Um modelo de ordem de serviço de manutenção é o formulário padrão que registra um trabalho de manutenção do pedido ao encerramento: identificação do ativo, tarefa planejada, segurança, apontamentos de horas por técnico, materiais, diagnóstico da falha e aceite. Abaixo estão dois modelos prontos para copiar, uma OS corretiva e uma OS preventiva, já preenchidos com exemplos.
O que cada campo significa e por que existe está explicado em ordem de serviço de manutenção: conteúdo e digitalização. Aqui o foco é prático: o formulário, organizado em blocos, e como ele fica preenchido de verdade.
Modelo de OS corretiva preenchido
O exemplo é hipotético. Um exaustor da secagem numa fábrica de massas começa a vibrar e esquentar no meio da tarde. O operador abre uma solicitação de serviço e a manutenção converte em OS. Copie a estrutura e substitua pelos dados da sua planta.
| Bloco | Campo | Exemplo preenchido |
|---|---|---|
| 1. Identificação | Nº da OS | OS 2026-04817 |
| 1. Identificação | Origem | SS 2026-03102, aberta pelo operador da secagem às 14h25 |
| 1. Identificação | Ativo (TAG) e local | EX-12, exaustor do secador 2, linha de massas curtas |
| 1. Identificação | Tipo de manutenção | Corretiva não planejada |
| 1. Identificação | Prioridade | Alta: equipamento crítico, linha parada |
| 2. Planejamento | Descrição do problema | Vibração e ruído altos no mancal lado polia, carcaça do mancal quente ao toque |
| 2. Planejamento | Equipe prevista | 2 mecânicos e 1 eletricista (bloqueio e teste) |
| 2. Planejamento | Horas estimadas | 3 h |
| 3. Segurança | Bloqueios exigidos | Bloqueio elétrico no CCM 3, gaveta 7; aguardar parada total do rotor |
| 3. Segurança | EPIs e permissões | Luvas, óculos, protetor auricular; trabalho em altura não aplicável |
| 4. Parada | Equipamento parado? | Sim, das 14h20 às 18h05 |
| 6. Diagnóstico | Componente | Rolamento do mancal lado polia |
| 6. Diagnóstico | Modo de falha | Superaquecimento com desgaste das pistas |
| 6. Diagnóstico | Causa | Lubrificação insuficiente: graxeira obstruída |
| 6. Diagnóstico | Ação executada | Troca do rolamento, desobstrução da graxeira, relubrificação e teste de vibração após partida |
| 6. Diagnóstico | Pendências geradas | OS 2026-04822 para verificar as graxeiras dos outros dois exaustores |
| 7. Encerramento | Concluída por | Mecânico responsável, 18h00 |
| 7. Encerramento | Aceite da operação | Líder da secagem, 18h05, equipamento liberado |
| 7. Encerramento | Conferência do PCM | No dia seguinte, OS encerrada sem correções |
Os blocos 4 e 5 (apontamentos e materiais) ficam em tabelas próprias, porque têm várias linhas por OS.
Bloco 4: apontamentos de mão de obra
| Executante | Início | Fim | Horas | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Mecânico 1 | 14h55 | 17h50 | 2h55 | Inclui 30 min aguardando rolamento do almoxarifado |
| Mecânico 2 | 15h10 | 17h50 | 2h40 | |
| Eletricista | 15h00 | 15h20 | 0h20 | Bloqueio e teste de ausência de tensão |
| Eletricista | 17h45 | 17h55 | 0h10 | Desbloqueio e teste de partida |
Bloco 5: materiais consumidos
| Código | Descrição | Quantidade | Origem |
|---|---|---|---|
| ROL-0412 | Rolamento rígido de esferas conforme especificação do mancal | 1 | Almoxarifado |
| GRX-002 | Graxa especificada para o mancal | 0,2 kg | Almoxarifado |
| VED-118 | Retentor do mancal | 2 | Almoxarifado |
O que sai dessa OS: os números
Um modelo bem preenchido permite separar três tempos que costumam ser confundidos:
- Tempo de parada do equipamento: 14h20 às 18h05 = 3h45. É o que entra no cálculo de disponibilidade.
- Tempo de reparo: da chegada do primeiro técnico (14h55) à liberação (18h05) = 3h10. É a base do MTTR.
- Horas-homem: 2h55 + 2h40 + 0h20 + 0h10 = 6h05. É o que entra no custo de mão de obra.
Também aparece o tempo de resposta: a SS foi aberta às 14h25 e o técnico chegou às 14h55, 30 minutos. E aparece um desperdício que só a observação do apontamento revela: meia hora esperando peça. Em uma OS isso parece pouco. Somado em um trimestre, costuma mostrar se o kit de peças críticas está onde deveria.
Listas fechadas para o diagnóstico
O bloco 6 só gera análise se usar listas curtas e iguais para todos. Texto livre produz dezenas de grafias para a mesma coisa. Um ponto de partida, para ser ajustado à sua planta:
| Componente | Modo de falha | Causa |
|---|---|---|
| Rolamento | Desgaste | Lubrificação insuficiente ou excessiva |
| Selo mecânico / vedação | Vazamento | Desalinhamento |
| Acoplamento | Quebra / ruptura | Sobrecarga de operação |
| Correia / corrente | Superaquecimento | Montagem ou ajuste incorreto |
| Motor elétrico | Curto-circuito / isolamento | Contaminação (água, poeira, produto) |
| Sensor / instrumento | Leitura incorreta / sem sinal | Desgaste natural / fim de vida |
| Estrutura / fixação | Folga / afrouxamento | Causa não identificada |
Inclua sempre a opção “causa não identificada”. Ela é melhor que um chute, e a quantidade de OS com essa resposta já é um indicador da qualidade das análises. A ISO 14224 traz taxonomias de equipamentos e modos de falha que ajudam a montar essas listas sem inventar do zero.
Modelo de OS preventiva preenchido
A OS preventiva tem os mesmos blocos de identificação, segurança, apontamentos e encerramento. A diferença está no bloco de execução, que vira um checklist com critério e resultado de cada item. Exemplo hipotético para a preventiva semestral do mesmo exaustor:
| Item | Critério de aceitação | Resultado registrado | Situação |
|---|---|---|---|
| Vibração no mancal lado polia (antes da parada) | Abaixo do nível de alerta da planta | Valor medido e anotado | OK |
| Tensão das correias | Deflexão dentro da faixa do fabricante | Dentro da faixa após ajuste | Ajustado |
| Alinhamento das polias | Desvio dentro da tolerância | Dentro da tolerância | OK |
| Graxeiras dos mancais | Desobstruídas, graxa entrando | Graxeira lado motor obstruída, trocada | Corrigido |
| Rotor e carcaça | Sem acúmulo de produto ou trinca | Acúmulo leve de pó, limpo | Corrigido |
| Fixação da base | Sem folga, parafusos com torque | Sem folga | OK |
A coluna “situação” com três opções (OK, ajustado/corrigido na hora, gerar OS corretiva) é o que transforma a preventiva em fonte de informação. Preventiva com todos os itens “OK” por anos seguidos pode ser espaçada; preventiva que sempre encontra a mesma coisa pede revisão da causa.
Como adaptar o modelo ao seu setor
A base serve para quase toda indústria, mas alguns segmentos pedem campos a mais:
- Alimentos e bebidas: um campo de liberação da qualidade após a intervenção (limpeza, ausência de ferramentas e peças soltas na área de produto) e a indicação de lubrificante grau alimentício quando houver risco de contato. Em auditoria, é esse registro que mostra que a máquina voltou à produção em condição sanitária.
- Usinas e agroindústria sazonal: um campo de período (safra ou entressafra) e o vínculo com o pacote de reforma, para separar o custo da entressafra do custo corrente.
- Serviços terceirizados: empresa executante, número do contrato ou pedido e anexo do relatório do prestador. Sem isso, o serviço vira só uma nota fiscal e some do histórico do ativo.
- Várias plantas ou CNPJs: unidade e centro de custo obrigatórios, com a mesma lista de tipos e causas em todas as unidades, para que os números possam ser comparados.
Resista a criar um modelo diferente para cada área. Campos a mais podem ser opcionais; a estrutura de blocos e as listas de diagnóstico devem ser as mesmas. Quando cada setor tem seu formulário, a análise de falhas da planta inteira fica impossível.
Do papel para o celular
Os dois modelos funcionam em papel. O problema é o que acontece com eles: horários preenchidos de memória no fim do turno, diagnóstico em branco, folha que molha ou some, e alguém que precisa digitar tudo depois para gerar indicador.
No Sismetro, a mesma estrutura vira uma OS digital: o técnico identifica o ativo pelo QR Code, inicia e finaliza os apontamentos na hora, escolhe causa e componente em listas, anexa foto da peça e colhe a assinatura do aceite. O app funciona offline, então dá para registrar também em áreas sem sinal. Para planejar a transição, veja como digitalizar as ordens de serviço.
Quer tirar isso da planilha?O Sismetro junta ordens de serviço, preventivas, estoque e indicadores num só lugar, com app para os técnicos e integração com o ERP Senior.
Regras para o modelo funcionar
- Um ativo por OS. OS para “linha 2” impede saber qual equipamento falhou.
- Apontamento na hora. Início e fim registrados quando acontecem, não no fim do turno.
- Parada separada do reparo. Sempre dois pares de horário: parada do equipamento e trabalho do técnico.
- Material com código. Item sem código não entra no custo nem baixa no estoque.
- Pendência vira nova OS. Nada de “observar na próxima” escrito no campo de observação.
- Bloqueio registrado. Em serviços com energia perigosa, o modelo deve exigir a confirmação do bloqueio e etiquetagem antes de iniciar.
Para começar: imprima ou copie o modelo corretivo, peça para a equipe preencher as próximas dez OS de equipamentos críticos com todos os blocos e revise cada uma com o técnico no dia seguinte. As dúvidas que aparecerem mostram quais campos precisam de lista, de exemplo ou de treinamento antes de padronizar para a planta inteira.
Perguntas frequentes
O que deve ter um modelo de ordem de serviço de manutenção?
Identificação (número, origem, ativo, tipo, prioridade), planejamento da tarefa, requisitos de segurança, horários de parada do equipamento, apontamentos de horas por técnico, materiais com código, diagnóstico com componente, modo de falha e causa, e encerramento com aceite da operação.
OS corretiva e preventiva usam o mesmo modelo?
A estrutura é a mesma, mas o bloco de execução muda. Na corretiva, o foco é o diagnóstico da falha; na preventiva, um checklist com critério de aceitação e resultado de cada item. Usar a mesma base facilita os indicadores.
Quem deve preencher a ordem de serviço?
O planejamento é preenchido pelo PCM ou supervisor. Apontamentos, materiais e diagnóstico são registrados pelo técnico que executou, no momento do serviço. O aceite é da operação e o encerramento final, do PCM.
Posso usar um modelo de OS em Excel?
Pode, para começar. O limite aparece quando é preciso consolidar centenas de OS por mês, calcular indicadores e garantir que os horários foram registrados na hora. Nesse ponto, um sistema com aplicativo evita retrabalho de digitação e perda de dados.