Um CMMS integrado ao TOTVS Protheus é um software de manutenção que recebe do Protheus os cadastros de produtos, centros de custo e fornecedores e devolve a ele as solicitações ao armazém, as solicitações de compra e o custo das ordens de serviço. O Protheus segue dono do estoque, das compras e da contabilidade; o CMMS fica com a rotina técnica da manutenção.
Antes de falar em integração, porém, quem usa Protheus precisa responder uma pergunta que quem usa outros ERPs nem sempre tem: por que não usar o módulo de manutenção que o próprio Protheus já oferece?
O Protheus tem módulo de manutenção?
Tem. O SIGAMNT (Manutenção de Ativos e Gestão de Frotas) cobre cadastro de bens, planos de manutenção, ordens de serviço e controle de frotas, e conversa nativamente com estoque, compras e custos, porque está na mesma base. Para muitas empresas, isso é suficiente, e seria desonesto dizer o contrário.
A busca por um CMMS dedicado costuma aparecer por motivos de rotina, não de cadastro:
| Situação | Tende a favorecer |
|---|---|
| Manutenção já usa o SIGAMNT, com OS e preventivas no sistema e técnicos apontando | Continuar no SIGAMNT |
| Técnicos precisam abrir e fechar OS no celular, inclusive em áreas sem sinal | CMMS com app de campo |
| Inspeções, checklists e evidências (foto, assinatura) para auditoria fazem parte da rotina | CMMS com recursos de evidência |
| Grupo com unidades em ERPs diferentes (Protheus numa, outro sistema noutra) | CMMS único com integrações por unidade |
| PCM precisa de indicadores, backlog e programação sem depender de relatório customizado | Avaliar os dois com um piloto |
O que não funciona é ter as duas coisas pela metade: preventivas no SIGAMNT, corretivas numa planilha e OS de campo num aplicativo isolado. A escolha precisa ser feita por inteiro. Para a parte do campo, veja aplicativo de manutenção no celular.
Quais módulos e cadastros do Protheus participam da integração?
A lógica é a mesma de qualquer ERP, mas ajuda falar a língua de quem cuida do Protheus. Os nomes de tabela abaixo são os do padrão; customizações da empresa podem acrescentar campos ou rotinas.
| Módulo | Dado | Tabela padrão | Direção típica |
|---|---|---|---|
| Estoque e Custos (SIGAEST) | Produtos | SB1 | Protheus → CMMS |
| Estoque e Custos (SIGAEST) | Saldos por armazém | SB2 | Protheus → CMMS (consulta) |
| Estoque e Custos (SIGAEST) | Solicitação ao armazém | SCP | CMMS → Protheus, com retorno da baixa |
| Compras (SIGACOM) | Solicitação de compra | SC1 | CMMS → Protheus |
| Compras (SIGACOM) | Pedido de compra | SC7 | Protheus → CMMS (status) |
| Compras / cadastros | Fornecedores | SA2 | Protheus → CMMS |
| Contabilidade Gerencial (SIGACTB) | Centros de custo | CTT | Protheus → CMMS |
| Ativo Fixo (SIGAATF) | Bens do imobilizado | SN1 | Vínculo com o ativo técnico |
| Gestão de Pessoal (SIGAGPE) | Funcionários | SRA | Protheus → CMMS |
Repare que não há linha para a OS em si. Checklist, causa da falha, fotos e tempo de reparo ficam no CMMS. O Protheus precisa saber do material, do serviço comprado e do custo, não do diagnóstico. O desenho de dono e direção de cada dado está detalhado em integração CMMS e ERP: o que deve conversar.
Como esse tipo de integração costuma ser construído?
Há quatro caminhos comuns em projetos com Protheus. A escolha depende da versão, da infraestrutura (Protheus local ou na nuvem da TOTVS) e de quem vai dar manutenção na integração.
- APIs REST. O Protheus pode expor serviços REST pelo próprio servidor de aplicação, e a TOTVS publica APIs padronizadas para vários cadastros e movimentos. Confirme com a TOTVS ou com sua consultoria quais APIs existem na sua release e se há exigência de licenciamento para uso.
- Mensagem única TOTVS. Padrão de mensagens da própria TOTVS, usado inclusive para integrar o SIGAMNT com outras linhas da empresa. Faz sentido quando a empresa já opera esse barramento.
- Serviço customizado. Um webservice escrito em ADVPL ou TL++ pela equipe ou consultoria, que recebe a requisição e chama as rotinas padrão do Protheus por execução automática, respeitando validações e regras de custo.
- Tabela intermediária. O CMMS grava numa tabela de troca e um job do Protheus processa os registros usando as rotinas padrão. Simples de operar, com um atraso de alguns minutos.
O caminho a evitar é o “atalho” de gravar direto nas tabelas SCP, SC1 ou SD3 pelo banco de dados. Os registros até aparecem, mas pulam validações, controle de saldo, custo médio e pontos de entrada que a própria empresa criou. O primeiro fechamento de estoque mostra o estrago. As perguntas a fazer sobre a API do lado do CMMS estão em API em software de manutenção.
Passo a passo do fluxo de uma peça
- O produto existe no SB1 e chega ao CMMS com código, descrição e unidade de medida. Ninguém cria produto pelo CMMS.
- O planejador abre a OS para o equipamento e planeja os materiais, consultando o saldo no armazém da manutenção.
- A OS gera a solicitação ao armazém no Protheus, já com o centro de custo do equipamento.
- O almoxarifado atende no Protheus. A baixa gera o movimento interno e o custo volta para a OS.
- Sem saldo, a OS gera a solicitação de compra e fica em “aguardando material”. O status do pedido de compra é devolvido ao CMMS.
- No encerramento, a OS consolida material, mão de obra e serviços de terceiros.
Quer tirar isso da planilha?O Sismetro junta ordens de serviço, preventivas, estoque e indicadores num só lugar, com app para os técnicos e integração com o ERP Senior.
Particularidades do Protheus que mais pegam
- Empresa e filial. O Protheus trabalha com código de empresa e filial, e cada tabela pode ser compartilhada ou exclusiva por filial. Se o cadastro de produtos é compartilhado e o de saldos é exclusivo, a integração precisa saber disso. Em grupos com vários CNPJs, desenhe essa correspondência antes de tudo; o tema está em manutenção multiplanta e multiempresa.
- Armazém da manutenção. Defina qual código de armazém (local) atende a manutenção em cada filial. Requisição saindo do armazém errado gera saldo negativo e custo médio estranho.
- Centro de custo obrigatório. Se a empresa exige centro de custo na solicitação e o CMMS manda vazio, a mensagem é rejeitada. Isso é bom: melhor rejeitar do que lançar errado. Mas alguém precisa olhar a fila.
- Serviços de terceiros. Compra de serviço passa por TES e regras fiscais próprias. Combine com o fiscal como o serviço de manutenção será comprado e ligado à OS.
- Atualizações de release. O Protheus recebe atualizações frequentes. Cada atualização relevante deve ter um teste rápido dos fluxos integrados.
Exemplo: frigorífico com Protheus e manutenção dividida
Um frigorífico hipotético usa Protheus para tudo no administrativo. A manutenção usa o SIGAMNT só para cadastrar bens, e as OS correm em papel por causa das áreas frias e úmidas, onde ninguém leva computador. No fim do mês, cerca de 40% do material retirado pela manutenção sai sem OS, lançado no centro de custo “manutenção geral”.
A empresa decidiu colocar um CMMS com app de campo e integrá-lo ao Protheus por tabela intermediária, porque a equipe interna de TI já dominava esse modelo. Os bens do SIGAMNT foram migrados como ponto de partida da árvore de ativos, e o vínculo com o SN1 foi mantido. Três meses depois do piloto na desossa, o material sem OS caiu para menos de 10% naquela área. O número é de exemplo, mas o mecanismo é real: quando a requisição só nasce da OS, o centro de custo genérico perde espaço sozinho.
O fluxo completo de peças, inclusive devoluções e peças reparáveis, está em integração da manutenção com compras e almoxarifado, e o vínculo com o imobilizado em manutenção, contabilidade e patrimônio.
Integração nativa ou projeto sob medida?
A integração nativa confirmada do Sismetro é com o ERP Senior. Para Protheus, o caminho técnico depende da release, da infraestrutura e do escopo, então consulte a equipe sobre o seu ERP. Os outros cenários estão no guia completo de integração CMMS e ERP.
Próximo passo: peça à TI um relatório simples com todas as saídas de material da manutenção nos últimos três meses, agrupadas por centro de custo, e veja quanto caiu no centro genérico. Esse percentual é o melhor argumento (e a melhor linha de base) para o projeto de integração.
Perguntas frequentes
O SIGAMNT do Protheus é um CMMS?
Sim, o SIGAMNT é o módulo de manutenção de ativos do Protheus, com bens, planos, ordens de serviço e frotas. A escolha entre usá-lo e adotar um CMMS dedicado integrado depende principalmente da rotina de campo, das inspeções e da estrutura do grupo.
Como integrar um software de manutenção ao Protheus?
Os caminhos mais comuns são APIs REST, a mensagem única TOTVS, webservices customizados que chamam as rotinas padrão e tabelas intermediárias processadas por job. Gravar direto nas tabelas do Protheus pelo banco deve ser evitado.
Quais dados do Protheus a manutenção precisa?
Produtos e saldos, centros de custo, fornecedores e funcionários, além do vínculo com os bens do ativo fixo. No sentido contrário, o CMMS envia solicitações ao armazém, solicitações de compra e o custo das ordens de serviço.
O Sismetro integra nativamente com o TOTVS Protheus?
A integração nativa confirmada é com o ERP Senior. Para Protheus, consulte a equipe comercial sobre a sua versão e o escopo desejado.