O índice de preventiva é a parcela do trabalho da manutenção dedicada a tarefas antecipadas (preventiva e preditiva) em relação ao total. A forma mais confiável de calcular é por horas apontadas: horas em preventiva e preditiva divididas pelo total de horas da equipe no período. O complemento, em geral, é a corretiva, e a relação entre os dois mostra se a equipe trabalha por planejamento ou por reação.
É um dos indicadores mais citados em reunião de manutenção e um dos mais fáceis de manipular sem querer. A seguir estão as três bases de cálculo, um exemplo que mostra como elas divergem, a discussão sobre meta e os cuidados para que o número reflita a realidade.
Como calcular o índice de preventiva?
Existem três bases possíveis. Escolha uma e não misture.
- Por horas: horas apontadas em preventiva e preditiva ÷ horas totais apontadas. Mostra onde está o esforço da equipe. É a recomendada.
- Por quantidade de OS: número de OS preventivas e preditivas ÷ número total de OS. Mais fácil de obter, mas distorce, porque uma preventiva de 30 minutos pesa igual a uma corretiva de dois dias.
- Por custo: custo de preventiva e preditiva ÷ custo total de manutenção. Útil para orçamento, mas depende de rateio de mão de obra e da forma como as peças são apropriadas.
Exemplo: o mesmo mês, três números diferentes
Uma indústria de alimentos fechou o mês com 2.600 horas apontadas pela equipe de manutenção, distribuídas assim:
| Tipo de trabalho | Horas | % das horas | Quantidade de OS |
|---|---|---|---|
| Preventiva | 940 | 36,2% | 430 |
| Preditiva e inspeção | 210 | 8,1% | 90 |
| Corretiva programada | 650 | 25,0% | 120 |
| Corretiva emergencial | 520 | 20,0% | 110 |
| Melhorias e modificações | 280 | 10,8% | 30 |
| Total | 2.600 | 100% | 780 |
Com esses dados:
- Índice de preventiva por horas = (940 + 210) ÷ 2.600 = 1.150 ÷ 2.600 = 44,2%.
- Índice de preventiva por OS = (430 + 90) ÷ 780 = 520 ÷ 780 = 66,7%.
- Trabalho planejado por horas (tudo menos a corretiva emergencial) = 2.080 ÷ 2.600 = 80,0%.
- Corretiva total por horas = (650 + 520) ÷ 2.600 = 45,0%.
O mesmo mês pode ser apresentado como “44% de preventiva”, “67% de preventiva” ou “80% de trabalho planejado”. Os três estão corretos. O que não pode é a planta A reportar por OS, a planta B por horas, e a diretoria comparar as duas.
Repare também na diferença entre 44,2% e 66,7%. Preventivas costumam ser muitas e curtas (lubrificação, inspeção, troca de filtro); corretivas são menos numerosas e mais longas. Por isso o índice por OS quase sempre parece melhor do que a realidade do esforço da equipe.
Por que separar a corretiva em programada e emergencial
No exemplo, a corretiva soma 45% das horas, o que parece ruim. Mas 650 dessas horas foram corretiva programada: defeitos encontrados em inspeção ou preventiva, reparados com peça separada, data combinada com a produção e equipamento liberado. Isso é o sistema funcionando.
A corretiva que dói é a emergencial: 520 horas de “parou, vai agora”. É ela que desmonta a programação, gera hora extra e compra urgente. Um índice que junta as duas esconde a melhor notícia do mês (a inspeção achando defeito antes da quebra) dentro da pior.
Por isso muitas empresas acompanham dois números lado a lado: o índice de preventiva, que mede o esforço antecipado, e o percentual de corretiva emergencial, que mede o quanto a equipe ainda é pautada pelas falhas. O segundo é o mais sensível para mostrar evolução. A distinção entre os dois mundos é tema do artigo sobre manutenção planejada x não planejada.
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Qual meta usar?
A referência mais repetida no setor é algo como 80% de trabalho planejado e 20% reativo. Ela tem valor como direção, mas não é lei, e copiar a meta sem olhar o ponto de partida costuma dar em frustração ou em número maquiado.
Algumas orientações mais úteis do que um número mágico:
- Parta do seu histórico. Se a corretiva emergencial está em 40% das horas, uma meta de 30% em doze meses é ambiciosa e possível. Pular direto para 20% leva a reclassificar OS, não a reduzir falhas.
- Defina a meta para os críticos primeiro. O índice da planta inteira mistura o compressor de amônia com a bomba do jardim. Comece medindo o índice nos equipamentos classificados como A na criticidade de ativos.
- Amarre a meta a um resultado. Índice de preventiva subindo precisa vir acompanhado de MTBF subindo nos mesmos equipamentos. Se não vier, a preventiva não está prevenindo.
Quando o índice engana: um caso comum
Um caso hipotético, mas muito parecido com o que se vê em campo. Uma fábrica decide que precisa “sair da corretiva” e estabelece meta de 60% de preventiva. O PCM cadastra dezenas de planos novos: limpeza trimestral de todos os motores, reaperto semestral de todos os painéis, inspeção mensal de todas as bombas. Em um ano, o índice sobe de 30% para 55%.
A corretiva emergencial, porém, quase não cai. Analisando as falhas, descobre-se que elas se concentravam em poucos equipamentos críticos, cujos modos de falha (desgaste de selo por funcionamento a seco, desalinhamento de acoplamento, contaminação do óleo de redutor) não eram atacados por nenhuma das tarefas novas. A equipe estava gastando horas em preventiva de equipamentos que não falhavam.
O ajuste foi cortar parte das tarefas genéricas, criar tarefas específicas para os modos de falha reais dos críticos e rever a periodicidade com base no histórico. O índice caiu um pouco e as falhas começaram a cair de verdade. O caminho para fazer isso de forma estruturada passa pela definição da frequência da preventiva e, nos ativos mais críticos, por ferramentas como FMEA e RCM.
Cuidados para o número ser confiável
- Classificação na abertura da OS. O tipo da OS (preventiva, preditiva, corretiva programada, corretiva emergencial, melhoria) precisa ser definido por regra, não pelo humor de quem abre.
- Defeito achado em preventiva vira nova OS. Se a inspeção encontra um rolamento ruim e o técnico troca ali mesmo, lançando tudo na OS preventiva, o reparo some do índice. Abra uma corretiva programada vinculada, mesmo que seja executada na hora.
- Horas reais, não horas planejadas. Copiar a duração estimada do plano para o apontamento faz a preventiva parecer sempre igual. O apontamento precisa refletir o tempo gasto.
- Corretiva que o operador resolve também conta. Se as pequenas corretivas feitas pela operação não são registradas, a corretiva fica subestimada e o índice de preventiva parece melhor do que é.
- Melhorias à parte. Modificação de projeto, instalação nova e apoio a obra não são preventiva nem corretiva. Deixe em categoria própria para não distorcer nenhum dos lados.
Todos esses pontos dependem do apontamento de horas por OS. Num CMMS como o Sismetro, o tipo da OS e as horas apontadas pelo celular alimentam o indicador diretamente, e as preventivas saem do plano com tipo já definido, o que elimina boa parte da classificação manual.
Como apresentar o índice para a gestão
Em vez de um único percentual, um gráfico de barras empilhadas por mês, com as cinco categorias da tabela do exemplo, conta a história inteira em uma imagem. Ao lado, o MTBF dos dez equipamentos mais críticos. Se as barras de preventiva crescem e a linha do MTBF sobe, o plano está funcionando. Se as barras crescem e a linha fica parada, é hora de revisar o conteúdo das preventivas, não a quantidade.
Próximo passo prático: tire do sistema as horas apontadas dos últimos três meses, classifique nas cinco categorias acima e calcule o índice por horas e por OS. Se a diferença entre os dois passar de 15 pontos, apresente sempre por horas a partir de agora e explique a mudança uma vez, com os dois números lado a lado.
Perguntas frequentes
Como se calcula o índice de preventiva?
A forma mais usada é dividir as horas apontadas em preventiva e preditiva pelo total de horas apontadas pela equipe no período. Também é possível calcular por quantidade de OS ou por custo, mas cada base dá um resultado diferente e elas não devem ser misturadas.
Qual a meta ideal de preventiva x corretiva?
A referência mais repetida é ter cerca de 80% do trabalho planejado e 20% reativo. Ela serve como direção, não como regra. A meta da sua planta deve partir do número atual e evoluir junto com a redução de falhas nos equipamentos críticos.
Corretiva programada conta como preventiva?
Não como preventiva, mas conta como trabalho planejado. Uma falha detectada na inspeção e reparada de forma programada é um bom resultado, porque evitou uma parada emergencial. Por isso vale separar a corretiva em programada e emergencial.
Um índice de preventiva alto é sempre bom?
Não. Se o índice sobe e o MTBF dos equipamentos críticos não melhora, a preventiva pode estar nos lugares errados ou com tarefas que não previnem os modos de falha reais. O índice mede esforço, não resultado.