Software de manutenção preventiva é o sistema que guarda os planos de cada equipamento e gera sozinho a ordem de serviço na data ou na leitura de medidor certa, acompanhando se a tarefa foi feita dentro do prazo. A diferença para uma agenda ou planilha está aí: a preventiva deixa de depender de alguém lembrar, e o que não foi feito aparece.
Quase todo CMMS diz que faz preventiva, e na demonstração todos geram OS. A diferença aparece seis meses depois, quando a planta tem 300 planos ativos, metade por horímetro, uma parada programada no meio do caminho e técnico de férias. Este guia lista o que o software precisa ter para aguentar esse cenário e como testar cada ponto antes de assinar. Se o plano em si ainda não existe, comece por como montar o plano de manutenção preventiva e volte aqui depois.
O que um software de manutenção preventiva precisa fazer?
Seis funções separam a ferramenta que sustenta um programa de preventiva da que só lembra datas.
Gatilho por data e por medidor
Calendário serve para o que envelhece com o tempo: inspeção de extintor, termografia de painel, troca de filtro em ambiente agressivo. Medidor serve para o que se desgasta com o uso, como horímetro, ciclos, quilômetros ou toneladas processadas.
Um compressor de parafuso com troca de óleo a cada 4.000 horas mostra bem o problema. Rodando 16 horas por dia, a troca cai a cada 250 dias. Na safra, rodando 24 horas, cai a cada 167 dias. Um plano fixo por calendário erra um dos dois períodos: ou troca óleo bom, ou deixa o óleo passar do ponto justamente na época em que o compressor não pode parar. O bom sinal é o plano aceitar os dois gatilhos e disparar pelo que vencer primeiro. Os critérios para escolher entre um e outro estão em como definir a frequência da preventiva.
Reprogramação fixa ou flutuante
Quando a preventiva de 30 dias é feita com 8 dias de atraso, a próxima vence 30 dias depois da data planejada ou 30 dias depois da execução? As duas lógicas têm uso. A fixa mantém o cronograma alinhado, o que ajuda em rotas de inspeção e em tarefas casadas com paradas. A flutuante respeita o intervalo real entre intervenções, o que faz mais sentido em lubrificação e troca por desgaste. O software precisa deixar você escolher por plano, e não impor uma das duas para a planta inteira.
Dias permitidos e tolerância
A preventiva da linha de envase não pode cair na quarta-feira de pico de produção. O plano precisa aceitar dias permitidos e uma tolerância (por exemplo, três dias para mais ou para menos) que define o que conta como cumprido no prazo. Sem essa regra cadastrada, o indicador de cumprimento vira discussão de reunião.
Checklist com medição e limite
Uma tarefa que diz só “verificar motor” não serve para nada. A tarefa precisa pedir o valor (temperatura de mancal, corrente, folga, pressão) e compará-lo com o limite. Quando a leitura sai da faixa, o ideal é o próprio checklist sugerir uma corretiva planejada no mesmo equipamento, para o defeito encontrado não se perder no campo de observação. Há exemplos de itens bem escritos em checklist de manutenção preventiva que funciona.
Um plano para vários equipamentos
Trinta motores iguais não precisam de trinta planos. O software deve permitir um plano aplicado a uma família de ativos, gerando OS individual para cada um e mantendo o histórico separado. Quando você ajusta uma tarefa, o ajuste vale para todos de uma vez.
Cronograma anual com carga por semana
O cronograma de 52 semanas mostra onde a carga empilha. Se a semana 32 tem 140 horas de preventiva previstas e a equipe tem 90 disponíveis, você descobre em março, não em agosto, e ainda dá tempo de redistribuir ou contratar apoio. Para enxergar a mesma lógica fora do sistema, veja o modelo de cronograma de manutenção preventiva.
Critérios para escolher um software de manutenção preventiva
A tabela abaixo serve de roteiro para a demonstração. A segunda coluna é o que perguntar; a terceira, o que pedir para ver acontecendo na tela.
| Critério | Pergunta ao fornecedor | O que verificar no teste |
|---|---|---|
| Gatilho por medidor | Como a leitura do horímetro entra no sistema? | Lance uma leitura acima do limite e veja se a OS abre |
| Dois gatilhos no mesmo plano | O plano dispara pelo que vencer primeiro? | Configure 500 h ou 90 dias e simule as duas situações |
| Reprogramação | Posso escolher fixa ou flutuante por plano? | Execute uma OS atrasada e confira a data da próxima |
| Dias permitidos e tolerância | Consigo bloquear dias e definir a janela de cumprimento? | Crie um plano que cairia num dia bloqueado |
| Checklist com limite | A tarefa aceita valor numérico com mínimo e máximo? | Lance um valor fora da faixa e veja o que acontece |
| Plano por família | Um plano pode valer para vários equipamentos? | Aplique a cinco ativos e altere uma tarefa |
| Peças no plano | O plano traz as peças e reserva no estoque? | Gere a OS e confira a reserva no almoxarifado |
| Cronograma e carga | Vejo horas previstas por semana e por especialidade? | Abra o cronograma do ano inteiro |
| Execução no celular | O técnico executa a preventiva sem internet? | Coloque o aparelho em modo avião e encerre uma OS |
| Indicador de cumprimento | O sistema separa no prazo, atrasada e não feita? | Peça o relatório depois de uma semana de teste |
Leve a tabela impressa. Se a resposta for “dá para fazer” em todas as linhas, peça para ver na tela. “Dá para fazer” às vezes significa “dá para fazer com uma customização”.
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Como testar o software em duas semanas
Teste grátis só serve se você chegar com um roteiro. Uma sugestão, usando três casos reais da sua planta:
- Escolha um equipamento por horímetro (compressor, gerador, empilhadeira), um por calendário (painel elétrico, ponte rolante) e uma família de equipamentos iguais (motores de mesma potência, bombas de mesmo modelo).
- Monte o plano de cada um com tarefas reais, tempo estimado e peças.
- Simule o uso: lance leituras de horímetro em três dias diferentes, execute uma OS no prazo, uma atrasada e deixe uma sem executar.
- Peça para um técnico executar uma preventiva pelo celular, de preferência num ponto sem sinal da planta.
- No fim, abra o indicador de cumprimento e o histórico de cada equipamento. Se você não entende o que aconteceu olhando a tela, a equipe também não vai entender.
Para preparar os planos antes do teste, a planilha grátis de plano de manutenção preventiva serve de rascunho e depois facilita a importação para o sistema.
Quer ver um software de gestão de manutenção funcionando com os seus equipamentos?O Sismetro junta preventiva automática, ordens de serviço no celular com evidência, histórico por máquina e MTBF/MTTR, com integração nativa ao ERP Senior.
Como medir se a preventiva está funcionando no sistema?
O primeiro indicador é o cumprimento do plano: preventivas executadas dentro da tolerância ÷ preventivas programadas no período × 100.
Exemplo: numa semana, o sistema programou 46 preventivas. Foram feitas 39 dentro da janela, 4 com atraso e 3 não foram feitas. Cumprimento = 39 ÷ 46 × 100 = 84,8%. As quatro atrasadas não contam como cumpridas, mas também não desaparecem: o sistema precisa mostrar quantos dias de atraso cada uma teve e em que equipamento.
O segundo indicador é a relação entre horas de preventiva e de corretiva, que mostra se a preventiva está tirando trabalho emergencial da equipe. A conta e as metas mais usadas estão em índice de preventiva x corretiva.
O terceiro, pouco usado, é quantas preventivas encontraram defeito. Se nenhuma inspeção encontrou nada num ano inteiro, ou a frequência está alta demais ou o checklist não está sendo feito de verdade. As duas hipóteses merecem uma visita ao campo.
No software de gestão de manutenção do Sismetro, o plano abre a OS na data ou quando o horímetro passa do limite, respeita os dias permitidos e mostra a carga das 52 semanas. O técnico recebe a OS no app com o checklist e as peças, e executa mesmo sem rede.
Erros comuns ao levar a preventiva para o software
- Importar o manual inteiro. O fabricante recomenda inspeção diária de 40 itens, e ninguém faz. Comece pelo que já é feito e pelo que falha, e acrescente tarefas conforme o histórico pedir.
- Gerar OS demais. Um plano semanal para 80 motores cria 80 OS por semana, e o técnico passa mais tempo encerrando OS do que inspecionando. Quando a tarefa é curta e os equipamentos ficam na mesma área, agrupe numa rota.
- Nunca revisar a frequência. Com seis meses de histórico, compare o que as preventivas encontraram com as falhas que aconteceram mesmo assim. Sem essa revisão, o plano envelhece junto com o equipamento.
- Escolher pelo preço da licença. Uma ferramenta gratuita pode atender uma equipe pequena, mas costuma limitar justamente as preventivas recorrentes. Os limites mais comuns estão em software de manutenção gratuito: vale a pena na indústria?
Próximo passo prático: pegue os 10 equipamentos que mais param na sua planta e anote, para cada um, o gatilho certo (data ou medidor) e a tarefa que de fato evita a falha. Essa lista é o melhor roteiro para testar qualquer sistema. O Sismetro libera acesso grátis para testar, e você pode rodar esses 10 planos no CMMS do Sismetro antes de decidir.
Perguntas frequentes
O que é software de manutenção preventiva?
É o sistema que guarda os planos preventivos de cada equipamento e gera automaticamente a ordem de serviço na data ou na leitura de medidor definida. Ele acompanha o que foi feito no prazo, o que atrasou e o que não foi feito, e guarda o resultado no histórico do ativo.
O software de preventiva funciona por horímetro?
Os bons, sim. O plano recebe as leituras do horímetro (digitadas no app, importadas ou vindas de outro sistema) e abre a OS quando o uso passa do limite. O ideal é poder combinar horímetro e calendário no mesmo plano, disparando pelo que vencer primeiro.
Qual a diferença entre reprogramação fixa e flutuante?
Na fixa, a próxima preventiva é calculada a partir da data planejada, mesmo que a execução tenha atrasado. Na flutuante, ela é calculada a partir da data em que o serviço foi feito. A fixa mantém o cronograma alinhado; a flutuante respeita o intervalo real entre intervenções.
Planilha não resolve a manutenção preventiva?
Resolve enquanto são poucos planos, todos por calendário, e uma pessoa cuida deles todo dia. Com dezenas de planos por horímetro, várias equipes e cobrança de auditoria, a planilha passa a depender de conferência manual e o atraso só aparece quando a máquina quebra.
Como testar um software de preventiva antes de contratar?
Use o período de teste com três equipamentos reais: um por horímetro, um por calendário e um grupo de equipamentos iguais. Monte os planos, simule execuções no prazo, atrasadas e não feitas, peça a um técnico para executar pelo celular e confira o indicador de cumprimento no fim.