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Modelo de plano de manutenção (com exemplo preenchido)

Um modelo de plano de manutenção é uma tabela padronizada em que cada linha é uma tarefa planejada para um equipamento, com o que fazer, critério de aceitação, frequência, condição da máquina, quem executa, quanto tempo leva, materiais, cuidados de segurança e a origem da tarefa. Abaixo está um modelo pronto para copiar, já preenchido com um exemplo, e a explicação de como preencher cada coluna.

O modelo serve para planos novos e para arrumar planos herdados. Ele não substitui o raciocínio técnico de escolher as tarefas certas, que está em como montar o plano de manutenção preventiva. O que ele faz é garantir que toda tarefa tenha as mesmas informações, para que possa ser programada, executada e revisada sem depender da memória de ninguém.

Cabeçalho do plano

Antes da tabela de tarefas, o plano precisa de um cabeçalho. Parece burocracia, mas é ele que responde, daqui a dois anos, quem aprovou e qual versão está valendo.

Campo Exemplo preenchido
Unidade / planta Fábrica de ração, unidade 2
Área ou linha Moagem, peletização e expedição
Responsável técnico pelo plano Coordenador de manutenção
Revisão Rev. 03
Data da revisão Data da última aprovação
Aprovado por Gerente industrial
Próxima revisão prevista Junto com o orçamento anual

Modelo de plano de manutenção preenchido

O exemplo é hipotético: uma fábrica de ração com moinho de martelos, peletizadora, transportador de correia, compressor de ar e balança rodoviária. As frequências e durações são ilustrativas. Copie a estrutura e substitua pelos dados dos seus equipamentos, do manual do fabricante e do seu histórico.

Nº TAG e equipamento Crit. Tarefa e critério de aceitação Tipo Gatilho e frequência Condição Executante (qtd.) Duração (h) Materiais e segurança Origem
01 CP-01 Compressor de ar parafuso A Registrar pressão de descarga e temperatura do óleo; drenar condensado. Abrir OS se temperatura acima do limite do manual Inspeção Calendário: diária Em operação Operador (1) 0,1 Nenhum material Manual do fabricante
02 CP-01 Compressor de ar parafuso A Trocar óleo, filtro de óleo, filtro de ar e elemento separador. Conferir ausência de vazamento após partida Preventiva Horímetro: a cada 4.000 h Parado e bloqueado Mecânico (1) 3,0 Kit de filtros e óleo especificado; bloqueio elétrico e despressurização Manual do fabricante
03 MM-01 Moinho de martelos A Medir vibração nos mancais e comparar com a tendência. Abrir OS se ultrapassar o nível de alerta definido Preditiva Calendário: quinzenal Em operação Mecânico (1) 0,3 Coletor de vibração Histórico: duas falhas de rolamento em 2025
04 MM-01 Moinho de martelos A Inverter ou trocar martelos abaixo da espessura mínima; inspecionar peneira e pinos Preventiva Horímetro: a cada 500 h Parado e bloqueado, rotor imobilizado Mecânico (2) 2,5 Jogo de martelos e pinos; aguardar parada total do rotor Histórico de desgaste
05 PL-01 Peletizadora, motor principal A Medir corrente por fase e temperatura de carcaça. Desequilíbrio acima do limite da planta gera OS Inspeção elétrica Calendário: mensal Em operação Eletricista (1) 0,3 Alicate amperímetro, termômetro infravermelho Criticidade
06 TC-03 Transportador de correia B Lubrificar mancais dos tambores com a graxa especificada, quantidade definida por ponto Lubrificação Calendário: mensal Parado e bloqueado (sem pontos remotos) Lubrificador (1) 0,5 Graxa especificada; bloqueio Plano de lubrificação
07 TC-03 Transportador de correia B Inspecionar alinhamento da correia, raspadores e emenda. Correia tocando a estrutura gera OS Inspeção Calendário: semanal Em operação, sem acesso a partes móveis Mecânico (1) 0,2 Nenhum material Histórico de rasgos de correia
08 BR-01 Balança rodoviária A Calibração com massas padrão por laboratório externo; anexar certificado Calibração Calendário: conforme procedimento da qualidade Fora de uso durante o serviço Terceiro (1 equipe) 4,0 Certificado anexado à OS Qualidade e exigência metrológica
09 VP-02 Reservatório de ar comprimido A Inspeção de segurança periódica por profissional habilitado, conforme NR-13 Legal Calendário: prazo da NR-13 para a categoria do vaso Parado para exame interno Terceiro habilitado 6,0 Relatório de inspeção anexado NR-13

Repare que o mesmo equipamento aparece em mais de uma linha. Isso é proposital: cada tarefa tem frequência, executante e condição próprias. Juntar “inspeção diária” e “troca de filtros a cada 4.000 h” numa linha só é o caminho mais curto para uma delas ser esquecida.

Como preencher cada coluna

Coluna Como preencher Erro comum
TAG e equipamento Código único do cadastro, seguido do nome Usar “compressor da expedição”, que muda de nome conforme quem fala
Criticidade A, B ou C, conforme a matriz da planta Tudo marcado como A
Tarefa e critério Verbo de ação, o que medir e o limite que separa OK de abrir OS “Verificar estado geral”
Tipo Inspeção, lubrificação, preventiva, preditiva, calibração, legal Tudo como “preventiva”, o que impede medir cada bloco
Gatilho e frequência Calendário, horímetro, ciclos ou produção, com o valor Usar calendário para equipamento com regime de uso muito variável
Condição Em operação ou parado, e qual tipo de bloqueio Não informar, e o técnico só descobrir no campo que precisa de parada
Executante Especialidade e número de pessoas Indicar nome da pessoa, que muda de turno ou sai da empresa
Duração Horas por execução, por pessoa Chutar e nunca revisar com o tempo real das OS
Materiais e segurança Peças, lubrificante, ferramenta especial, bloqueios, permissão Deixar para o técnico descobrir na hora
Origem Manual, histórico de falha, norma, análise de confiabilidade Ficar vazio, e ninguém saber se a tarefa pode ser alterada

Duas colunas pedem cuidado extra. A criticidade só ajuda se seguir um critério escrito; o método está no verbete de criticidade de ativos. E o gatilho define quando a OS nasce. Para equipamentos que trabalham em regime irregular, como moinhos que param conforme a demanda, o horímetro evita preventiva de mais nos meses fracos e de menos nos meses de pico. A lógica completa está em como definir a frequência da preventiva.

Quantas horas esse plano consome?

Com o plano preenchido, dá para calcular a carga anual de cada tarefa: horas por execução × pessoas × execuções por ano. Supondo que o compressor e o moinho operem cerca de 5.000 horas por ano:

  • Tarefa 02 (filtros do compressor): 5.000 ÷ 4.000 = 1,25 execução por ano × 3 h × 1 pessoa = 3,75 h.
  • Tarefa 03 (vibração do moinho): 26 execuções × 0,3 h = 7,8 h.
  • Tarefa 04 (martelos): 5.000 ÷ 500 = 10 execuções × 2,5 h × 2 pessoas = 50 h.
  • Tarefa 07 (inspeção do transportador): 52 × 0,2 h = 10,4 h.

Só essas quatro linhas somam cerca de 72 horas de mecânica por ano, e a tarefa 04 sozinha responde por quase 70% delas. É esse tipo de leitura que o modelo permite: descobrir onde está o peso do plano e se vale, por exemplo, trocar martelos por condição medida em vez de horas fixas. Somando todas as linhas da planta por especialidade e comparando com as horas disponíveis, você sabe se o plano cabe na equipe antes de publicar o cronograma. Essa checagem de carga contra capacidade aparece com mais detalhe no plano mestre de manutenção.

Do modelo para o cronograma e para as OS

A tabela diz o que fazer e com que frequência. Ela ainda não diz em que semana. O passo seguinte é distribuir as tarefas de calendário no ano, equilibrando a carga semanal, como mostra o modelo de cronograma de manutenção preventiva. As tarefas por horímetro entram no cronograma como previsão, ajustada a cada leitura.

Na planilha, esse passo é manual e costuma ser onde o plano morre: alguém precisa olhar a tabela toda semana e lembrar de abrir as OS. Num sistema como o Sismetro, cada linha do modelo vira um plano cadastrado no ativo e a ordem de serviço é gerada automaticamente quando a frequência ou a leitura do horímetro vence. O modelo continua útil como documento de revisão e aprovação, e a execução deixa de depender de alguém lembrar.

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Como adaptar o modelo para a sua planta

  • Agroindústria sazonal: acrescente uma coluna “período” (safra, entressafra, ano todo). Tarefas pesadas com parada vão para a entressafra; inspeções ficam na safra.
  • Indústria de alimentos: na coluna de materiais, indique quando o lubrificante precisa ser grau alimentício e quando a tarefa exige liberação da qualidade antes do retorno à produção.
  • Várias plantas: mantenha o mesmo modelo e a mesma lista de tipos em todas as unidades. Só assim os indicadores podem ser comparados.
  • Equipe enxuta: inclua uma coluna “pode ir para o operador?” e marque inspeções simples que podem migrar para a rotina da produção.

Erros ao usar modelos prontos

Modelo baixado da internet resolve o formato, não o conteúdo. Os problemas mais frequentes:

  • Copiar tarefas genéricas. “Lubrificar equipamento mensalmente” serve para tudo e para nada.
  • Preencher todas as linhas no mesmo dia, para todos os ativos. O resultado é um plano enorme, sem revisão, que ninguém consegue executar. Comece pelos ativos A.
  • Esquecer as tarefas legais e de calibração. Elas ficam em outra planilha, com outro dono, e vencem sem ninguém ver.
  • Nunca comparar a duração estimada com a real. Depois de três execuções, a duração do modelo deveria refletir o que as OS registraram.

Para começar hoje: copie o modelo, escolha os três equipamentos mais críticos da área que você conhece melhor e preencha todas as tarefas que existem para eles, venham de onde vierem. Se alguma coluna ficar vazia, anote o que falta descobrir. Esse primeiro bloco preenchido vira referência para o resto da planta.

Perguntas frequentes

O que deve ter um modelo de plano de manutenção?

Para cada tarefa: equipamento identificado pela TAG, criticidade, descrição com critério de aceitação, tipo, gatilho e frequência, condição da máquina, executante e quantidade de pessoas, duração, materiais, cuidados de segurança e origem da tarefa. O plano também precisa de cabeçalho com revisão e aprovação.

Posso usar o mesmo modelo para preventiva, lubrificação e calibração?

Pode e deve. Uma coluna de tipo separa os blocos para medição e evita que tarefas de lubrificação, calibração e exigências legais fiquem em planilhas paralelas, com donos diferentes e vencimentos esquecidos.

Qual a diferença entre plano de manutenção e cronograma?

O plano define o que fazer em cada equipamento e com que frequência. O cronograma distribui essas tarefas nas semanas do ano, considerando a capacidade da equipe e as paradas programadas da produção.

De quanto em quanto tempo revisar o plano?

Uma revisão completa por ano é um bom padrão, de preferência junto com o orçamento. Revise antes sempre que um equipamento crítico falhar com a preventiva em dia ou quando a duração real das tarefas ficar muito diferente da estimada.

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