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Registros obrigatórios da RDC 15: o que a CME deve anotar

A RDC 15/2012 obriga a CME a registrar o monitoramento da limpeza, da desinfecção e da esterilização, a manutenção e a qualificação dos equipamentos, a recepção dos produtos e os testes de cada carga, e a guardar esses registros por no mínimo cinco anos. A regra geral está no art. 26; os detalhes estão espalhados por outros artigos, e é aí que muita CME descobre, na véspera da inspeção, que faltava um caderno.

Este artigo junta tudo numa lista só, com o artigo de origem de cada registro no texto oficial da RDC 15 no Saúde Legis.

A regra geral: art. 26

“Art. 26 O CME e a empresa processadora devem dispor de um sistema de informação manual ou automatizado com registro do monitoramento e controle das etapas de limpeza e desinfecção ou esterilização constante nesta resolução, bem como da manutenção e monitoramento dos equipamentos. Parágrafo único. Os registros devem ser arquivados, de forma a garantir a sua rastreabilidade, em conformidade com o estabelecido em legislação específica ou, na ausência desta, por um prazo mínimo de cinco anos, para efeitos de inspeção sanitária.”

Três ideias saem daqui. Primeiro, o registro cobre processo e equipamento, não só o ciclo da autoclave. Segundo, o formato é livre (manual ou automatizado). Terceiro, o arquivamento precisa “garantir a sua rastreabilidade”: não basta guardar, é preciso conseguir achar e ligar um registro ao outro.

Para a CME Classe II e a empresa processadora, o art. 25 acrescenta o nível de detalhe:

“Art. 25 No CME Classe II e na empresa processadora o processo de esterilização deve estar documentado de forma a garantir a rastreabilidade de cada lote processado.”

Quais registros a RDC 15 exige?

A tabela abaixo consolida os registros que a norma pede de forma expressa, com o artigo, o conteúdo mínimo quando a norma o define e a frequência.

Registro Artigo Conteúdo mínimo ou regra Frequência
Monitoramento e controle de limpeza, desinfecção e esterilização 26 Registro das etapas e do monitoramento Contínua
Documentação do processo de esterilização por lote (Classe II e processadora) 25 Rastreabilidade de cada lote processado Cada lote
Qualificação de instalação, operação e desempenho de lavadoras automatizadas e esterilizadores 37 QI, QO e QD; refazer a QD se a carga ficar mais desafiadora No mínimo anual
Calibração de leitoras de indicador biológico e seladoras térmicas 38 Calibração No mínimo anual
Qualificação térmica, calibração de instrumentos e requalificação de operação (vapor e termodesinfecção) 39 Feitas por laboratório capacitado No mínimo anual
Intervenções técnicas em cada equipamento 40 Sete campos (ver abaixo) Cada intervenção
Requalificação após mudança de local, mau funcionamento, reparo ou suspeita de falha 41 Inclui indicadores biológicos e químicos Cada evento
Conferência e entrada dos produtos recebidos 62 Conferência e registro de entrada Cada recebimento
Recebimento de urgência de produto não definido pelo comitê (Classe II) 63 Registro e comunicação posterior ao comitê Cada ocorrência
Monitoramento da limpeza e dos equipamentos automatizados de limpeza 73 Periodicidade definida em protocolo Conforme protocolo
Qualidade da água (Classe II e processadora) 74 Dureza, pH, íons cloreto, cobre, ferro, manganês e carga microbiana nos pontos de enxágue Conforme protocolo
Movimentação do arsenal de embalagens de tecido de algodão 82 Plano de aquisição e substituição com registros Contínua
Rótulo da embalagem 83 a 85 Nome, lote, data de esterilização, data limite de uso, método e responsável pelo preparo Cada pacote
Parâmetros dos desinfetantes para artigo semicrítico 90 Concentração, pH ou outros; inicial e subsequentes No mínimo 1 vez ao dia, antes das atividades
Ciclo a vapor para uso imediato 94, §§ 2º e 5º Data, hora, motivo, produto, nome e assinatura do responsável pela CME, identificação do paciente; monitorado por integrador ou emulador Cada ciclo
Integrador químico classe 5 ou 6 em pacote teste desafio 96 Resultado por carga Cada carga
Indicadores físicos 97 Registro do ciclo Cada ciclo
Indicador biológico em carga com implantável 98 Liberação só após leitura negativa Cada carga com implantável
Indicador biológico de rotina 99 Pacote desafio no ponto de maior desafio Diária
Teste de remoção de ar (Bowie & Dick) 93 Autoclave assistida por bomba de vácuo Primeiro ciclo do dia
Reuniões e decisões do Comitê de Processamento 36, VI Registros das reuniões e decisões Cada reunião
Instrumental inservível e explantes enviados para reciclagem 109 Registro dos itens encaminhados à empresa licenciada Cada envio

Uma observação sobre o Bowie & Dick: o art. 93 diz que o teste é obrigatório, mas não usa a palavra “registro”. Ele entra no registro pela regra geral do art. 26 (monitoramento da esterilização e dos equipamentos) e pelo art. 100, que pede um sistema de guarda dos registros dos monitoramentos. Na prática, nenhuma inspeção aceita “fizemos, mas não anotamos”.

O registro de manutenção dos equipamentos (art. 40)

É o registro mais detalhado da norma e o que mais depende de gente fora da CME, porque quem executa é a engenharia clínica, a manutenção ou o fornecedor:

“Art. 40 Na manutenção dos equipamentos, as informações resultantes das intervenções técnicas realizadas devem ser arquivadas para cada equipamento, contendo, no mínimo: I – Data da intervenção; II – Identificação do equipamento; III – Local de instalação; IV – Descrição do problema detectado e nome do responsável pela identificação do problema; V – Descrição do serviço realizado, incluindo informações sobre as peças trocadas; VI – Resultados da avaliação dos parâmetros físicos realizados após a intervenção e complementados com indicadores químicos e biológicos, quando indicado; VII – Nome do profissional que acompanhou a intervenção e do técnico que executou o procedimento.”

Um exemplo comum de falha: a autoclave para por vazamento na porta, o técnico do fornecedor troca a guarnição e deixa um relatório genérico. Falta o item VI (os parâmetros físicos depois da troca) e falta o item VII (quem da CME acompanhou). O equipamento volta a rodar sem a prova de que estava apto. Uma ordem de serviço com esses sete campos obrigatórios resolve o problema na origem; num sistema de gestão de manutenção, eles viram campos da OS e a autoclave não é liberada sem eles.

Por quanto tempo guardar cada registro?

A RDC 15 tem três regras de prazo:

  • Regra geral, cinco anos no mínimo, salvo legislação específica com prazo diferente (art. 26, parágrafo único).
  • Parâmetros dos desinfetantes, cinco anos no mínimo, de forma expressa: “Os parâmetros, inicial e subsequentes, dos desinfetantes para artigo semicrítico, devem ser registrados e arquivados pelo prazo mínimo de cinco anos.” (art. 90, § 2º).
  • Histórico dos equipamentos, contado da saída do equipamento: “O prazo de arquivamento para o registro histórico dos equipamentos de saúde deve ser contado a partir da desativação ou transferência definitiva do equipamento de saúde do serviço.” (art. 40, parágrafo único).

A combinação das duas últimas regras gera uma situação que confunde: o registro de um ciclo de 2020 completa o mínimo de cinco anos em 2025, mas o registro da manutenção feita na mesma autoclave em 2020 precisa ficar enquanto a autoclave estiver no hospital, e por mais cinco anos depois que ela sair. O artigo sobre tempo de guarda dos registros da CME trata do formato eletrônico e do que vale como evidência.

Como montar o registro sem duplicar trabalho

  1. Comece pelo lote. O lote de esterilização é o ponto onde tudo se cruza: equipamento, ciclo, operador, kits, indicadores. Se o lote estiver completo, metade da tabela acima já está atendida.
  2. Coloque os testes dentro do lote. Integrador, biológico e Bowie & Dick anotados em cadernos separados obrigam a cruzar datas e horários na mão. Registrados como parte do lote, a relação é automática.
  3. Ligue o equipamento ao seu histórico. A autoclave do lote precisa ser o mesmo cadastro que recebe a preventiva, a qualificação e a calibração. Assim, quem olha um lote suspeito vê se havia manutenção pendente naquele dia.
  4. Defina o protocolo de periodicidade. Os arts. 73 e 74 deixam a frequência por conta do protocolo da CME. Escreva a frequência, aprove e cumpra; inspeção cobra o que o próprio protocolo diz.
  5. Identifique quem fez. Cada registro precisa de autor. Assinatura ilegível em caderno compartilhado é o ponto fraco mais comum.
  6. Teste a recuperação. Uma vez por mês, escolha um kit usado e reconstrua o caminho dele só com os registros. Anote quanto tempo levou.

Quer a rastreabilidade da sua CME sem papel?O Sismetro registra limpeza, preparo, ciclo, indicadores e uso no paciente de cada instrumental, kit e caixa, com etiqueta, DataMatrix e os registros que a RDC 15 pede.

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Erros que aparecem em toda auditoria

  • Registro do físico sem o químico. O art. 97 pede indicador físico a cada ciclo e o art. 96 pede integrador a cada carga. Guardar só a fita da autoclave deixa o lote incompleto.
  • Biológico registrado sem a carga. O resultado aparece numa planilha, mas não se sabe em qual lote o pacote desafio estava.
  • Qualificação vencida sem bloqueio. O certificado anual venceu e a autoclave continua rodando, porque ninguém vê o vencimento até a inspeção.
  • Água sem protocolo. A CME Classe II mede a dureza às vezes, sem frequência escrita e sem os demais parâmetros do art. 74.
  • Uso imediato sem paciente. O ciclo flash foi feito, mas o registro não tem a identificação do paciente exigida pelo art. 94, § 2º.

Para transformar a tabela em roteiro de autoavaliação, use o checklist de inspeção da Vigilância Sanitária na CME.

E se a norma mudar?

A proposta de nova RDC em Consulta Pública nº 1.420/2026 mantém o prazo mínimo de cinco anos para a documentação (art. 45 da proposta) e amplia o que precisa ser rastreado: o art. 14, § 1º, da proposta diz que o sistema de gestão da qualidade “deve garantir a rastreabilidade de todas as etapas do processamento do dispositivo médico”. Quem já registra por lote e por etapa vai precisar de menos adaptação. Veja o comparativo em atualização da RDC 15 em consulta pública.

Como o Sismetro ajuda

No software de CME do Sismetro, o lote de esterilização guarda equipamento, ciclo, operador, kits e os testes (Bowie & Dick, químico e biológico), e o relatório do lote sai com o responsável técnico e o operador. A autoclave é o mesmo patrimônio que recebe ordens de serviço, preventiva e calibração, e os registros ficam na nuvem para consulta por data, lote, kit ou paciente.

Perguntas frequentes

Qual artigo da RDC 15 obriga a CME a ter registros?

O art. 26. Ele exige um sistema de informação manual ou automatizado com o registro do monitoramento e controle da limpeza, desinfecção e esterilização e da manutenção e monitoramento dos equipamentos, arquivado por no mínimo cinco anos.

Por quanto tempo a CME deve guardar os registros?

No mínimo cinco anos, salvo legislação específica com outro prazo (art. 26). O histórico de manutenção dos equipamentos tem o prazo contado a partir da desativação ou transferência definitiva do equipamento (art. 40, parágrafo único).

O que deve constar no registro de manutenção da autoclave?

Data, identificação do equipamento, local, problema e quem o detectou, serviço feito com peças trocadas, resultado dos parâmetros físicos após a intervenção (com indicadores químicos e biológicos quando indicado) e os nomes de quem acompanhou e de quem executou, conforme o art. 40.

Registro em papel é aceito pela RDC 15?

Sim. O art. 26 aceita sistema manual ou automatizado. O que importa é que o registro esteja completo, identifique quem fez e possa ser recuperado de forma rastreável durante todo o prazo de guarda.

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