Análise de óleo é o ensaio de laboratório de uma amostra do lubrificante em uso para avaliar três coisas: a condição do próprio óleo, a contaminação que entrou no sistema e o desgaste interno do equipamento. Na manutenção, ela permite trocar o óleo pela condição (e não só por calendário) e identificar desgaste de engrenagens, rolamentos e bombas antes da falha.
É uma das técnicas preditivas com melhor relação entre custo e informação, porque o custo por amostra é baixo e o laboratório faz a parte pesada. O problema quase nunca está no laboratório. Está na coleta mal feita, na amostra sem identificação e no laudo que chega com “atenção” e ninguém sabe o que fazer com ele.
O que a análise de óleo mostra?
Os ensaios se dividem em três grupos. A tabela traz os mais comuns em equipamentos industriais.
| Parâmetro | Grupo | O que indica |
|---|---|---|
| Viscosidade a 40 °C | Condição do óleo | Aumento: oxidação, contaminação com óleo mais viscoso. Queda: diluição, cisalhamento, óleo errado na reposição |
| Número de acidez (TAN) | Condição do óleo | Oxidação e degradação do lubrificante |
| Elementos de aditivo (zinco, fósforo, cálcio e outros) | Condição do óleo | Consumo de aditivos ou mistura com outro produto |
| Água (Karl Fischer, em ppm) | Contaminação | Vedação com falha, condensação, entrada por lavagem ou respiro |
| Silício | Contaminação | Poeira e terra entrando pelo respiro ou pelas vedações |
| Contagem de partículas (código ISO 4406) | Contaminação | Limpeza do óleo; muito usada em sistemas hidráulicos |
| Ferro, cobre, chumbo, estanho, cromo, alumínio | Desgaste | Desgaste de engrenagens, rolamentos, buchas, componentes de bomba, conforme a metalurgia do equipamento |
| Índice PQ ou ferrografia | Desgaste | Presença de partículas ferrosas maiores, que a espectrometria convencional enxerga mal |
O código ISO 4406 aparece em três números (por exemplo, 18/16/13), que representam faixas de quantidade de partículas maiores que 4, 6 e 14 micrômetros por mililitro de óleo. Cada número a menos significa, grosso modo, metade das partículas. Em hidráulicos com servoválvulas ou válvulas proporcionais, o fabricante costuma especificar o código máximo aceitável.
Um detalhe sobre os metais: o laboratório informa o valor, mas quem sabe de onde ele vem é a manutenção. Cobre num redutor pode ser gaiola de rolamento ou bucha de bronze. Num trocador de calor com tubos de cobre, pode ser corrosão. Por isso é útil informar ao laboratório o tipo de equipamento e, se possível, a metalurgia dos principais componentes.
Como coletar a amostra sem estragar o resultado
Uma amostra ruim gera um laudo errado, que gera uma decisão errada. O procedimento abaixo vale para a maioria dos redutores, hidráulicos e compressores.
- Defina um ponto fixo de coleta para cada equipamento, de preferência uma válvula de amostragem instalada na linha de retorno ou num ponto de circulação, antes do filtro. Sempre o mesmo ponto.
- Colete com o equipamento em operação ou logo depois de parar, com o óleo ainda quente e homogêneo.
- Nunca colete pelo dreno do fundo com o equipamento parado há horas. Ali está a borra, não o óleo em uso.
- Purgue o ponto antes de encher o frasco, descartando um volume para limpar a linha.
- Use frasco limpo fornecido pelo laboratório e feche imediatamente.
- Identifique a amostra: TAG do equipamento, data, horas de uso do óleo, horas do equipamento, tipo de óleo e se houve reposição de nível desde a última troca.
- Envie rápido. Amostra esquecida na bancada por duas semanas perde parte do valor, principalmente para avaliação de água.
Na prática, a coleta deve ser uma tarefa de plano, com OS programada e responsável, como qualquer preventiva. Num CMMS como o Sismetro, a coleta pode sair de um plano periódico que gera a OS automaticamente, e o resultado do laudo registrado nessa OS fica no histórico do ativo para comparação com as coletas seguintes.
Como interpretar: tendência, não foto
Um valor isolado diz pouco. O que interessa é a variação entre coletas sucessivas do mesmo ponto, com o mesmo óleo. Veja um exemplo hipotético de um redutor de acionamento de moenda, com coletas trimestrais na safra:
| Coleta | Silício (ppm) | Ferro (ppm) | Água (ppm) | Viscosidade a 40 °C |
|---|---|---|---|---|
| 1ª | 7 | 38 | 180 | dentro da faixa |
| 2ª | 9 | 45 | 210 | dentro da faixa |
| 3ª | 32 | 96 | 230 | dentro da faixa |
A viscosidade e a água estão estáveis, então o óleo em si não é o problema. O silício saltou, e o ferro dobrou logo em seguida. A leitura mais provável é entrada de poeira (respiro saturado ou vedação danificada) causando desgaste abrasivo nas engrenagens e rolamentos. A ação certa é verificar respiro e vedações, trocar o respiro comum por um respiro com filtro dessecante, filtrar ou trocar o óleo e recoletar em 30 dias para ver se o ferro estabiliza. Se a causa for ignorada e só o óleo for trocado, o silício volta a subir em poucos meses.
Os limites de alerta vêm de três fontes: o fabricante do equipamento, o laboratório (que costuma ter limites por tipo de equipamento) e a própria tendência. Para viscosidade, muitos laboratórios usam alerta quando o valor se afasta cerca de 10% do nominal do óleo e alarme por volta de 20%. Confirme os critérios com o seu laboratório.
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Em quais equipamentos a análise de óleo compensa?
- Redutores de grande porte, como os de moenda, esteiras principais, misturadores e extrusoras. Detalhes em manutenção de redutores.
- Sistemas hidráulicos, onde contaminação por partículas e água é a principal causa de falha de bombas e válvulas. Veja manutenção hidráulica.
- Compressores de ar parafuso e compressores de refrigeração.
- Turbinas a vapor e geradores, comuns na cogeração de usinas.
- Transformadores, com ensaios específicos para óleo isolante, incluindo a análise de gases dissolvidos, que é um mundo à parte.
Em equipamentos pequenos, com pouco óleo e troca barata, a análise raramente compensa: trocar o óleo por tempo sai mais em conta.
Indústria de alimentos e lubrificante H1
Em frigoríficos e fábricas de alimentos, os equipamentos com risco de contato incidental com o produto usam lubrificante grau alimentício H1. A análise funciona igual. O ponto de atenção costuma ser a água: lavagem com alta pressão, condensação em áreas frias e higienização diária forçam a entrada de umidade em redutores e mancais. Uma rotina de análise mostra se as vedações estão segurando. Mais sobre o tema em lubrificante grau alimentício H1.
Erros comuns
- Trocar óleo pelo laudo e não tratar a causa. Contaminação volta se o respiro e as vedações continuarem iguais.
- Mudar o ponto de coleta. Cada ponto dá um resultado diferente. Trocar o ponto quebra a tendência.
- Não informar reposições. Completar o nível com óleo novo dilui os metais e mascara o desgaste.
- Misturar lubrificantes. Reposição com o óleo errado aparece na viscosidade e nos aditivos e pode comprometer o equipamento. Identificação clara nos pontos de lubrificação evita boa parte disso.
- Laudo sem dono. Defina quem lê, quem decide e em quanto tempo a OS de correção é aberta.
Para começar
Escolha cinco equipamentos com mais de 50 litros de óleo e impacto relevante na produção, instale válvulas de amostragem em cada um e faça a primeira coleta como referência. Programe as coletas seguintes como OS de plano, trimestrais, e, depois de três resultados, sente com o laboratório para definir limites de alerta específicos. A partir daí, a análise de óleo entra no programa de manutenção preditiva da planta junto com as outras técnicas.
Perguntas frequentes
O que a análise de óleo detecta?
Detecta três coisas: a condição do próprio lubrificante (viscosidade, oxidação, aditivos), a contaminação (água, poeira, outro fluido) e o desgaste interno do equipamento, pelos metais e partículas presentes no óleo. Com isso, permite trocar o óleo pela condição e identificar defeitos antes da falha.
Com que frequência fazer análise de óleo?
Depende da criticidade e do regime de operação. Em redutores e sistemas hidráulicos críticos, a coleta trimestral é um ponto de partida comum, ajustado depois pela tendência. Quando um parâmetro começa a piorar, a frequência deve aumentar até a causa ser corrigida.
Qual o erro mais comum na coleta de amostra de óleo?
Coletar pelo dreno do fundo do cárter, com o equipamento parado há horas. A amostra fica cheia de borra e partículas depositadas e não representa o óleo que está circulando. A coleta deve ser sempre no mesmo ponto, com o equipamento em operação ou logo após a parada.
Análise de óleo serve para equipamento da indústria de alimentos com lubrificante H1?
Sim. Os parâmetros são os mesmos, e o lubrificante grau alimentício também se degrada e se contamina. Em ambientes com lavagem frequente, a contaminação por água costuma ser o principal ponto de atenção.