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15 KPIs de manutenção e quando usar cada um

KPIs de manutenção são os indicadores que mostram se os equipamentos estão confiáveis, se a equipe trabalha de forma planejada e quanto isso custa. Os mais usados se dividem em quatro grupos: desempenho do equipamento (MTBF, MTTR, disponibilidade), processo de trabalho (backlog, aderência, preventiva), custo e materiais. Abaixo estão 15 deles, cada um com fórmula, exemplo e o momento em que ele realmente ajuda.

Um aviso antes da lista: nenhuma planta precisa dos 15 ao mesmo tempo. A maior parte dos painéis com vinte indicadores tem uns cinco que alguém olha e quinze que só ocupam espaço. No fim do texto há uma sugestão de quais escolher conforme o estágio da equipe.

KPIs de desempenho do equipamento

1. MTBF (tempo médio entre falhas)

Tempo em operação ÷ número de falhas. Mostra a frequência de quebra. Use para equipamentos críticos, por TAG, em janela de 12 meses. O passo a passo, com os erros mais comuns, está em como calcular o MTBF.

2. MTTR (tempo médio de reparo)

Tempo total de reparo ÷ número de reparos. Mostra a velocidade de resposta depois da falha. Ganha valor quando você decompõe em espera, diagnóstico, peça e reparo efetivo.

3. Disponibilidade

Tempo disponível ÷ tempo previsto. É o indicador que a produção entende. Antes de adotar, defina se a base é o calendário ou as horas programadas, e se a preventiva é descontada. As fórmulas básicas estão no artigo de indicadores de manutenção.

4. OEE

Disponibilidade × desempenho × qualidade. Indicador do equipamento, compartilhado com a produção. Útil na linha gargalo, para separar perdas de quebra, pequenas paradas e velocidade. Detalhes em como calcular OEE.

KPIs do processo de trabalho

5. Backlog em semanas

Horas estimadas das OS pendentes ÷ horas disponíveis da equipe por semana. Exemplo: 1.140 horas pendentes e 380 horas disponíveis por semana dão 3,0 semanas. Mostra se a equipe tem capacidade para a demanda. Olhe a tendência e separe por especialidade, porque um backlog geral confortável pode esconder a elétrica afogada. Mais em backlog de manutenção.

6. Aderência à programação

OS programadas executadas na semana ÷ OS programadas. Exemplo: 212 programadas, 171 executadas, 80,7%. É o melhor indicador de disciplina de planejamento que existe, e reage rápido. Tem regras de cálculo que fazem diferença, explicadas em aderência à programação.

7. Cumprimento do plano preventivo

Preventivas executadas dentro da tolerância ÷ preventivas previstas no período. Exemplo: 184 previstas no mês, 161 feitas no prazo, 87,5%. Difere da aderência porque olha só o plano preventivo e usa tolerância de data (por exemplo, até 10% do intervalo). Preventiva adiada três vezes não é preventiva.

8. Percentual de trabalho planejado

Horas em trabalho planejado (preventiva, preditiva, corretiva programada) ÷ horas totais apontadas. Mostra o quanto a equipe trabalha por iniciativa própria e não por reação. A versão mais conhecida desse indicador é o índice de preventiva x corretiva.

9. Percentual de corretiva emergencial

Horas em corretiva não programada ÷ horas totais apontadas. É o complemento mais honesto do anterior. Se 18% das horas do mês foram “larga tudo e vai”, você sabe quanto da programação está sob risco toda semana.

10. Tempo de atendimento da solicitação de serviço

Tempo entre a abertura da SS e o início do atendimento, separado por prioridade. Use a mediana: “metade das SS de prioridade alta é atendida em até 3,5 horas” diz mais do que uma média puxada por duas SS esquecidas. É o indicador que a produção sente no dia a dia.

11. Retrabalho

OS reabertas ou falhas repetidas no mesmo ativo em até 7 dias ÷ OS corretivas encerradas. Exemplo: 19 em 312, 6,1%. Mostra qualidade do reparo e da análise. Retrabalho alto com MTTR baixo é um sinal clássico de reparo apressado.

12. Percentual de horas extras

Horas extras ÷ horas normais da equipe. Exemplo: 620 extras sobre 7.040 normais, 8,8%. Fora da entressafra ou de paradas programadas, horas extras altas e constantes indicam equipe subdimensionada ou excesso de corretiva. E cansaço, que vira acidente e erro de montagem.

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KPIs de custo e materiais

13. Custo de manutenção sobre faturamento

Custo total de manutenção no ano ÷ faturamento bruto. Indicador de diretoria e de comparação setorial. Sofre com a variação de preço do produto, o que pesa muito em agroindústria. As armadilhas estão em custo de manutenção sobre faturamento.

14. Custo de manutenção por unidade produzida

Custo de manutenção no período ÷ produção no período. Exemplo: R$ 410 mil no mês para 52.000 toneladas, R$ 7,88 por tonelada. Mais estável que o percentual sobre faturamento e fácil de comparar entre unidades que fazem o mesmo produto. Em usinas, costuma ser expresso por tonelada de cana moída.

15. Nível de atendimento do almoxarifado

Requisições de manutenção atendidas na hora ÷ requisições totais. Exemplo: 1.153 de 1.240, 93,0%. Cada requisição não atendida é tempo de máquina parada esperando peça ou OS reprogramada. Ajuda a calibrar o estoque mínimo dos itens críticos sem inflar o estoque inteiro.

Resumo: os 15 KPIs numa tabela

KPI Grupo Frequência sugerida Para quem
MTBF Equipamento Mensal (janela 12 meses) Gerência, confiabilidade
MTTR Equipamento Mensal Supervisão
Disponibilidade Equipamento Diária a mensal Produção, gerência
OEE Equipamento Diária a semanal Produção e manutenção
Backlog Processo Semanal PCM, supervisão
Aderência à programação Processo Semanal PCM, supervisão
Cumprimento da preventiva Processo Mensal PCM, gerência
% trabalho planejado Processo Mensal Gerência
% corretiva emergencial Processo Semanal PCM, gerência
Atendimento de SS Processo Semanal Supervisão, produção
Retrabalho Processo Mensal Supervisão
% horas extras Processo Mensal Gerência, RH
Custo sobre faturamento Custo Anual (acompanhamento mensal) Diretoria
Custo por unidade produzida Custo Mensal Gerência, diretoria
Atendimento do almoxarifado Materiais Mensal PCM, suprimentos

Quais KPIs escolher conforme a maturidade da equipe

Escolher KPI é escolher onde a equipe vai prestar atenção. Algumas combinações que funcionam:

  • Equipe que está saindo da planilha e do papel: backlog, percentual de corretiva emergencial e MTBF dos dez equipamentos mais críticos. Só. O desafio nessa fase é fazer a OS ser registrada direito; indicador sofisticado em cima de dado ruim atrapalha.
  • PCM funcionando, programação semanal rodando: acrescente aderência à programação, cumprimento da preventiva e MTTR decomposto. É aqui que a disciplina vira número.
  • Rotina estável: entram custo por unidade produzida, retrabalho, atendimento do almoxarifado e OEE na linha gargalo. A pergunta deixa de ser “estamos fazendo o plano?” e passa a ser “o plano está certo?”.

Repare que indicadores de processo (aderência, cumprimento, backlog) aparecem antes dos de resultado. Eles reagem em semanas, enquanto MTBF e custo levam meses para mostrar efeito. Gestão só com indicador de resultado vive descobrindo os problemas tarde demais.

Três regras para qualquer KPI

  1. Cada KPI tem uma ficha: fórmula, fonte do dado, critério de inclusão e exclusão, frequência e dono. Sem dono, ninguém age quando o número piora.
  2. Cada KPI tem meta e tendência. Um número isolado não diz nada; doze meses com uma linha de meta dizem muito.
  3. Cada KPI pode ser aberto até a OS. Se alguém pergunta “de onde veio esse MTBF?” e ninguém consegue mostrar, o indicador perde credibilidade na primeira reunião.

A terceira regra é a mais difícil de cumprir em planilha. Num CMMS como o Sismetro, MTBF, MTTR, disponibilidade e confiabilidade são calculados em tempo real a partir das ordens de serviço, o que facilita sair do número e chegar à OS que o gerou. A forma de apresentar os indicadores é assunto do artigo sobre dashboard de manutenção.

Próximo passo: liste os indicadores que sua equipe calcula hoje, marque ao lado de cada um quem tomou alguma decisão com base nele nos últimos três meses e corte os que ficaram sem marca. Com o que sobrar, escreva a ficha de cada um antes de acrescentar qualquer KPI novo.

Perguntas frequentes

Quantos KPIs de manutenção devo acompanhar?

Poucos. Para a gerência, cinco a sete indicadores bem medidos dizem mais do que vinte. Os demais podem existir em nível de supervisor ou ser calculados só quando houver uma pergunta específica.

Qual é o KPI de manutenção mais importante?

Depende do problema da planta. Se a produção para muito, MTBF e disponibilidade dos críticos. Se a equipe vive apagando incêndio, aderência à programação e percentual de corretiva emergencial. Se a pressão é de orçamento, custo por unidade produzida.

Qual a diferença entre indicador de resultado e indicador de processo?

Indicadores de resultado, como disponibilidade e custo, mostram o efeito final e mudam devagar. Indicadores de processo, como aderência à programação e cumprimento da preventiva, mostram se a rotina está sendo seguida e reagem em semanas. Usar só os de resultado deixa a gestão sempre atrasada.

Com que frequência revisar os KPIs?

Indicadores de processo, como backlog e aderência, semanalmente. Indicadores de equipamento e custo, mensalmente, olhando tendência de 12 meses. A lista de KPIs em si merece revisão anual, retirando o que ninguém usa.

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