Guia da Manutenção › Artigos

NBR 5462: os termos de confiabilidade que todo PCM usa

A NBR 5462 é a norma brasileira da ABNT que define os termos de confiabilidade e mantenabilidade, como falha, pane, defeito, confiabilidade, mantenabilidade, disponibilidade e os tipos de manutenção. A edição de 1994 segue vigente e é a referência quando um contrato, uma auditoria ou um procedimento interno precisa dizer exatamente o que significa “falha” ou “manutenção preventiva”. Para o PCM, ela é o dicionário que evita discussões intermináveis sobre o que conta no MTBF.

A norma tem centenas de termos, a maioria com origem no vocabulário internacional da IEC. Este artigo trata dos que aparecem toda semana numa reunião de manutenção. As definições abaixo são paráfrases para facilitar a leitura; para citar em documento formal, use a redação exata da norma. O texto é orientação e não substitui a consulta à norma vigente.

Item e função requerida: os dois termos que sustentam o resto

Quase todas as definições da norma começam com “item”. Para a NBR 5462, item é qualquer parte, componente, dispositivo, subsistema, unidade funcional, equipamento ou sistema que possa ser considerado individualmente. Ou seja, o rolamento é um item, o redutor é um item e a moenda inteira também é. Por isso todo indicador precisa dizer de qual item está falando.

O outro termo é função requerida: a função (ou conjunto de funções) considerada necessária para o item prestar o serviço esperado. Uma bomba que entrega 80% da vazão de projeto falhou ou não? Depende de qual vazão foi definida como requerida. Sem essa definição, a mesma ocorrência vira falha para a produção e “funcionando” para a manutenção.

Falha, pane e defeito: qual a diferença?

Esses três termos são usados como sinônimos no chão de fábrica, e é aí que os indicadores começam a mentir.

Termo Ideia central na NBR 5462 Exemplo
Defeito Qualquer desvio de uma característica do item em relação aos requisitos. Pode não afetar a função. Correia transportadora com emenda começando a descolar, ainda transportando
Falha Evento: o término da capacidade do item de desempenhar a função requerida. A emenda abre e a correia para
Pane Estado: o item está incapaz de desempenhar a função requerida (excluídas paradas planejadas e falta de recursos externos). A correia fica parada aguardando nova emenda

Na prática, a distinção decide o que entra na conta. Uma OS aberta por defeito (emenda descolando) não é falha e não deveria reduzir o MTBF. Uma parada por falta de energia da concessionária deixa o item indisponível, mas a norma exclui a falta de recursos externos da definição de pane. E uma preventiva planejada também não é pane. Se o sistema conta tudo isso como “falha”, o MTBF da correia fica artificialmente baixo e a manutenção leva a culpa por coisas que não são dela.

Confiabilidade, mantenabilidade e disponibilidade

A NBR 5462 trata os três conceitos como capacidades do item, com medidas associadas.

  • Confiabilidade: capacidade de um item desempenhar uma função requerida sob condições definidas, durante um intervalo de tempo definido. A palavra-chave é “condições”: um motor confiável a 30 °C pode não ser a 50 °C.
  • Mantenabilidade: capacidade de um item ser mantido ou recolocado em condições de executar suas funções, quando a manutenção é feita em condições determinadas e com procedimentos e meios prescritos. É uma característica de projeto e de organização: acesso, padronização de peças, ferramental, procedimentos.
  • Disponibilidade: capacidade de um item estar em condições de executar a função em um instante ou durante um intervalo, levando em conta confiabilidade, mantenabilidade e suporte de manutenção.

A norma também define suporte de manutenção (a capacidade da organização de prover os recursos necessários: pessoas, peças, ferramentas) e reúne tudo sob o termo dependabilidade. Esse último aparece pouco no Brasil, mas ajuda a explicar para a diretoria que disponibilidade baixa nem sempre é culpa do equipamento. Às vezes é falta de peça no almoxarifado.

Como medir cada um está no guia de indicadores de manutenção, e a discussão sobre qual disponibilidade usar está em disponibilidade física x operacional.

Os tipos de manutenção segundo a NBR 5462

A norma define os tipos de manutenção de um jeito um pouco diferente do que circula nos cursos e nos fornecedores:

  • Manutenção preventiva: efetuada em intervalos predeterminados ou de acordo com critérios prescritos, para reduzir a probabilidade de falha ou a degradação do item.
  • Manutenção corretiva: efetuada após a ocorrência de uma pane, para recolocar o item em condições de executar a função requerida.
  • Manutenção controlada: o termo da norma para o que o mercado chama de manutenção preditiva. Usa técnicas de análise e supervisão sistemática para reduzir a preventiva ao mínimo necessário e diminuir a corretiva.
  • Manutenção programada e não programada: a primeira segue um programa preestabelecido; a segunda não. Uma corretiva pode ser programada (o defeito foi detectado e o reparo foi agendado para a parada de domingo).

Repare que a norma não usa “corretiva planejada” como tipo próprio; ela combina corretiva com programada. Termos como manutenção detectiva, por oportunidade ou autônoma vêm de outras escolas (RCM, TPM) e não são da NBR 5462. Não há problema em usá-los, desde que a empresa defina o que cada um significa. A comparação completa está em tipos de manutenção.

Causa, mecanismo e os tempos da manutenção

Dois pares de termos ajudam muito na análise de falhas:

  • Causa da falha: as circunstâncias de projeto, fabricação ou uso que levaram à falha.
  • Mecanismo de falha: o processo físico, químico ou outro que levou à falha (fadiga, corrosão, desgaste abrasivo).

Separar os dois evita a OS que diz “causa: desgaste”. Desgaste é mecanismo; a causa é o que fez o desgaste acontecer antes do previsto (lubrificante errado, desalinhamento, contaminação). Essa mesma separação é a base da codificação da ISO 14224.

A norma também decompõe o tempo de indisponibilidade em parcelas, como o tempo de manutenção ativa e os atrasos administrativos e logísticos. É a distinção que separa “o técnico demorou” de “a peça demorou”. Um exemplo hipotético: um redutor de esteira de bagaço fica 14 horas parado. A manutenção ativa (desmontar, trocar o rolamento, montar, testar) levou 5 horas. As outras 9 foram espera pelo rolamento que não estava no estoque e pela liberação da área. Se o MTTR registrado for 14 horas, a ação vai ser “treinar a equipe”, quando o problema é estoque e fluxo de liberação.

Como usar a NBR 5462 no seu sistema de manutenção

  1. Escreva um glossário interno de uma página com os termos que entram nos seus indicadores, baseado na norma. Falha, pane, defeito, corretiva, preventiva, programada.
  2. Ajuste os tipos de OS para refletir esses conceitos. Uma OS de defeito não deve ser classificada como falha.
  3. Registre os tempos separados na OS corretiva: início da pane, início da manutenção ativa, fim do reparo, liberação.
  4. Defina regras de cálculo dos indicadores com base nas definições: o que entra no MTBF, o que é excluído da disponibilidade.
  5. Treine quem fecha OS. A melhor definição não adianta se o técnico escolhe o primeiro tipo da lista.

Num CMMS como o Sismetro, plataforma de gestão de manutenção e serviços com evidência, os tipos de OS e os apontamentos de tempo podem ser configurados para seguir essas definições, e os indicadores de MTBF, MTTR e disponibilidade passam a ser calculados com regra clara. O valor está menos no cálculo e mais em todo mundo concordar com o que está sendo medido.

Quer tirar isso da planilha?O Sismetro junta ordens de serviço, preventivas, estoque e indicadores num só lugar, com app para os técnicos e integração com o ERP Senior.

Agendar demonstração ou teste grátis por 15 dias

Quando a discussão sobre um número de MTBF virar briga entre manutenção e produção, volte à definição. Na maior parte das vezes, as duas áreas estão contando coisas diferentes com o mesmo nome. A investigação de cada evento segue o roteiro de análise de falhas.

Perguntas frequentes

A NBR 5462 ainda está em vigor?

A edição é de 1994 e consta como vigente, com confirmações periódicas pela ABNT ao longo dos anos. Confirmação significa que o comitê revisou o texto e decidiu mantê-lo. Antes de citá-la em contrato ou procedimento, confira o status no catálogo oficial da ABNT.

Qual a diferença entre falha e pane na NBR 5462?

Falha é o evento: o momento em que o item deixa de conseguir desempenhar a função requerida. Pane é o estado em que o item fica depois disso, incapaz de cumprir a função. Uma falha leva a uma pane; o reparo tira o item da pane.

O que a NBR 5462 chama de manutenção controlada?

É o termo da norma para o que o mercado chama de manutenção preditiva: manutenção que usa técnicas de análise e acompanhamento sistemático da condição para reduzir a preventiva ao necessário e diminuir a corretiva.

Defeito é a mesma coisa que falha?

Não. Defeito é qualquer desvio de uma característica do item em relação aos requisitos, e pode não impedir o funcionamento. Uma bomba com vazamento leve no selo tem defeito, mas ainda bombeia. Se nada for feito, o defeito pode evoluir para falha.

Próximo passo: pegue o cálculo de MTBF que a sua planta usa hoje e escreva, em uma frase, o que conta como falha. Se a frase não bater com a definição da norma, ajuste a regra antes de discutir a meta.

Quer ver isso funcionando na sua operação?

O Sismetro organiza ordens de serviço, preventivas, estoque de peças e indicadores como MTBF e MTTR em um só lugar, com app para os técnicos e integração com o ERP Senior. Feito para indústria e agroindústria.

Prefere conversar agora? Chame a gente no WhatsApp.

Continue lendo no Guia da Manutenção

Nossa equipe está pronta para ajudar.

Nossa equipe está pronta para ajudar.