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Como medir o desempenho da equipe de manutenção

Medir o desempenho da equipe de manutenção é acompanhar, com poucos indicadores, se o trabalho planejado está sendo executado, com qualidade, no prazo e com segurança. Os melhores indicadores são os que a equipe consegue influenciar diretamente e que não incentivam atalhos, como fechar OS sem resolver o problema ou escolher só os serviços fáceis.

O erro mais comum é medir a equipe pela disponibilidade da fábrica. A disponibilidade depende da equipe, mas também do projeto do equipamento, da qualidade da operação, da peça que compras trouxe e da parada que a produção negou. Cobrar o técnico por um número que ele controla só em parte gera frustração ou maquiagem de dado.

Três camadas de indicadores

Separar os indicadores em camadas ajuda a não misturar responsabilidade:

  • Resultado do ativo: disponibilidade, MTBF, MTTR, custo. Mostram como os equipamentos estão. São responsabilidade da gestão como um todo.
  • Processo da manutenção: aderência à programação, cumprimento da preventiva, backlog. Mostram se o sistema de planejamento e execução funciona. São responsabilidade do PCM e dos supervisores.
  • Execução da equipe: retrabalho, tempo de resposta, qualidade do registro, segurança. São os que a equipe de execução controla mais diretamente.

Para a pergunta “como está a equipe?”, as camadas 2 e 3 dizem mais do que a camada 1.

Quais indicadores medem o desempenho da equipe de manutenção?

Indicador Fórmula Cuidado na leitura
Aderência à programação OS programadas executadas na semana ÷ OS programadas Se cai, veja os motivos: falta de peça e equipamento não liberado não são culpa do técnico
Cumprimento da preventiva Preventivas executadas no prazo ÷ preventivas previstas Preventiva fechada sem execução real infla o número; faça auditoria por amostragem
Retrabalho Corretivas no mesmo equipamento e modo de falha em até 30 dias após uma intervenção ÷ intervenções Defina o prazo e o critério antes; senão vira discussão caso a caso
Tempo de resposta a emergência Média de tempo entre abertura da solicitação e início do atendimento Só funciona se o horário de abertura for registrado no momento, não depois
Qualidade do registro OS corretivas com causa, horas e peças preenchidas ÷ OS corretivas fechadas Medir por amostragem semanal de 10 a 20 OS já dá uma boa leitura
Segurança Acidentes, quase-acidentes reportados, desvios em inspeção de segurança Mais quase-acidentes reportados pode ser sinal bom: a equipe confia para relatar

A aderência à programação é o indicador que melhor resume a disciplina da equipe e do PCM juntos. Vale a pena lê-la sempre acompanhada da lista de motivos de não execução.

Um exemplo de leitura

Imagine uma equipe de mecânica de uma fábrica de ração com os seguintes números de um mês (dados ilustrativos):

  • OS programadas: 164; executadas na semana programada: 118. Aderência de 72%.
  • Das 46 não executadas: 19 por falta de peça, 14 por equipamento não liberado, 8 por emergências que consumiram a equipe e 5 sem justificativa registrada.
  • Intervenções corretivas: 58; retornos no mesmo modo de falha em 30 dias: 7. Retrabalho de 12%.
  • Amostra de 20 OS: 13 com causa, horas e peças completas. Qualidade de registro de 65%.

A leitura apressada seria “a equipe executou só 72%”. A leitura correta: de 46 OS não executadas, apenas 5 dependem diretamente da equipe. O problema principal está no planejamento de materiais e na negociação de janelas com a produção. Já o retrabalho de 12% e o registro de 65% são da equipe e merecem conversa: quais foram os sete retornos, foi falha de montagem, peça errada, diagnóstico incompleto?

Wrench time: medir sem transformar em caça ao técnico

Wrench time é a parcela do tempo pago em que o técnico está efetivamente executando serviço. O resto vai para deslocamento, espera por peça, espera pela liberação do equipamento, busca de ferramenta, procura de informação. Em plantas reativas, essa parcela costuma ser bem menor do que o gestor imagina.

A forma usual de medir é por amostragem: um observador registra, em horários aleatórios ao longo de alguns dias, o que cada técnico está fazendo naquele instante, em categorias predefinidas. Com algumas centenas de observações, as proporções ficam razoavelmente estáveis.

O resultado quase sempre aponta para o processo, não para a pessoa: técnico esperando no almoxarifado, técnico indo e voltando da oficina porque a OS não dizia qual ferramenta levar. Por isso, avise a equipe antes, explique o objetivo e mostre o resultado. Se a medição for percebida como fiscalização, o comportamento muda durante a observação e o dado perde valor.

Indicadores individuais: o que funciona e o que destrói

Medir técnico por número de OS fechadas é uma das ideias que mais estragam equipes. O técnico experiente que pega a falha difícil e passa dois dias nela fica “pior” que o colega que fechou 15 trocas de lâmpada. Em pouco tempo, ninguém quer pegar o serviço difícil.

Critérios que funcionam melhor na avaliação individual:

  • Retrabalho nas intervenções feitas pela pessoa.
  • Qualidade dos registros nas OS dela.
  • Cumprimento das regras de segurança, verificado em campo.
  • Evolução na matriz de habilidades e disposição para ensinar.
  • Contribuição em análises de falha e sugestões de melhoria.

Parte disso é qualitativa, e está tudo bem. O supervisor que acompanha a equipe de perto consegue avaliar com critério, desde que os critérios sejam conhecidos por todos com antecedência.

A base de todos esses números é a OS bem registrada. Num CMMS como o Sismetro, o técnico aponta início e fim da OS pelo celular, e a aderência, o cumprimento da preventiva e o histórico por executante saem das próprias ordens. Sem isso, cada indicador vira um trabalho de planilha no fim do mês, sujeito a erro. Vale ler também apontamento de horas na manutenção.

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Como conduzir a conversa de resultado com a equipe

Um quadro com números na parede não muda comportamento. A conversa muda. Um formato que costuma funcionar é uma reunião semanal de 20 minutos com cada turno ou especialidade:

  1. Mostrar os números da semana em uma única tela ou folha: aderência, retrabalho, qualidade de registro, segurança.
  2. Comentar um ou dois casos concretos: a OS que voltou, a OS exemplar em registro.
  3. Ouvir a equipe sobre as barreiras: o que atrapalhou a execução na semana. Muita informação de processo aparece aqui.
  4. Fechar uma ou duas ações com responsável, que serão verificadas na semana seguinte.

Reconhecimento também entra na conversa. Mostrar o técnico que encontrou uma falha em inspeção e evitou uma parada ensina mais sobre o que é valorizado do que qualquer meta.

Erros comuns

  • Indicadores demais. Doze números na reunião semanal fazem ninguém prestar atenção em nenhum.
  • Meta sem considerar a capacidade. Exigir 95% de aderência de uma equipe com backlog de dez semanas é pedir maquiagem.
  • Bônus atrelado a indicador fácil de manipular. Se o bônus depende do cumprimento da preventiva, a preventiva vai ser “cumprida” no sistema.
  • Comparar equipes com realidades diferentes. O turno da noite, com equipe menor e mais emergência, não pode ter a mesma régua do turno administrativo.
  • Medir e não agir. Se o motivo “falta de peça” aparece todo mês e nada muda, a equipe para de acreditar no processo.

Próximo passo: escolha três indicadores desta lista, um de processo e dois de execução, defina como calcular cada um e comece a mostrar para a equipe na semana que vem, mesmo que os dados ainda estejam imperfeitos. A própria conversa vai revelar onde o registro precisa melhorar.

Perguntas frequentes

Quais indicadores medem o desempenho da equipe de manutenção?

Os mais úteis são aderência à programação, cumprimento do plano preventivo, retrabalho, tempo de resposta a emergências, qualidade do registro das OS e segurança. Indicadores de equipamento, como MTBF e disponibilidade, mostram o resultado do sistema todo e não só da equipe.

Devo medir o desempenho individual de cada técnico?

Com cuidado. Indicadores individuais por quantidade de OS fechadas incentivam escolher serviço fácil e fechar OS sem resolver. Para avaliação individual, funcionam melhor critérios de qualidade, como retrabalho, qualidade de registro, segurança e evolução na matriz de habilidades.

O que é wrench time?

É a parcela do tempo pago em que o técnico está de fato executando o serviço, com a ferramenta na mão. O restante vai para deslocamento, espera por peça, liberação de equipamento e informação. Medir isso por amostragem mostra perdas de processo, não falta de esforço da equipe.

Com que frequência apresentar os indicadores para a equipe?

Semanalmente para os indicadores de execução, como aderência e retrabalho, e mensalmente para tendências. O mais importante é que a equipe veja os números com regularidade e entenda o que cada um significa.

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