Matriz de criticidade de equipamentos é uma ferramenta que classifica cada ativo pelo risco que a sua falha representa, combinando a gravidade da consequência (segurança, meio ambiente, qualidade, produção, custo) com a probabilidade de a falha acontecer. O resultado costuma ser uma classe, A, B ou C, que orienta onde concentrar preventiva, inspeção, estoque de peças e atenção da equipe.
Sem essa classificação, tudo é urgente e nada é prioritário. A preventiva da empilhadeira concorre com a do compressor de amônia, a peça do redutor da esteira de embalagem disputa espaço no almoxarifado com a do equipamento que para a planta, e a decisão de qual OS atender primeiro depende de quem grita mais alto. A criticidade de ativos é a base de quase toda decisão de prioridade na manutenção.
Quais critérios usar na matriz de criticidade
Os critérios mais usados na indústria e na agroindústria são estes. Use os que fazem sentido para a planta, sem inventar dez categorias:
- Segurança e meio ambiente: a falha pode ferir alguém, causar vazamento de produto perigoso ou impacto ambiental?
- Qualidade e segurança do alimento: a falha pode gerar produto fora de especificação, contaminação ou perda de lote?
- Produção: a falha para a planta, uma linha, reduz capacidade ou não tem efeito? Existe reserva instalada ou alternativa?
- Custo e tempo de reparo: quanto custa e quanto demora para restabelecer, incluindo prazo de peça?
- Probabilidade de falha: com que frequência esse equipamento falha, pelo histórico ou pela experiência da equipe?
Os quatro primeiros descrevem consequência. O último, probabilidade. Separar as duas coisas é o que transforma a matriz numa avaliação de risco, e não numa lista de opiniões.
Modelo de matriz de criticidade (consequência x probabilidade)
Um modelo simples, que funciona na maioria das plantas, usa duas escalas de 1 a 5.
Escala de consequência
Avalie cada critério de consequência de 1 a 5 e use a maior nota entre eles. Não some nem tire média: uma falha com consequência grave de segurança não fica menos grave porque o custo de reparo é baixo.
| Nota | Produção | Segurança, meio ambiente, qualidade |
|---|---|---|
| 1 | Sem efeito na produção | Sem efeito |
| 2 | Perda pequena, há reserva ou alternativa | Efeito menor, contido na área |
| 3 | Reduz capacidade de uma linha | Retrabalho de produto, ocorrência sem lesão |
| 4 | Para uma linha ou setor | Perda de lote, lesão leve, vazamento contido |
| 5 | Para a planta ou o gargalo | Risco de lesão grave, vazamento de produto perigoso, risco à segurança do alimento |
Escala de probabilidade
| Nota | Frequência de falha (referência) |
|---|---|
| 1 | Sem falha conhecida em vários anos |
| 2 | Uma falha a cada poucos anos |
| 3 | Cerca de uma falha por ano |
| 4 | Várias falhas por ano |
| 5 | Falha todo mês ou mais |
Classificação
Índice de criticidade = consequência × probabilidade, de 1 a 25. As faixas sugeridas:
- Classe A: índice de 15 a 25, ou qualquer equipamento com consequência 5 em segurança, meio ambiente ou segurança do alimento.
- Classe B: índice de 8 a 14.
- Classe C: índice de 1 a 7.
Existe também o modelo por pontos ponderados, em que cada critério recebe um peso e as notas são somadas. Ele é comum em empresas que herdaram a matriz de uma consultoria. Funciona, desde que segurança tenha uma regra de exceção, porque na soma ponderada um equipamento perigoso, mas barato e confiável, pode terminar com pontuação baixa. Se a sua planta já usa pesos e a equipe confia no resultado, não troque de modelo só por trocar; acrescente a exceção e siga em frente.
A regra de exceção para segurança é importante. Um equipamento que falha raramente, mas cuja falha pode ferir alguém, não pode ficar em classe C só porque a conta deu baixa.
Exemplo de matriz de criticidade num frigorífico
Exemplo hipotético de um frigorífico de bovinos, com seis equipamentos avaliados pelo time de manutenção e produção:
| Equipamento | Consequência (maior nota) | Probabilidade | Índice | Classe |
|---|---|---|---|---|
| Compressor de amônia da casa de máquinas | 5 (segurança) | 2 | 10 | A (exceção de segurança) |
| Túnel de congelamento | 4 (produção e qualidade) | 4 | 16 | A |
| Serra de carcaça da linha de abate | 5 (para a linha inteira) | 3 | 15 | A |
| Esteira da embalagem secundária | 2 (há alternativa manual) | 4 | 8 | B |
| Bomba de água gelada com reserva instalada | 2 | 3 | 6 | C |
| Empilhadeira (uma de uma frota de seis) | 1 | 3 | 3 | C |
Dois pontos para observar. O compressor de amônia teve índice 10, que pela conta seria classe B, mas a consequência de um vazamento de amônia leva à classe A pela regra de exceção. Os cuidados específicos com esse sistema estão em manutenção de refrigeração por amônia. E a bomba de água gelada ficou em C não porque seja pouco importante para o processo, mas porque existe reserva instalada. Se a reserva estiver desmontada há seis meses esperando peça, a classificação é falsa, e isso precisa ser revisto.
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O que muda na manutenção conforme a classe
A matriz só vale se a classe mudar alguma coisa na rotina. Uma referência de tratamento por classe:
| Aspecto | Classe A | Classe B | Classe C |
|---|---|---|---|
| Estratégia | Preventiva e inspeção por condição, análise de falhas obrigatória | Preventiva básica e inspeção sensitiva | Corretiva aceita, cuidados básicos de lubrificação e limpeza |
| Prioridade de OS corretiva | Atendimento imediato | No dia ou na programação da semana | Na programação, conforme capacidade |
| Peças | Sobressalentes críticos em estoque | Estoque de itens de giro | Compra sob demanda |
| Indicadores | MTBF, MTTR e disponibilidade acompanhados individualmente | Acompanhados por grupo | Só custo |
A classe também alimenta a priorização diária das ordens de serviço, como mostrado em como priorizar ordens de serviço, e a decisão de quais itens manter em estoque, tema de peças críticas.
Como conduzir a classificação sem virar briga
- Comece pela árvore de ativos. Classifique no nível de equipamento (a bomba, o compressor), não no nível de linha nem de componente.
- Escreva as escalas antes da reunião, com exemplos da própria planta para cada nota.
- Classifique com produção, segurança e qualidade na sala. Se a manutenção classificar sozinha, a produção não vai reconhecer o resultado.
- Use o histórico para a probabilidade, e a experiência do time só onde não houver dado.
- Confira a distribuição no final. Se mais da metade dos equipamentos virou A, as escalas estão frouxas ou houve pressão para classificar tudo como crítico. A matriz que não discrimina não serve para priorizar.
- Revise uma vez por ano, e sempre que houver mudança relevante: equipamento novo, reserva instalada, mudança de processo.
Num CMMS como o Sismetro, a classe de criticidade fica no cadastro do equipamento e pode ser usada para filtrar planos, ordens de serviço e indicadores, o que evita que a matriz fique numa planilha separada que ninguém consulta na hora de programar.
Erros comuns
- Somar notas de critérios diferentes. Somar segurança com custo e produção dilui a consequência mais grave. Use a maior nota ou trate segurança como exceção.
- Classificar pelo preço do equipamento. Equipamento caro não é necessariamente crítico; a bomba pequena e sem reserva pode parar mais a planta do que a centrífuga cara com reserva.
- Esquecer a redundância real. Reserva que não funciona não é reserva.
- Fazer uma vez e esquecer. A planta muda, e a matriz de três anos atrás pode estar priorizando o equipamento errado.
Com os equipamentos classe A definidos, o passo natural seguinte é aprofundar a análise deles com um FMEA de equipamento.
Próximo passo: escolha uma área da planta com 20 a 30 equipamentos, escreva as escalas com exemplos locais e faça a classificação numa reunião de duas horas com manutenção, produção e segurança. Antes de expandir para o resto da planta, confira se a distribuição de classes faz sentido.
Perguntas frequentes
Como fazer uma matriz de criticidade de equipamentos?
Defina critérios de consequência (segurança, qualidade, produção, custo) e uma escala de probabilidade de falha. Para cada equipamento, use a maior nota de consequência, multiplique pela probabilidade e classifique em A, B ou C por faixas, com exceção para riscos graves de segurança.
Quantos equipamentos devem ser classe A?
Não existe número fixo, mas se a maior parte dos equipamentos ficar em classe A, a matriz não está ajudando a priorizar. Em geral, a classe A reúne uma parcela menor de ativos que concentra o maior risco.
Qual a diferença entre criticidade e prioridade de OS?
Criticidade é uma característica do equipamento, revisada periodicamente. Prioridade é uma característica de cada ordem de serviço e combina a criticidade do equipamento com a gravidade e urgência da situação naquele momento.
Com que frequência revisar a matriz de criticidade?
Pelo menos uma vez por ano e sempre que houver mudança relevante, como equipamento novo, mudança de processo, instalação ou perda de reserva.