Para calcular o MTTR, some o tempo de todos os reparos de um equipamento no período e divida pelo número de reparos. Cinco corretivas que somaram 14 horas dão um MTTR de 2,8 horas. O cálculo é direto; o que transforma esse número em ferramenta para reduzir parada é saber do que essas 2,8 horas são feitas.
MTTR (Mean Time To Repair) é o tempo médio para reparar um equipamento e devolvê-lo à operação. Ele mede a velocidade de resposta da manutenção depois que a falha aconteceu. A frequência das falhas é assunto do MTBF; os dois juntos explicam a disponibilidade.
Como calcular o MTTR?
MTTR = soma dos tempos de reparo ÷ número de reparos
Exemplo: a enchedora de uma linha de bebidas teve 5 corretivas no mês. As paradas duraram 1,5 h, 3,0 h, 0,8 h, 6,2 h e 2,5 h.
Soma = 1,5 + 3,0 + 0,8 + 6,2 + 2,5 = 14 horas.
MTTR = 14 ÷ 5 = 2,8 horas.
Agora repare na parada de 6,2 horas. Ela sozinha representa 44% do tempo total de reparo do mês. Se você ordenar os cinco tempos (0,8; 1,5; 2,5; 3,0; 6,2), a mediana é 2,5 horas. Quando média e mediana se afastam muito, há um ou dois eventos longos puxando o indicador, e é neles que vale olhar primeiro. Acompanhar a mediana junto com a média é um hábito simples que evita conclusões erradas em meses com poucos eventos.
Onde começa e onde termina o reparo?
Essa é a discussão que mais gera ruído entre manutenção e produção. Existem pelo menos dois relógios possíveis:
- Tempo de reparo: do momento em que o técnico começa a trabalhar até a liberação do equipamento.
- Tempo de parada: do momento em que o equipamento parou até voltar a produzir. Inclui aviso, deslocamento, espera de peça e testes.
A literatura e os fornecedores de software usam nomes diferentes para cada um (alguns chamam o segundo de MDT, tempo médio de parada). O nome importa menos que a regra: escolha um, escreva na definição do indicador e não mude. Melhor ainda, registre na ordem de serviço os horários de cada etapa. Com eles, você calcula qualquer versão e, principalmente, enxerga onde o tempo vai.
Decompondo o MTTR: o exemplo da enchedora
Voltando às 14 horas da enchedora. Com os horários registrados na OS, elas se dividem assim:
| Etapa | Horas no mês | Participação |
|---|---|---|
| Aviso e chegada do técnico | 2,0 | 14% |
| Diagnóstico | 3,5 | 25% |
| Espera de peça | 4,5 | 32% |
| Reparo efetivo | 3,0 | 21% |
| Teste e liberação | 1,0 | 7% |
| Total | 14,0 | 100% (arredondado) |
Só cerca de um quinto do tempo foi de mão na máquina. O resto foi espera e procura. Esse padrão é muito comum, e explica por que cobrar “mais agilidade” dos técnicos raramente reduz o MTTR. Eles já trabalham rápido nas três horas em que estão de fato reparando. O tempo perdido está no almoxarifado, na falta de informação para diagnosticar e no caminho entre a falha e o aviso.
Como reduzir o MTTR na prática
Cada etapa da tabela tem um remédio diferente. Atacar a etapa errada é gastar energia sem mexer no indicador.
Aviso e chegada
- Solicitação de serviço aberta pelo operador no celular, direto para o técnico de plantão, em vez de rádio, ligação para o supervisor e papel no quadro.
- Técnicos distribuídos por área nos horários de pico, e não todos na oficina central.
- Critério claro de quando o operador deve chamar a manutenção, para não perder 20 minutos tentando resolver sozinho uma falha que não é dele.
Diagnóstico
- Histórico do equipamento acessível no local. Ler o QR Code da máquina e ver as últimas cinco OS, com causa e peça trocada, encurta muito a busca. Mais detalhes em QR Code na manutenção.
- Fluxogramas de diagnóstico para as falhas mais frequentes, escritos por quem mais conhece o equipamento.
- Treinamento direcionado: se o diagnóstico do inversor sempre depende do mesmo eletricista, isso é um gargalo de habilidade, não de processo.
Espera de peça
- Revisar quais itens são peças críticas para os equipamentos de maior impacto e garantir estoque mínimo.
- Kits prontos para as falhas recorrentes (selo, rolamentos, retentores e parafusos já separados).
- Almoxarifado com acesso fora do horário comercial, ou ao menos um armário de itens críticos para o turno da noite.
Reparo efetivo
- Troca por módulo: substituir o conjunto (motoredutor, cabeçote, bomba completa) e reparar o componente na bancada, sem a linha parada.
- Ferramentas especiais junto ao equipamento ou em carrinho dedicado.
- Procedimento com torques, folgas e sequência de montagem para evitar retrabalho.
Teste e liberação
- Critério de liberação combinado com a produção (o que precisa ser testado e quem assina), para que o equipamento não fique parado esperando alguém aparecer.
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Quanto vale reduzir o MTTR?
Vamos simular. Digamos que a enchedora tenha 600 horas programadas no mês. Com 14 horas de parada por falha, ela operou 586 horas, e com 5 falhas o MTBF é 586 ÷ 5 = 117,2 horas.
Disponibilidade = MTBF ÷ (MTBF + MTTR) = 117,2 ÷ (117,2 + 2,8) = 117,2 ÷ 120 = 97,7%.
Agora a equipe ataca as duas maiores etapas: a espera de peça cai de 4,5 para 1,0 hora (kits e estoque mínimo revisado) e o diagnóstico cai de 3,5 para 2,0 horas (histórico no celular e fluxograma das falhas mais comuns). O total de reparo passa de 14 para 9 horas, e o MTTR para 9 ÷ 5 = 1,8 hora.
Com o mesmo número de falhas, o tempo operando sobe para 591 horas, o MTBF fica em 118,2 horas e a disponibilidade vai para 118,2 ÷ 120 = 98,5%.
Em percentual parece pouco. Em produção, são 5 horas a mais de linha rodando por mês. Se a linha envasa 20 mil unidades por hora (número de exemplo), são 100 mil unidades a mais. Esse é o argumento que convence a diretoria a pagar por estoque de peças ou por treinamento, e é mais forte que qualquer discussão sobre percentuais. Para fazer essa conta com o custo da sua planta, veja quanto custa uma máquina parada.
Erros comuns no cálculo do MTTR
- Hora preenchida no fim do turno. O técnico lança “2 horas” em tudo porque não lembra. O MTTR vira um número redondo e inútil. O apontamento precisa ser feito na hora, pelo celular.
- OS aberta muito depois da parada. Se a OS só é aberta quando o técnico chega, o tempo de aviso some do indicador. Registre o horário em que o equipamento parou.
- Misturar preventiva no cálculo. Preventiva tem duração planejada e não é reparo de falha. Ela tem seus próprios indicadores, como aderência e cumprimento do plano.
- Média da planta inteira. Um MTTR geral junta troca de fusível com troca de redutor. Calcule por equipamento ou por família e olhe os críticos primeiro.
- Comemorar MTTR baixo com MTBF caindo. Uma equipe muito rápida em consertos repetidos pode estar escondendo uma falha crônica. Se o mesmo modo de falha volta todo mês, o problema é de causa, não de velocidade.
A qualidade do dado de horas é tema próprio, tratado em apontamento de horas na manutenção. Num CMMS como o Sismetro, a OS registra no celular o início e o fim da execução, o que reduz bastante o problema da hora lançada de memória.
Um próximo passo prático: pegue os três equipamentos com mais horas de parada por falha no último trimestre e, nas próximas quatro semanas, peça que as OS corretivas deles registrem os horários de cada etapa (parada, chegada, diagnóstico, peça, reparo, liberação). Com um mês de dados, você monta a tabela de decomposição e descobre se o seu problema é peça, informação ou deslocamento.
Perguntas frequentes
Qual a fórmula do MTTR?
MTTR é a soma dos tempos de reparo dividida pelo número de reparos no período. Se cinco corretivas somaram 14 horas, o MTTR é 2,8 horas. O ponto crítico é definir onde o reparo começa e termina, e manter esse critério fixo.
O MTTR inclui o tempo de espera por peça?
Depende do critério da empresa, e por isso vale registrar os dois tempos. O tempo de reparo puro mede a execução técnica. O tempo total de parada, que inclui espera por peça e por técnico, mede o impacto na produção e costuma ser chamado de tempo médio de parada.
Qual é um bom valor de MTTR?
Não existe referência universal, porque o MTTR depende do tipo de equipamento e da falha. Trocar um sensor leva minutos; trocar um redutor grande leva horas. Compare o mesmo equipamento ao longo do tempo e olhe também a mediana, que sofre menos com eventos isolados.
Reduzir o MTTR melhora a disponibilidade?
Sim. Com o mesmo número de falhas, cada hora a menos de reparo é uma hora a mais de equipamento apto a operar. Mas reduzir o MTTR não reduz o número de falhas, então ele deve ser acompanhado junto com o MTBF.