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Manutenção de difusor em usina de açúcar

A manutenção de difusor em usina de açúcar e etanol cuida do equipamento que extrai o caldo da cana desfibrada por lavagens sucessivas em contracorrente, em vez de esmagamento: corrente de arraste e acionamento, fundo perfurado, bombas de caldo, aquecimento, estrutura e as moendas de secagem que tiram a umidade do bagaço na saída. O objetivo é manter a extração e evitar paradas longas, que no difusor custam caro.

Muita usina que trocou moenda por difusor esperou menos manutenção, e em parte conseguiu: o esforço mecânico é bem menor que o de seis ternos esmagando cana. O que pega desprevenido é outro tipo de problema. Corrosão, entupimento, corrente alongando devagar e uma dependência grande do preparo da cana.

Como o difusor funciona, do ponto de vista da manutenção

A cana bem desfibrada forma um leito que avança lentamente sobre um fundo perfurado, puxado por correntes com arrastadores. Caldo e água quente são aspergidos sobre o leito e percolam através dele, sendo recolhidos em compartimentos sob o fundo e bombeados para o estágio anterior. No fim, o bagaço sai encharcado e passa por rolos ou moendas de secagem antes de seguir para as caldeiras.

Daí saem os grupos de ativos que a manutenção precisa enxergar separadamente:

  • corrente de arraste, arrastadores, rodas dentadas, eixos e acionamento;
  • fundo perfurado (telas ou chapas) e estrutura do corpo do difusor;
  • bombas de recirculação de caldo de cada estágio, tubulações e aspersores;
  • aquecimento do caldo (trocadores ou injeção de vapor, conforme o projeto) e instrumentação de temperatura e nível;
  • dispositivos que revolvem ou descompactam o leito, presentes em vários modelos;
  • descarga do bagaço e moendas ou rolos de secagem.

Montar a árvore de ativos nessa lógica ajuda muito. Registrar tudo como “difusor” faz o histórico virar uma lista sem sentido de OS genéricas.

Modos de falha mais comuns

Corrente e acionamento

A corrente alonga com o desgaste de pinos e buchas, num ambiente quente, úmido e com bagacilho abrasivo. Corrente alongada engrena mal nas rodas dentadas, aumenta o desgaste dos dentes e, no limite, rompe ou salta. Elos e arrastadores também quebram por fadiga ou por travamento do leito. Acionamento sobrecarregado costuma ser sintoma, não causa: o leito está pesado, a corrente está prendendo ou há material acumulado.

Fundo perfurado

Furos entupidos reduzem a drenagem, o caldo não atravessa o leito e o difusor “inunda”. A extração cai e a carga sobre o acionamento sobe. Furos alargados por desgaste, ao contrário, deixam passar bagacilho para os compartimentos e para as bombas.

Bombas de caldo

São bombas centrífugas trabalhando com caldo quente e sólidos. Os problemas típicos são desgaste de rotor e voluta, falha de selo mecânico, entupimento de sucção e cavitação quando o nível do compartimento cai. Uma bomba de estágio parada desequilibra o perfil de lavagem inteiro. O artigo sobre manutenção de bombas centrífugas cobre o básico desses equipamentos.

Corrosão e incrustação

Caldo quente e levemente ácido ataca chapas, soldas, telas e tubulações. A corrosão avança devagar e só aparece de verdade na entressafra, quando dá para olhar por dentro. Nos trocadores de aquecimento, a incrustação reduz a troca térmica e a temperatura do leito cai. Veja manutenção de trocadores de calor.

Preparo e secagem

O difusor depende de células abertas. Martelos e bigorna do desfibrador gastos pioram o preparo, o leito perde permeabilidade e todos os problemas acima aumentam. Na outra ponta, moendas de secagem com rolos gastos entregam bagaço úmido para a caldeira. Os dois extremos do difusor são equipamentos pesados, com lógica parecida à da manutenção de moenda.

Por que parada no difusor custa mais do que parece

Na moenda, uma parada curta interrompe o fluxo e, resolvido o problema, a moagem volta. No difusor há um volume grande de cana e caldo dentro do equipamento. Parada longa com o leito cheio favorece perdas de açúcar por contaminação, a retomada exige cuidado com temperatura e nível, e a extração leva um tempo para estabilizar.

Por isso a regra prática é diferente: no difusor, vale mais investir em detecção cedo e em peças de reposição prontas (bombas, selos, elos, rodas dentadas) do que em correr atrás de reparo rápido. Um selo de bomba com reserva montada na prateleira resolve em uma hora o que, sem reserva, pode levar um turno.

Rotina de inspeção durante a safra

Uma rotina que funciona em muitas usinas tem quatro blocos, cada um com valor de referência registrado:

  1. Acionamento e corrente: corrente e pressão do acionamento, ruído, temperatura de mancais e redutores, comportamento da corrente nas rodas dentadas.
  2. Leito e drenagem: sinais de inundação, níveis dos compartimentos, temperatura por estágio.
  3. Bombas: pressão de descarga, vazamento em selos, vibração e temperatura de mancais. Uma rota de inspeção sensitiva curta, feita todo turno, pega a maioria dos problemas.
  4. Preparo e secagem: estado de martelos e bigorna do desfibrador, corrente e temperatura das moendas de secagem.

Nas paradas programadas da safra entram troca de martelos do desfibrador, limpeza de telas acessíveis, troca de selos e rotores com sinal de desgaste, inspeção visual de arrastadores e correção de vazamentos.

Medindo o alongamento da corrente: exemplo

A medição é simples e quase ninguém registra de forma comparável. Marque trechos fixos da corrente e meça sempre o mesmo número de passos. O alongamento é:

Alongamento (%) = (comprimento medido − comprimento nominal) / comprimento nominal × 100

Exemplo hipotético: 8 passos com comprimento nominal de 1.600 mm. Na última entressafra, o trecho mediu 1.614 mm (0,9%). Agora mediu 1.627 mm, ou seja, (1.627 − 1.600) / 1.600 × 100 = 1,7%. Se o fabricante indica troca a partir de 2,5%, e o ritmo se mantiver, a corrente ainda passa uma safra, mas a compra precisa entrar no orçamento da próxima. Rodas dentadas costumam ser avaliadas junto: corrente nova em roda gasta dura menos.

Num CMMS como o Sismetro, esse tipo de medição pode ficar registrado na ordem de serviço de inspeção do ativo “corrente do difusor”, e o histórico das safras fica disponível para quem planejar a próxima parada, mesmo que o encarregado tenha mudado.

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O que fazer no difusor durante a entressafra

A organização da parada da usina está no guia de manutenção na entressafra. No difusor, o escopo costuma incluir:

  • medição de alongamento da corrente e inspeção de rodas dentadas, eixos e mancais;
  • limpeza completa e inspeção do fundo perfurado, com troca das seções desgastadas ou corroídas;
  • inspeção de espessura e de soldas da estrutura e dos compartimentos;
  • revisão das bombas de caldo (rotor, voluta, selo, mancais) com prioridade pelas que mais falharam na safra;
  • limpeza e teste dos trocadores de aquecimento;
  • revisão do desfibrador e das moendas de secagem.

Quase todo esse trabalho acontece dentro do equipamento ou sob ele. Trate como espaço confinado (NR-33), com bloqueio do acionamento, das bombas e do vapor antes de qualquer entrada. Resíduos de caldo e bagaço fermentando podem alterar a atmosfera interna, por isso a medição precisa ser feita antes da entrada e repetida durante o serviço.

Peças que valem estar na prateleira

A lista varia com o modelo, mas alguns itens aparecem em quase todo difusor e justificam análise como peça crítica: selos mecânicos e rotores das bombas de caldo (de preferência com uma bomba completa montada como reserva), elos e pinos da corrente, arrastadores, seções de tela do fundo, rolamentos e mancais do acionamento e martelos do desfibrador. Para cada item, defina a quantidade mínima com base no consumo da safra anterior e no prazo de entrega. Peça usada na safra precisa ter reposição disparada no mesmo dia, ou a reserva acaba na segunda falha.

Próximo passo

Antes do fim da safra, separe as ordens de serviço do difusor por subconjunto (corrente, telas, bombas, aquecimento, preparo, secagem) e some as horas paradas de cada um. Em seguida, marque os trechos de medição da corrente e defina quem mede, com qual instrumento e onde o valor fica guardado. Esses dois passos dão base para a lista da entressafra e para comparar uma safra com a outra.

Perguntas frequentes

O difusor dá menos manutenção que a moenda?

Em geral, a carga mecânica é menor e mais distribuída, o que reduz o desgaste pesado típico dos rolos de moenda. Mas o difusor tem pontos próprios (corrente, fundo perfurado, bombas de caldo, corrosão) e depende de equipamentos que continuam pesados, como o desfibrador e as moendas de secagem.

Como medir o desgaste da corrente do difusor?

Meça o comprimento de um número fixo de passos, sempre nos mesmos trechos marcados, e compare com o comprimento nominal. O alongamento em porcentagem mostra a evolução do desgaste de pinos e buchas, e o limite para troca deve vir do fabricante da corrente.

Por que o preparo da cana afeta a manutenção do difusor?

O difusor depende de células abertas e de um leito permeável. Com martelos e bigorna do desfibrador gastos, o preparo piora, a percolação cai e aparecem inundação do leito e sobrecarga em bombas e acionamento. Parte da confiabilidade do difusor está no desfibrador.

O interior do difusor é espaço confinado?

Na maior parte das intervenções internas, sim: acesso limitado, possibilidade de atmosfera inadequada por fermentação de resíduos e risco de energias perigosas. Aplique os controles da NR-33, com bloqueio de acionamentos, bombas e vapor antes da entrada.

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