Guia da Manutenção › Artigos

Alinhamento de eixos: laser x relógio comparador

O alinhamento de eixos é o procedimento que coloca as linhas de centro de dois eixos acoplados (por exemplo, motor e bomba) na mesma reta durante a operação, corrigindo desvios paralelos e angulares por meio de calços e deslocamentos da máquina móvel. Pode ser feito com relógio comparador ou com sistema a laser; os dois funcionam quando bem executados, e a diferença está em tempo, repetibilidade e facilidade de registro.

Desalinhamento é uma das causas mais comuns de falha prematura de rolamentos, selos mecânicos e acoplamentos, e uma das mais fáceis de evitar. Mesmo assim, em muitas plantas o alinhamento é feito “no olho”, com régua apoiada no acoplamento, ou simplesmente não é refeito depois de trocar um motor elétrico. O acoplamento flexível tolera o erro por um tempo, e quem paga a conta são os mancais.

Que tipos de desalinhamento existem?

  • Paralelo (offset): as linhas de centro estão paralelas, mas deslocadas uma da outra, na vertical, na horizontal ou nas duas.
  • Angular: as linhas de centro se cruzam formando um ângulo.
  • Combinado: a situação real mais comum, com componentes paralelo e angular nos planos vertical e horizontal.

Antes de qualquer correção, existe um problema que precisa ser eliminado: o pé manco (soft foot). É quando um dos pés da máquina não apoia completamente na base. Ao apertar o parafuso, a carcaça se deforma, o que distorce o alinhamento e, em motores, pode afetar o entreferro. Medir e corrigir o pé manco é o primeiro passo de qualquer alinhamento sério.

Sinais de que a máquina está desalinhada

  • Vibração alta na direção axial e componentes em uma e duas vezes a rotação no espectro.
  • Acoplamento aquecido, elementos elásticos se desfazendo em pó, desgaste irregular dos dentes de acoplamentos de engrenagem.
  • Falhas repetidas de rolamento no lado do acoplamento e vazamentos frequentes em selos mecânicos.
  • Parafusos de base que se soltam ou trincas na base.

Laser x relógio comparador: qual escolher?

Critério Relógio comparador Sistema a laser
Investimento inicial Baixo Mais alto
Tempo de execução Maior, exige leituras manuais e cálculos ou gráficos Menor, o sistema calcula as correções
Dependência da habilidade do técnico Alta (leitura, sinais, flexão do suporte) Menor, mas montagem e pé manco continuam exigindo cuidado
Flexão do suporte (sag) Precisa ser medida e compensada Praticamente eliminada
Distâncias longas entre acoplamentos Mais difícil Mais fácil, dentro do alcance do equipamento
Registro Manual, em papel ou planilha Relatório gerado pelo equipamento, com valores antes e depois
Uso em campo Simples, pouco sensível a ambiente Sensível a sol direto, vibração de fundo e bateria

A escolha prática depende do volume. Uma planta com poucas máquinas acopladas e técnicos experientes em relógio pode trabalhar bem com o método reverso ou borda-face. Uma planta com dezenas de conjuntos motor-bomba, ventiladores e redutores costuma recuperar o investimento no laser pelo tempo poupado e pela padronização: o resultado deixa de depender de quem fez.

O que não funciona é régua e calibre de lâminas como método final. Servem para um pré-alinhamento grosseiro, não para colocar a máquina dentro de tolerância.

Tolerâncias

As tolerâncias de alinhamento costumam ser definidas em função da rotação: quanto maior a rotação, menor o desvio aceitável. Fabricantes de ferramentas de alinhamento e de acoplamentos publicam tabelas de referência, e existem normas técnicas sobre o tema. Defina a tabela que a planta vai usar, coloque no procedimento e use sempre a mesma. Lembre que a tolerância do acoplamento (o quanto ele aguenta sem quebrar) é diferente da tolerância para boa vida dos rolamentos, que é mais apertada.

Dilatação térmica

Máquinas que trabalham quentes (bombas de água quente, turbinas, compressores) crescem quando aquecem. Se forem alinhadas frias e perfeitas, ficarão desalinhadas em operação. Nesses casos, aplica-se um desvio intencional calculado a partir dos dados do fabricante ou de medições em campo, para que o alinhamento fique correto na temperatura de trabalho.

Quando alinhar: plano de verificação de exemplo

Frequências ilustrativas: ajuste ao manual do fabricante da máquina e do acoplamento e ao histórico de cada conjunto.

Situação Ação
Instalação nova ou troca de motor, bomba, redutor ou acoplamento Alinhamento completo com verificação de pé manco, sempre
Qualquer intervenção que solte os parafusos de base Verificação e realinhamento
Vibração com sinais de desalinhamento na rota preditiva Verificação e correção programadas
Equipamentos críticos sem sinais de problema Verificação periódica, por exemplo anual ou na parada programada
Base nova ou recém-grauteada Nova verificação após acomodação, conforme procedimento

O ponto que mais se perde é o primeiro: o motor volta da oficina, é instalado à noite para a linha voltar, e o alinhamento fica para depois. Esse “depois” raramente chega. Colocar o alinhamento como etapa obrigatória da OS de troca, e não como OS separada, resolve boa parte do problema.

Passo a passo de um alinhamento bem feito

  1. Bloquear a energia dos dois equipamentos conforme o procedimento de segurança.
  2. Limpar a base e os pés, retirar calços amassados ou enferrujados e substituir por calços novos, de preferência pré-cortados e em pacotes com poucas lâminas.
  3. Verificar folga de parafusos nos furos (é ela que permite o deslocamento horizontal) e tensões de tubulação, no caso de bombas: tubo forçando o bocal desfaz qualquer alinhamento.
  4. Medir e corrigir o pé manco.
  5. Fazer a medição inicial e registrar os valores.
  6. Corrigir primeiro o plano vertical (calços) e depois o horizontal (deslocamento lateral), apertando os parafusos na sequência definida.
  7. Medir de novo com os parafusos apertados e registrar os valores finais.
  8. Após a partida, medir vibração para ter a linha de base do conjunto alinhado.

Como registrar o alinhamento

Alinhamento sem registro não pode ser auditado nem comparado. Na próxima falha de rolamento, ninguém sabe se o conjunto estava alinhado. Registre pelo menos:

  1. Valores encontrados (antes), nos planos vertical e horizontal, paralelo e angular.
  2. Pé manco medido e corrigido, com a espessura de calço usada em cada pé.
  3. Valores finais (depois) e a tolerância aplicada.
  4. Método e instrumento, com identificação. Se o instrumento tiver calibração controlada, registre a validade.
  5. Foto do relatório do laser ou da folha de leituras do relógio, anexada à OS.

Num CMMS como o Sismetro, esses campos podem ser um checklist anexado à OS de troca, preenchido no celular junto da máquina, com foto do relatório e funcionamento offline. O QR Code no conjunto abre o equipamento certo e mostra o último alinhamento, o que ajuda a perceber bases que “perdem” alinhamento com frequência.

Quer tirar isso da planilha?O Sismetro junta ordens de serviço, preventivas, estoque e indicadores num só lugar, com app para os técnicos e integração com o ERP Senior.

Agendar demonstração ou teste grátis por 15 dias

Exemplo: quanto o alinhamento muda o histórico

Considere uma estação com 14 conjuntos motor-bomba de água de resfriamento que somou 23 trocas de rolamento em dois anos, a maioria no lado acoplado. A equipe passa a exigir alinhamento a laser com registro em toda intervenção e faz uma campanha de verificação nos conjuntos sem intervenção recente. A campanha encontra 9 dos 14 conjuntos fora da tolerância adotada, 3 com pé manco significativo.

No ano seguinte, as trocas de rolamento caem para 6. O exemplo é hipotético, mas a ordem de grandeza da mudança é comum quando uma planta sai do “alinhamento no olho”. O tema conversa com o de falha de rolamentos e com o de manutenção de bombas centrífugas, onde selos vazando são muitas vezes sintoma de desalinhamento.

Alinhamento e balanceamento são complementares: um corrige a posição relativa dos eixos, o outro a distribuição de massa do rotor. Os sintomas se confundem no espectro de vibração, e o diagnóstico é parte do guia de análise de vibração. Quando o problema é massa, o caminho é o balanceamento de rotores.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre alinhamento a laser e com relógio comparador?

Os dois medem o desalinhamento entre eixos. O relógio é mais barato, mas exige mais tempo, habilidade e compensação da flexão do suporte. O laser é mais rápido, calcula as correções e gera relatório, o que facilita a padronização e o registro.

O que é pé manco?

É a condição em que um ou mais pés da máquina não apoiam completamente na base. Ao apertar os parafusos, a carcaça se deforma. O pé manco deve ser medido e corrigido antes do alinhamento, senão os valores medidos não se mantêm.

Acoplamento flexível dispensa alinhamento?

Não. O acoplamento flexível tolera algum desalinhamento sem quebrar, mas os esforços continuam sendo transmitidos aos rolamentos e selos. A tolerância para boa vida dos mancais é bem mais apertada do que a do acoplamento.

Quando é preciso refazer o alinhamento?

Sempre que houver troca ou intervenção em motor, máquina acionada, acoplamento ou base, e quando a análise de vibração indicar desalinhamento. Equipamentos críticos também se beneficiam de uma verificação periódica.

Como próximo passo, inclua o alinhamento com registro de antes e depois como etapa obrigatória de toda OS de troca de motor ou bomba, e programe uma campanha de verificação nos conjuntos críticos. Os valores encontrados vão mostrar o tamanho do problema na sua planta.

Quer ver isso funcionando na sua operação?

O Sismetro organiza ordens de serviço, preventivas, estoque de peças e indicadores como MTBF e MTTR em um só lugar, com app para os técnicos e integração com o ERP Senior. Feito para indústria e agroindústria.

Prefere conversar agora? Chame a gente no WhatsApp.

Continue lendo no Guia da Manutenção

Nossa equipe está pronta para ajudar.

Nossa equipe está pronta para ajudar.