Resposta rápida: downtime é o tempo em que um equipamento ou uma linha fica parado sem produzir quando deveria estar disponível, por falha, setup, falta de material ou manutenção. O percentual de downtime é o tempo parado dividido pelo tempo planejado de produção. Para reduzir, registre cada parada com motivo, ataque as maiores pelo Pareto e encurte acionamento e espera de peça.
Resumo
- Downtime é tempo de máquina parada quando o equipamento deveria produzir.
- Separe sempre o downtime planejado (preventiva, setup, sanitização) do não planejado (quebra, falta de insumo, problema de qualidade).
- % de downtime = tempo parado ÷ tempo planejado de produção × 100. Ele é o outro lado da disponibilidade no OEE.
- Numa parada não planejada, o reparo costuma ser a menor parte do tempo. Detecção, acionamento e espera de peça pesam mais.
- O custo da parada inclui margem perdida, mão de obra ociosa, perdas, hora extra e atraso, não só o conserto.
O que é downtime?
Downtime é o tempo em que um equipamento ou uma linha fica parado sem produzir quando deveria estar disponível. Em português, aparece como tempo de parada, tempo de máquina parada ou indisponibilidade.
O ponto central é “quando deveria estar disponível”. Moenda parada na entressafra não é downtime: não havia produção programada. Parada 40 minutos na safra, com cana no pátio, é. A definição curta está no verbete de downtime do glossário; aqui o foco é medir, custear e reduzir.
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Qual a diferença entre downtime planejado e não planejado?
Downtime planejado é a parada que você decide com antecedência e negocia com a produção. Downtime não planejado é a parada que acontece sem aviso e derruba a programação.
| Aspecto | Downtime planejado | Downtime não planejado |
|---|---|---|
| Exemplos | Preventiva programada, setup e troca de produto, sanitização e CIP numa fábrica de alimentos, calibração programada de instrumento em linha | Quebra de rolamento, falta de embalagem ou insumo, produto fora de especificação, queda de ar comprimido ou vapor, falta de energia |
| Como se gerencia | Negociação com a produção, janela fixa, padronização do procedimento | Resposta rápida, análise de causa, prevenção da repetição |
| Efeito na operação | Previsível; o PCP já desconta da capacidade | Hora extra, atraso de pedido, perda de produto, retrabalho |
Os dois contam como downtime; muda a forma de atacar. O planejado se reduz com método. O não planejado, com manutenção melhor, peças disponíveis e resposta rápida.
Como registrar cada parada?
Cada parada precisa virar um registro com início, fim, equipamento, motivo codificado e OS vinculada. Sem esses cinco campos, o downtime vira estimativa de reunião.
- Início: o momento em que a linha parou, não o momento em que a manutenção foi chamada.
- Fim: o momento em que a linha voltou a produzir produto bom, depois de teste e liberação.
- Equipamento: TAG do ativo que causou a parada (enchedora, rotuladora, compressor), não só “linha 2”.
- Motivo e código: uma árvore curta, por exemplo: mecânica, elétrica, setup, falta de material, qualidade, utilidades. Evite o campo “outros” virar a maior categoria.
- OS vinculada: a ordem de serviço com o que foi feito, peças usadas e quem atendeu. É ela que liga o tempo parado ao histórico do equipamento.
Marque também se a parada foi planejada ou não. Esse campo evita a mistura que distorce os indicadores.
Como calcular o downtime?
O percentual de downtime é o tempo parado dividido pelo tempo planejado de produção, multiplicado por 100. Ele é o complemento da disponibilidade: se a linha ficou 15% do tempo parada, esteve disponível 85%.
Exemplo ilustrativo de uma linha de envase de bebidas num mês: 400 horas de tempo planejado de produção, 38 horas paradas por 19 falhas e 22 horas de setup.
| Indicador | Fórmula | Exemplo (números ilustrativos) |
|---|---|---|
| Tempo parado total | Soma de todas as paradas no período | 38 h (falhas) + 22 h (setup) = 60 h |
| % de downtime | Tempo parado ÷ tempo planejado de produção × 100 | 60 ÷ 400 × 100 = 15% |
| Disponibilidade (visão OEE) | (Tempo planejado − tempo parado) ÷ tempo planejado | 340 ÷ 400 = 85% |
| MTTR | Tempo total parado por falha ÷ número de falhas | 38 ÷ 19 = 2,0 h |
| MTBF | Tempo de operação ÷ número de falhas | 340 ÷ 19 ≈ 17,9 h |
| Disponibilidade por MTBF e MTTR | MTBF ÷ (MTBF + MTTR) | 17,9 ÷ 19,9 ≈ 90% |
As duas disponibilidades estão certas. A conta por MTBF e MTTR só enxerga as falhas, então dá 90%. A conta pelo tempo parado total inclui as 22 horas de setup e dá 85%. Diga sempre qual delas está reportando. O guia de disponibilidade física x operacional detalha essa distinção, e o verbete de disponibilidade traz a definição base.
Aqui o MTTR considera o tempo da parada inteira, da linha parar até ser liberada. Se a sua empresa mede só o reparo ativo, o MTTR fica menor e não fecha com o downtime. Os dois jeitos existem; o erro é misturar. Veja as definições completas em indicadores de manutenção: MTBF, MTTR e disponibilidade.
Onde o downtime entra no OEE?
O downtime derruba o primeiro fator do OEE, a disponibilidade. OEE = disponibilidade × desempenho × qualidade. No exemplo, uma disponibilidade de 85% já limita o OEE a 85%, mesmo que a linha rode na velocidade nominal e sem refugo.
Antes de comparar números, confira quais paradas a sua empresa tira do tempo planejado e quais conta como perda. Essa convenção está explicada em como calcular o OEE.
Por que o reparo é a menor parte de uma parada?
Porque uma parada não planejada tem várias etapas antes e depois do conserto, e quase todas são espera.
Exemplo ilustrativo: a enchedora de uma linha de envase numa fábrica de bebidas para por travamento do sistema de transporte de garrafas. A linha ficou 120 minutos parada.
| Etapa | O que acontece | Minutos | % do total |
|---|---|---|---|
| Detecção | Operador percebe, tenta destravar sozinho | 6 | 5% |
| Acionamento | Liga para o supervisor, que chama a manutenção pelo rádio | 12 | 10% |
| Deslocamento | Técnico sai de outra área e chega à linha | 12 | 10% |
| Diagnóstico | Identifica o rolamento travado no transportador | 18 | 15% |
| Espera de peça ou liberação | Busca no almoxarifado, bloqueio de energia, liberação de segurança | 30 | 25% |
| Reparo | Troca do rolamento | 24 | 20% |
| Teste e liberação | Teste em vazio, ajuste, liberação pela qualidade | 18 | 15% |
| Total | 120 | 100% |
O reparo levou 24 minutos. Os outros 96 minutos foram detecção, logística, diagnóstico e liberação. Quem mede só o reparo acha que a parada durou 24 minutos e investe no lugar errado. As alavancas aqui são ter o rolamento perto da linha e cortar os 18 minutos de detecção e acionamento.
Como calcular o custo do downtime?
O custo do downtime soma margem perdida, mão de obra ociosa, perdas de material, hora extra e multas por atraso. O conserto costuma ser a parcela menor.
Custo da parada = margem perdida (se a produção não for recuperada) + mão de obra ociosa + perdas de matéria-prima e reprocesso + hora extra de recuperação + custo do reparo + multas ou fretes extras
Não conte duas vezes: se a produção é recuperada em hora extra, entra a hora extra, não a margem perdida.
Exemplo resolvido: a parada de 2 horas na linha de envase
Todos os números abaixo são de exemplo. Troque pelos da sua fábrica.
- Velocidade da linha: 12.000 garrafas por hora.
- Margem de contribuição: R$ 0,25 por garrafa, ou seja, R$ 3.000 por hora de linha.
- Equipe da linha: 8 operadores, custo com encargos de R$ 45 por hora cada.
- Produto perdido no enchimento e descartado: 600 garrafas a R$ 1,10 de custo.
- Reparo: rolamento e horas do técnico, R$ 1.000 no total.
Passo 1. Mão de obra ociosa: 8 operadores × 2 h × R$ 45 = R$ 720.
Passo 2. Perda de material: 600 garrafas × R$ 1,10 = R$ 660.
Passo 3. Custo do reparo: R$ 1.000.
Passo 4, cenário A (produção recuperada em hora extra): 8 operadores × 2 h × R$ 45 × 1,5 (adicional de 50%) = R$ 1.080. Total: 720 + 660 + 1.000 + 1.080 = R$ 3.460, ou R$ 1.730 por hora parada.
Passo 4, cenário B (fábrica no limite, sem como recuperar): 2 h × R$ 3.000 de margem = R$ 6.000 perdidos. Total: 720 + 660 + 1.000 + 6.000 = R$ 8.380, ou R$ 4.190 por hora parada, antes de qualquer multa por atraso de entrega.
Nos dois cenários, o reparo é só 12% a 29% do custo. Por isso o custo do downtime se calcula com os números da produção, não com a nota da peça. Esse valor também ajuda a decidir quando vale atacar um equipamento que falha sempre em vez de só consertar de novo.
Como reduzir o downtime?
Comece pelas paradas que mais somam horas, não pelas mais recentes. Depois ataque as etapas: prevenir a falha, encurtar a resposta e a espera.
1. Faça o Pareto das paradas
Some as horas paradas por equipamento e por motivo no último trimestre. Em geral, poucos equipamentos e poucos motivos concentram a maior parte do tempo. Numa fábrica de ração, peletizadora e caldeira costumam liderar.
2. Ajuste preventiva e preditiva
Para os equipamentos do topo do Pareto, revise o plano de preventiva com base nas falhas reais. Onde a falha dá sinais antes (vibração, temperatura, ruído), use preditiva para trocar o componente numa janela planejada. Assim o downtime não planejado vira planejado, mais curto e barato.
3. Tenha estoque dos sobressalentes críticos
No exemplo da enchedora, a espera de peça foi a maior etapa. Liste as peças cuja falta para a linha e mantenha estoque mínimo delas, perto do ponto de uso quando possível. Um rolamento na prateleira custa menos que meia hora de linha parada.
4. Padronize o setup com SMED
Setup é downtime planejado, e costuma ser grande. A troca rápida separa o que se faz com a máquina rodando (preparar ferramentas, separar embalagem) do que exige máquina parada. Veja o método no verbete de SMED e troca rápida.
5. Analise a causa raiz das paradas repetitivas
Se o mesmo transportador trava toda semana, trocar o rolamento de novo não resolve. Faça análise de causa raiz das falhas que se repetem e confirme o efeito no MTBF do equipamento nos meses seguintes.
6. Abra a OS pelo celular para cortar o acionamento
Detecção e acionamento somaram 18 minutos no exemplo. Quando o operador abre a OS direto do celular, com foto e TAG do equipamento, a manutenção recebe o chamado na hora e já sabe o que levar. Veja como funciona um aplicativo de manutenção no celular.
Quais são os erros comuns ao medir downtime?
- Não registrar paradas curtas. Paradas de 3 ou 5 minutos parecem pequenas, mas 15 por turno viram horas no mês. Defina um limite, registre o que passa dele e some o resto como microparadas.
- Misturar planejado com não planejado. Senão, um mês com mais preventiva parece pior justamente quando está evitando quebras. Reporte os dois separados.
- Medir só o reparo. O tempo de reparo da OS não é o tempo de parada da linha. Use o início e o fim da parada, não o início e o fim do trabalho do técnico.
Como controlar isso no dia a dia
No Sismetro, cada parada pode virar uma ordem de serviço aberta pelo celular, com equipamento, motivo e histórico completo, e os indicadores de MTBF e MTTR saem desses registros sem planilha paralela. Um cliente saiu de 76% para 93% de disponibilidade e reduziu em 25% o custo de manutenção. Se preferir começar pela planilha, use a de indicadores de MTBF, MTTR e disponibilidade.
Quer sair da planilha? No Sismetro, o técnico abre a OS pelo celular assim que a máquina para, e o histórico e indicadores como o MTTR ficam no mesmo lugar.
Perguntas frequentes
O que é downtime?
Downtime é o tempo em que um equipamento ou uma linha fica parado sem produzir quando deveria estar disponível. Em português, também se chama tempo de parada ou tempo de máquina parada.
O que é downtime na manutenção?
Na manutenção, downtime é o tempo de parada por falha ou intervenção, do momento em que o equipamento para até ser liberado. Inclui detecção, acionamento, espera de peça, reparo e teste, não só o conserto.
Como calcular o tempo de máquina parada?
Some a duração de todas as paradas do período, do início da parada até a liberação. Para o percentual, divida esse total pelo tempo planejado de produção e multiplique por 100.
Qual a diferença entre downtime e disponibilidade?
São dois lados da mesma conta. Se o downtime foi de 15% do tempo planejado, a disponibilidade foi de 85%, desde que os dois usem o mesmo tempo planejado e as mesmas paradas.
Setup conta como downtime?
Sim. Setup é downtime planejado: a linha deveria estar disponível e não está produzindo. Ele deve ser registrado separado das falhas para não distorcer o MTTR.
Como calcular o custo do downtime?
Some a margem perdida (ou a hora extra, se a produção for recuperada), a mão de obra ociosa, as perdas de material e reprocesso, o custo do reparo e eventuais multas por atraso. Divida pelas horas paradas para ter o custo por hora.
Referências
- ABNT NBR 5462: Confiabilidade e mantenabilidade — Terminologia.
- ISO 14224: Petroleum, petrochemical and natural gas industries — Collection and exchange of reliability and maintenance data for equipment.
- ISO 22400-2: Automation systems and integration — Key performance indicators (KPIs) for manufacturing operations management — Part 2: Definitions and descriptions.
- NAKAJIMA, Seiichi. Introduction to TPM: Total Productive Maintenance. Productivity Press.
- SHINGO, Shigeo. A Revolution in Manufacturing: The SMED System. Productivity Press.
- Constituição Federal de 1988, art. 7º, inciso XVI (remuneração mínima do serviço extraordinário).
Atualizado em 25 de outubro de 2026.