Rastreabilidade metrológica é a propriedade de um resultado de medição que permite relacioná-lo a uma referência, normalmente os padrões nacionais, por meio de uma cadeia ininterrupta e documentada de calibrações, em que cada elo declara a sua incerteza. Em outras palavras: dá para provar de onde vem a confiança naquele número.
No Brasil, o topo da cadeia é o Inmetro, que mantém os padrões nacionais. Abaixo dele vêm os laboratórios acreditados pela Cgcre na Rede Brasileira de Calibração (RBC), que seguem a ABNT NBR ISO/IEC 17025, depois os padrões de referência da própria empresa e, por fim, os instrumentos usados no chão de fábrica.
Como a cadeia de rastreabilidade funciona
Pense numa fabricante de autopeças que mede o diâmetro de eixos com micrômetros na linha. A cadeia fica assim:
- Micrômetro da linha, calibrado internamente com os blocos-padrão da empresa.
- Blocos-padrão da empresa, calibrados periodicamente em laboratório da RBC.
- Laboratório da RBC, com padrões rastreados ao Inmetro.
- Inmetro, ligado ao Sistema Internacional de Unidades por comparações internacionais.
Se qualquer elo quebrar, todos os de baixo perdem a rastreabilidade. Suponha que o certificado dos blocos-padrão tenha vencido em março e ninguém percebeu. Todas as calibrações internas de micrômetros feitas de abril em diante usaram um padrão sem comprovação vigente. Os micrômetros podem até estar bons, mas a empresa não consegue provar, e numa auditoria de cliente isso vira não conformidade.
O que conferir no certificado
- Identificação do laboratório e, quando for o caso, se o escopo de acreditação cobre aquela grandeza e faixa.
- Resultados com incerteza de medição declarada.
- Identificação dos padrões usados e da rastreabilidade deles.
O erro mais comum
Achar que qualquer certificado garante rastreabilidade. Certificado sem incerteza, emitido por laboratório que não comprova a origem dos próprios padrões, ou fora do escopo de acreditação para aquela faixa, é um papel com números. O segundo erro é controlar só o vencimento dos instrumentos de linha e esquecer os padrões internos, que estão no topo da cadeia dentro da empresa e afetam tudo o que vem abaixo.
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