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Inspeção de vasos de pressão: prazos e registros

A inspeção de vasos de pressão pela NR-13 segue prazos máximos que dependem da categoria do vaso (de I a V) e de a empresa ter ou não um Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos (SPIE). Sem SPIE, os exames externos vão de 1 a 5 anos e os internos de 3 a 10 anos, conforme a categoria. Além dos prazos, a norma exige inspeção inicial antes da operação, inspeções extraordinárias em situações específicas e registros que contem a história do equipamento.

O artigo sobre NR-13 apresenta a norma como um todo e o caso das caldeiras. Aqui o foco é o trabalho de quem precisa transformar dezenas de vasos espalhados pela planta em um calendário de inspeção que não falha. Os prazos seguem a redação dada pela Portaria MTP nº 1.846/2022; o texto é orientação prática e não substitui a norma vigente nem o Profissional Legalmente Habilitado (PLH) responsável pelas inspeções.

Como descobrir a categoria de um vaso de pressão?

A categoria sai do cruzamento de duas informações.

1. Classe do fluido. A NR-13 define quatro classes:

  • Classe A: fluidos inflamáveis, combustíveis com temperatura igual ou superior a 200 °C, tóxicos com limite de tolerância igual ou inferior a 20 ppm, hidrogênio e acetileno.
  • Classe B: combustíveis abaixo de 200 °C e tóxicos com limite de tolerância acima de 20 ppm.
  • Classe C: vapor de água, gases asfixiantes simples e ar comprimido.
  • Classe D: outros fluidos.

2. Grupo de potencial de risco. Calculado pelo produto P.V, com P em MPa (pressão máxima de operação) e V em m³ (volume interno). Grupo 1: acima de 100. Grupo 2: de 30 a 100. Grupo 3: de 2,5 a 30. Grupo 4: de 1 a 2,5. Grupo 5: abaixo de 1. Atenção à unidade: para definir se o vaso está no escopo da norma, o P.V usa kPa; para o grupo de risco, usa MPa.

Classe do fluido Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4 Grupo 5
A I I II III III
B I II III IV IV
C I II III IV V
D II III IV V V

Dois exemplos numéricos

Reservatório de ar comprimido (exemplo): pressão máxima de operação de 1,0 MPa (cerca de 10 bar) e volume de 2 m³. P.V = 2,0, grupo 4. Ar comprimido é classe C. Resultado: categoria IV. No escopo, sem dúvida: em kPa, o produto é 2.000, muito acima de 8.

Vaso com solvente inflamável (exemplo, como um equipamento da extração de óleo em uma esmagadora de soja): 0,5 MPa e 10 m³. P.V = 5,0, grupo 3. Fluido inflamável é classe A. Resultado: categoria II. O mesmo vaso com água quente seria categoria IV; o fluido muda tudo.

Em refrigeração por amônia, separadores e recipientes de líquido costumam cair em categorias mais críticas por causa da toxicidade do fluido. Confirme o enquadramento com o PLH, porque um erro de classe muda os prazos pela metade. O guia de manutenção de refrigeração por amônia trata desses equipamentos.

Prazos máximos de exame externo e interno

A Tabela 2 da NR-13 (item 13.5.4.5) define a periodicidade máxima dos exames:

Categoria Sem SPIE: externo Sem SPIE: interno Com SPIE: externo Com SPIE: interno
I 1 ano 3 anos 3 anos 6 anos
II 2 anos 4 anos 4 anos 8 anos
III 3 anos 6 anos 5 anos 10 anos
IV 4 anos 8 anos 6 anos 12 anos
V 5 anos 10 anos 7 anos a critério

São prazos máximos. O PLH pode definir intervalos menores com base no estado do equipamento, no mecanismo de dano esperado e no histórico. Se o último relatório recomendou novo exame interno em dois anos por causa de corrosão localizada, é esse prazo que vale para o planejamento, não o da tabela.

As válvulas de segurança dos vasos devem ser desmontadas, inspecionadas e testadas em prazo não superior ao do exame interno. Na prática, muitas plantas fazem com mais frequência, porque válvula travada é o defeito que transforma sobrepressão em acidente. Manômetros e transmissores de pressão entram no controle de calibração.

Quais registros a inspeção de vasos de pressão exige?

A documentação do vaso inclui prontuário, registro de segurança, projeto de alteração ou reparo, relatórios de inspeção e certificados de inspeção e teste dos dispositivos de segurança. Dois pontos merecem cuidado:

  • Placa e identificação visível. O vaso precisa ter placa de identificação permanente (fabricante, número de identificação, ano de fabricação, PMTA, código de projeto e ano de edição) e a categoria e o código de identificação pintados ou afixados em local visível. Placa ilegível por tinta ou corrosão é achado frequente.
  • Registro de segurança. Pode ser livro de páginas numeradas, pasta ou sistema informatizado. Registra ocorrências que afetem a segurança, inclusive mudanças de prazo de inspeção, e as inspeções com a condição operacional e a identificação do PLH.

O relatório de inspeção deve ser emitido em até 60 dias após a inspeção (ou 90 dias em parada geral de manutenção), e a condição operacional anotada imediatamente no registro de segurança. A organização desses arquivos para auditoria está no guia de evidências para auditoria.

Como montar o calendário de inspeção sem perder prazo

O inventário típico de uma planta média tem muitos vasos pequenos (reservatórios de ar, pulmões, tanques de expansão) e poucos grandes e críticos. Os grandes recebem atenção. Os pequenos vencem em silêncio. Um roteiro para virar o jogo:

  1. Varredura de campo. Percorra a planta procurando tudo que tem pressão e volume: compressores, linhas de vapor, utilidades, refrigeração, laboratório. Fotografe a placa de cada vaso.
  2. Cadastro no sistema. Um registro por vaso, com TAG, localização, fluido, pressão máxima de operação, volume, P.V, classe, grupo, categoria, PMTA e foto da placa. Use o padrão do guia de cadastro de equipamentos e TAG.
  3. Três planos por vaso. Exame externo, exame interno e teste da válvula de segurança, cada um com a periodicidade do último relatório ou da Tabela 2, o que for menor.
  4. Agrupamento por parada. Exames internos exigem o vaso fora de operação. Coloque todos os internos que vencem nos próximos 18 meses na pauta da próxima parada, mesmo que alguns pudessem esperar um pouco mais.
  5. OS de inspeção com evidência. Fotos das condições encontradas, medições de espessura anexadas, relatório do PLH e condição operacional. Pendências do relatório viram OS próprias.
  6. Revisão anual do inventário. Vaso novo instalado sem passar pela inspeção inicial é a falha mais comum depois de projeto de expansão.

Na Sismetro, plataforma de gestão de manutenção e serviços com evidência, cada vaso pode ter seus planos de inspeção com vencimento próprio e a OS fechada no app com foto da placa e das condições, além do relatório anexado. O prazo legal continua sendo responsabilidade da empresa e do PLH; o sistema serve para ninguém depender de memória.

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Erros que aparecem na fiscalização

  • Reservatório de ar “esquecido” num canto da fábrica, sem placa, sem prontuário e sem inspeção. Comum em compressores comprados para uma linha nova. O guia de manutenção de compressores de ar lembra desse item.
  • Válvula de segurança com lacre rompido ou regulada acima da PMTA para “parar de abrir”.
  • Prazo contado da data errada: do fim da parada em vez da data real da inspeção.
  • Vaso mudado de lugar sem inspeção extraordinária, situação que a norma exige para vasos não móveis.
  • Recomendação do relatório sem execução, que reaparece idêntica na inspeção seguinte.

Perguntas frequentes

Reservatório de ar comprimido precisa de inspeção NR-13?

Na maioria dos casos, sim. Ar comprimido é fluido classe C, e o reservatório entra no escopo quando o produto da pressão máxima de operação (kPa) pelo volume (m³) passa de 8. Um reservatório comum de compressor industrial supera esse valor com folga, então precisa de categoria, documentação e inspeções periódicas.

Qual a diferença entre exame externo e interno?

O exame externo avalia o vaso por fora, em operação ou parado: corrosão, suportes, isolamento, placa, dispositivos de segurança e instrumentos. O interno exige o vaso fora de operação, aberto e limpo, e avalia as paredes internas, soldas e espessura. Por isso o interno quase sempre precisa caber em uma parada.

Quando é preciso fazer inspeção extraordinária?

A NR-13 exige inspeção extraordinária em situações como dano por acidente, reparo ou alteração que possa comprometer a segurança, retorno após inatividade prolongada e mudança de local de instalação (exceto vasos móveis). Confira a lista completa no item 13.5.4.10 do texto vigente.

Quem define a categoria do vaso?

A classificação segue critérios da própria NR-13 (classe do fluido e grupo de potencial de risco). Quem formaliza o enquadramento e assina a inspeção é o Profissional Legalmente Habilitado. A manutenção ajuda levantando os dados corretos de pressão, volume e fluido.

Próximo passo: escolha uma área da fábrica (utilidades costuma ser a mais densa) e faça a varredura de vasos com foto da placa. Compare com a lista oficial. Se aparecer um vaso que não estava na lista, o inventário inteiro merece revisão.

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