tem inversa direta:

t = [-A + raiz(A² – 4B (1 – R/R0))] / (2B)

Exemplo: um Pt100 medindo 110,00 Ω está a 25,68 °C. Abaixo de 0 °C, por causa do termo C, não há fórmula fechada simples: interpole na tabela ou resolva por iteração. A interpolação linear entre linhas de 10 °C erra menos de 0,005 °C em toda a faixa da tabela, menos que a resolução de quase qualquer indicador industrial.

Evite a fórmula linear R = R0 (1 + 0,00385 t). Ela praticamente acerta em 0 °C e 100 °C, mas a 200 °C já erra 1,14 Ω, ou 3,1 °C, e a 400 °C erra cerca de 20 °C.

Pt1000: basta multiplicar por 10?

Basta. O item 4.3 da IEC 60751 diz que a tabela vale para qualquer R0, multiplicando os valores por R0/100 Ω. O Pt1000 tem 1.000,0 Ω a 0 °C e 1.385,1 Ω a 100 °C, e sensibilidade de cerca de 3,9 Ω/°C. A vantagem prática é o cabo: a mesma resistência de fio pesa dez vezes menos. O guia do BIPM aponta a redução do erro de cabo como um dos principais benefícios dos sensores de 1.000 Ω ou mais.

2, 3 ou 4 fios: quanto o cabo erra?

A resistência dos condutores soma ou se compensa conforme a ligação. O guia do BIPM (seção 4.4) estima, para o Pt100, cerca de 2,5 °C de erro por ohm de resistência total de cabo a 2 fios; nas contas abaixo, com a sensibilidade em 60 °C, o número fica perto de 2,6 °C por ohm.

Exemplo de cálculo. Um Pt100 está a 25 m do indicador, ligado com cabo de cobre de 0,5 mm². Com a resistividade do cobre recozido a 20 °C, 1/58 Ω·mm²/m, cada condutor tem 0,86 Ω, e o laço de ida e volta soma 1,72 Ω.

  • 2 fios: com o processo a 60 °C, o sensor tem 123,24 Ω, mas o indicador mede 124,97 Ω e mostra 64,5 °C. São 4,5 °C de erro, e ele muda com a temperatura do cabo.
  • 3 fios: o circuito compensa os dois condutores, desde que sejam iguais. Se um tiver 0,05 Ω a mais (uma emenda, um borne oxidado), sobram cerca de 0,13 °C.
  • 4 fios: a corrente passa por um par e a tensão é medida pelo outro, sem corrente; o erro do cabo praticamente desaparece.
  • Pt1000 a 2 fios, com o mesmo cabo: cerca de 0,45 °C de erro. Melhor, mas ainda maior que a tolerância classe A em 60 °C.

A IEC 60751:2022 (item 5.5) exige 3 ou 4 fios para termômetros de classe melhor que B e recomenda 4 fios. Outro cuidado da mesma norma (item 5.3): a corrente de medição deve ser baixa o bastante para que o autoaquecimento não passe de 25 % da tolerância da classe; para um Pt100 de fio, em geral até 1 mA.

Quais são as classes de tolerância da IEC 60751?

A tolerância é quanto um termômetro novo pode se afastar da curva padrão sem calibração. A tabela abaixo segue a tabela 2 da IEC 60751:2022 (classes de termômetros), com a faixa de validade conforme o tipo de resistor e a tolerância calculada em três temperaturas:

Classe Tolerância (°C) Validade, resistor de fio Validade, resistor de filme Em 0 °C Em 100 °C Em 200 °C
AA ±(0,1 + 0,0017 |t|) -50 a 250 °C 0 a 150 °C ±0,10 ±0,27 ±0,44
A ±(0,15 + 0,002 |t|) -100 a 450 °C -30 a 300 °C ±0,15 ±0,35 ±0,55
B ±(0,3 + 0,005 |t|) -196 a 600 °C -50 a 500 °C ±0,30 ±0,80 ±1,30
C ±(0,6 + 0,01 |t|) -196 a 600 °C -50 a 600 °C ±0,60 ±1,60 ±2,60

Três observações práticas. Primeiro, fora da faixa de validade a classe não vale: um Pt100 classe A de filme usado a 350 °C não é classe A ali. Segundo, a norma tem outra tabela, com designações próprias (W 0,1, F 0,15 e assim por diante), para o resistor sozinho, antes de virar termômetro; as faixas diferem um pouco. Terceiro, tolerância não é incerteza de medição: ela diz o desvio máximo admitido de fábrica, enquanto a calibração mede o desvio real do seu sensor, com incerteza. A diferença está explicada em erro e incerteza de medição.

Exemplo: usando a tabela na calibração

Situação de exemplo, com números ilustrativos. Um secador tem um indicador de temperatura de painel com entrada Pt100 a 3 fios, faixa de 0 °C a 150 °C, e o critério da empresa é ±0,5 °C para o indicador. O técnico separa a verificação em duas partes.

1. Indicador, com resistência simulada. No lugar do sensor, ele liga uma década resistiva calibrada, também a 3 fios, e injeta os valores da tabela:

Temperatura simulada Resistência injetada Leitura do indicador Erro Critério ±0,5 °C
0 °C 100,00 Ω 0,2 °C +0,2 °C Atende
72 °C 127,84 Ω 72,4 °C +0,4 °C Atende, com pouca folga
121 °C 146,44 Ω 121,7 °C +0,7 °C Não atende

Se a década tem incerteza de 0,01 Ω (k = 2), isso equivale a cerca de 0,03 °C nessa faixa (0,01 dividido por 0,383 Ω/°C), pequeno perto do critério. Com uma década de 0,1 Ω, seriam 0,26 °C, e o ponto de 72 °C já ficaria indeciso. O erro crescente com a temperatura sugere ajuste de ganho do indicador; como decidir com o erro perto do limite está em critério de aceitação.

2. Sensor, no ponto de gelo. O sensor vai para um banho de gelo fundente, e a resistência é medida a 4 fios com um ohmímetro calibrado: 100,06 Ω. Pela tabela, isso corresponde a +0,15 °C. Para um sensor classe A, a tolerância em 0 °C é ±0,15 °C: o sensor está no limite, e um sensor vendido como AA (±0,10 °C) estaria fora. Na prática, decida pela calibração completa em laboratório, nos pontos de uso, e não por um ponto só.

Note que verificar sensor e indicador separados não substitui calibrar a malha como ela é usada, com o cabo real. O passo a passo da calibração por comparação está em calibração de termômetro.

Erros comuns com a tabela Pt100

  • Confundir o alfa. Existem sensores com R(100 °C)/R(0 °C) = 1,3916, feitos pela antiga norma japonesa JIS C 1604-1981 (o “JPt100”, alfa de cerca de 0,003916), e uma versão com 1,3920, conforme o guia do BIPM. Ligado a um indicador configurado para 0,00385, um sensor de 1,3916 a 100 °C (139,16 Ω) aparece como 101,7 °C. Confira o alfa na placa ou na folha de dados antes de usar a tabela.
  • Configurar Pt1000 como Pt100, ou o contrário. O indicador mostra fora de faixa. É erro grosseiro e fácil de achar, mas aparece em toda troca de sensor sem conferir o modelo.
  • Ligar a 2 fios sem compensar o cabo, como no exemplo de 4,5 °C acima.
  • Tratar a classe como calibração. Um sensor classe B pode errar ±0,8 °C a 100 °C e ainda estar conforme. Se o processo pede mais que isso, calibre.
  • Usar a fórmula linear com alfa fora da faixa de 0 °C a 100 °C.
  • Ignorar o autoaquecimento ao medir o sensor com um multímetro sem saber a corrente de teste que ele aplica.

Quanto erro cada um desses deslizes representa depende da definição de erro de medição que você usa no critério, e de onde o instrumento é usado. Termômetros em controle de processo de alimentos têm cuidados próprios, descritos em calibração na indústria de alimentos.

Como o Sismetro ajuda

No Sismetro, um indicador de temperatura ou um sensor Pt100 é cadastrado com seus canais, faixa, tolerância e validade em meses. Na emissão própria, o técnico escolhe o padrão (uma termorresistência de referência ou a década resistiva), lança as leituras ponto a ponto e o sistema calcula erro, incerteza combinada, graus de liberdade efetivos, k e U, com a incerteza herdada do certificado do padrão e a memória de cálculo. O cadastro de padrões guarda a validade do último certificado, e certificados de laboratórios externos entram com o resultado por canal, o PDF anexado e aprovação com login e senha. O vencimento aparece por cores e abre uma SS antes do prazo, na mesma base de ativos da manutenção. O módulo de calibração e metrologia começa no plano grátis, com planos pagos e Enterprise.

Controle suas calibrações grátis no Sismetro.Cadastro de instrumentos, vencimentos com SS antes de vencer, certificado no padrão com cálculo de incerteza e QR code de validação. Laboratórios e indústrias começam no plano grátis, sem cartão de crédito.

Começar grátis ou conheça o software de calibração

Para fazer hoje

Escolha a malha de temperatura mais crítica da planta e confira três coisas: o alfa e a classe do sensor na folha de dados, o número de fios até o indicador e a configuração de entrada do indicador. Se algum dos três não bater, você já achou um erro maior que muita incerteza de laboratório. Depois, programe a verificação no ponto de gelo e a calibração da malha com o intervalo da tabela de periodicidade. O programa completo, com rastreabilidade e laboratórios da RBC, está no guia de calibração.

Perguntas frequentes

Qual a resistência do Pt100 a 0 °C e a 100 °C?

A 0 °C, 100,00 Ω; a 100 °C, 138,51 Ω. Os dois valores saem da equação de Callendar-Van Dusen com os coeficientes da IEC 60751, para o sensor de alfa 0,00385 /°C. A -40 °C, o valor é 84,27 Ω.

Como saber a temperatura a partir da resistência do Pt100?

Acima de 0 °C, use a fórmula inversa t = [-A + raiz(A² – 4B(1 – R/R0))] / (2B), com A = 3,9083 × 10⁻³ e B = -5,775 × 10⁻⁷. Abaixo de 0 °C, interpole na tabela ou resolva por iteração. Interpolar linearmente entre linhas de 10 °C erra menos de 0,005 °C.

Qual a diferença entre Pt100 e Pt1000?

Só a resistência a 0 °C: 100 Ω no Pt100 e 1.000 Ω no Pt1000, com a mesma curva. Para achar o valor do Pt1000, multiplique o do Pt100 por 10, como prevê a IEC 60751. O Pt1000 sofre dez vezes menos com a resistência dos cabos.

Qual a tolerância de um Pt100 classe A?

±(0,15 + 0,002 |t|) °C, válida de -100 °C a 450 °C para termômetros com resistor de fio e de -30 °C a 300 °C com resistor de filme, pela IEC 60751:2022. Em 100 °C, isso dá ±0,35 °C.

Pt100 de 3 fios precisa de compensação?

O próprio esquema de 3 fios compensa a resistência dos cabos, desde que os três condutores tenham a mesma resistência. Se um deles tiver 0,05 Ω a mais, sobra um erro de cerca de 0,13 °C. Para eliminar o efeito dos cabos, use 4 fios.

O que significa alfa 0,00385?

É o coeficiente médio de temperatura do sensor entre 0 °C e 100 °C: (R100 – R0) / (100 × R0). Para o Pt100 da IEC 60751, R100 = 138,51 Ω, o que dá 0,00385 /°C. Sensores com outro alfa, como 0,003916, seguem outra curva e não podem usar esta tabela.

Quer ver isso funcionando na sua operação?

O Sismetro organiza ordens de serviço, preventivas, estoque de peças e indicadores como MTBF e MTTR em um só lugar, com app para os técnicos e integração com o ERP Senior. Feito para indústria e agroindústria.

Prefere conversar agora? Chame a gente no WhatsApp.

Continue lendo no Guia Sismetro

Deixe seu contato e nossa equipe libera o seu acesso grátis

Deixe seu contato e alguém do nosso time marca a sua demonstração